por | 9 Fev, 2024 | Sociedade, Uncategorized

Polícias e guardas manifestam-se por melhor suplemento salarial

“SE RASGAR A FARDA EM SERVIÇO, TENHO DE PAGAR À COSTUREIRA!”

Um dos assuntos mais focados na atualidade em Portugal é a luta de polícias e guardas. Esta parece acentuar-se à medida que o tempo passa e as reivindicações não são atendidas. Até onde pode ir a radicalização de posições? O presidente do Sindicato Nacional da Polícia, Armando Ferreira, disse que não só os jogos de futebol estão em risco como também podem estar as eleições legislativas, porque são os polícias que transportam as urnas de voto.

Os agentes da GNR, os guardas do Corpo Prisional e os Polícias exigem um suplemento idêntico ao que foi atribuído à Polícia Judiciária (PJ), pelo primeiro-ministro António Costa. Estão há mais de três semanas em protestos, tendo começado com a iniciativa de um agente da PSP em frente à Assembleia da República, em Lisboa, que depois se alargou a todo o país.  O ministro José Luís Carneiro já veio dizer que um governo de gestão “não tem legitimidade para assumir encargos permanentes e duradouros”.

Fomos ouvir alguns profissionais de Lousada de cada uma das forças em luta. Para Bruno Silva, guarda prisional, não se compreende que sendo do mesmo ministério (da Justiça) que a PJ, a guarda prisional ficou de fora do aumento. “Infelizmente não temos o apoio político”, lamentou este lousadense, para quem “apenas o Chega se aproxima das nossas reivindicações, todos os outros fazem promessas eleitorais”. Este profissional prisional salienta que “o governo de maioria socialista e o anterior não atenderam às promessas que nos fizeram”.

Bruno Silva (guarda prisional)

No entender de Paulo Pinto, dirigente Sindical do Corpo da Guarda Prisional “as nossas contestações são iguais às da polícia, visto que no nosso estatuto está contemplada a equiparação remuneratória à da PSP”. Sobre o envolvimento dos partidos nesta questão, diz que “o PCP e o Chega são os dois partidos que mais atenção dedicam à causa da Guarda Prisional” e acusa o governo PS de não promover acordos. Paulo Pinto lembra que “as reivindicações não são de agora, são uma guerra antiga que travamos com o Ministério da Justiça”. Este lousadense explica que os guardas prisionais recebem “cerca de metade do valor do subsídio de missão recentemente atribuído à PJ. Ora, o nosso serviço é de maior complexidade, responsabilidade e perigosidade, visto que a nossa ação profissional incide diretamente com a população reclusa, estando por vezes, um ou dois guardas para cerca de 230 reclusos, como é o meu caso”.

Risco de morte sete vezes superior à PJ

O vice-presidente do Sindicato Nacional de Polícia (SINAPOL) é Tiago Fernandes, de Lousada. Este agente da PSP esteve recentemente em vigília em frente à Câmara do Porto, tal como outros colegas um pouco por todo o país. É uma das formas de luta dos polícias para chamarem a atenção para a sua reivindicação. Esta diz respeito a melhorias salariais. Mas há mais: “com tudo isto, a sociedade e os partidos estão agora a perceber a verdadeira dimensão dos problemas gritantes no seio das forças de segurança que em virtude de quase duas décadas de pequenas intervenções, só visavam adiar problemas graves e deixaram a segurança dos portugueses em risco”. Por exemplo, dia Tiago Fernandes, há mais de 4 anos que não se preenchem as vagas de ingresso na PSP, nomeadamente ainda em outubro do ano passado terminou um curso de agentes com 560 elementos quando as vagas eram mais de mil”.

Tiago Fernandes (vice-presidente SINAPOL)

O polícia reconhece que tudo começou quando o Governo “deixou de fora dos polícias quando valorizou a PJ, e isso fez aumentar o descontentamento e frustração, pois esse valor deve ser igual para todos, até porque em proporção estas forças tem um risco de morte sete vezes superior”. Os polícias custeiam a própria farda e reparações na mesma

Da parte da GNR ouvimos um agente que opera numa unidade especial da região: “as reivindicações são legítimas e de natureza obrigatória e imediata”. Tal como alertou Tiago Fernandes da PSP, também este agente da GNR revela que também está em causa “a melhoria das condições de trabalho, que vão desde as infraestruturas, às viaturas e até à falha de papel, que acontece muitas vezes, influenciando negativamente o serviço junto das populações”.

Este profissional, que pediu anonimato, sublinha que “a falta de valorização salarial dos polícias é gritante e já acontece há muitos anos. Neste momento, a atribuição dos suplementos de missão à PJ veio acentuar ainda mais o descontentamento, por falta de equidade e igualdade na atribuição. O suplemento atribuído à PJ é justo pelas condições de insalubridade e penosidade sofridas por parte desses elementos, no entanto essas condições são ainda mais acentuadas na GNR e PSP, daí não se entender a não atribuição do suplemento”.

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