por | 8 Fev, 2024 | Editorial, Editorial

Editorial 114 | Apagão político de credibilidade e confiança

Vivemos um tempo político bastante frágil e doentio, agitado e inseguro. A crise política que assola o nosso país é, sem dúvida, um reflexo da erosão constante da credibilidade e confiança nas instituições políticas. Casos constantes de corrupção, favorecimento ou compadrio estão a minar a credibilidade e a confiança nos/dos políticos.

Desde o Presidente da República até aos principais líderes partidários da atualidade, passando pelo Governo da República, Governos Regionais e Câmaras Municipais, a confiança do povo nestes atingiu níveis preocupantes. E porquê? Porque as ações dos líderes políticos transmitem que estarão mais preocupados com interesses pessoais e partidários do que com o bem-comum.

Escândalos de corrupção, desvios de recursos públicos e falta de transparência têm minado a confiança do cidadão, alimentando um sentimento de desencanto pela política e pelos políticos.

O Presidente da República, como figura central na condução do país, enfrenta uma crise de confiança, que vai para além das divergências políticas normais. O envolvimento, ainda que indireto, no caso da vacina das gémeas brasileiras foi um “tiro no porta-aviões” da sua inimputabilidade. Os sucessivos casos no Governo da República, que culminaram com o “achado” de 75.800€ no Gabinete do Primeiro-Ministro, feriram-lhe de morte a credibilidade, tanto que levou à demissão do primeiro-ministro e à convocação de eleições antecipadas. O recente caso no Governo Regional da Madeira, também ele de contornos semelhantes, ainda em discussão acesa na “praça pública”. Os conhecidos casos, uns mais divulgados que outros, nas autarquias locais, associados a esquemas de favorecimento, ajustes diretos sem controlo, corrupção e nepotismo, são igualmente evidências que atentam contra a credibilidade e confiança depositada nestes. Infelizmente, para penalizar ainda mais a perceção e o sentimento de desconfiança dos cidadãos, não se vislumbra um farol de ética, dignidade e respeito nos principais líderes políticos da atualidade, da esquerda à direita.

Resultado e consequência deste apagão político de credibilidade e confiança é um ambiente político tóxico, favorável ao populismo fácil e à polarização extremada do combate político. E quando as divergências são extremadas, fica condicionada a capacidade de o sistema político alcançar consensos e soluções equilibradas, o que dificulta a implementação de políticas eficazes, alimenta a apatia cívica, contribui para a fragmentação social, penaliza a confiança dos investidores no nosso país, cria mais instabilidade.

É, pois, imperativo fortalecer os mecanismos de prestação de contas, promover a transparência e investir na educação cívica. A sociedade precisa ser muito mais ativa e vigilante na fiscalização dos governantes e na defesa dos valores democráticos. A melhor forma de cuidar da democracia é praticá-la, elegendo aqueles que melhor se apresentam a eleições e exigindo destes uma cultura de integridade, transparência, cooperação política e serviço público genuíno. Numa frase, apelamos à renovação da ética e da moral no cenário político atual, para reconstruir a credibilidade e a confiança perdida.

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