Os maiores inimigos da liberdade, ironicamente, são, precisamente, aqueles que dizem ser os seus mais fervorosos paladinos, defensores. Paradoxal? Não. Nem por isso. A história prova à saciedade que esse é o mecanismo natural, usual, sempre que a pretensão é a de defender a liberdade, capturando-a.
A liberdade deriva do poder, mas este pode trazer, quase sempre traz – a carne é fraca e a consciência ainda mais: o mal torna-se moeda corrente e prevalece o «ou és por mim ou contra mim, não há meio termo: sim, sim, ou não, não, jamais o nim» – a tentativa do seu controlo.
O poder, portanto, pode trazer a tentação velada ou descarada, direta e sem contraponto, de anular, tirar, a voz a todos os que percebem a fraude e têm o desplante de dizerem: não. O poder, pode trazer, traz sempre, a insana tentação de impor a imagem distorcida da liberdade, a sua liberdade, o seu conceito de felicidade: ovelhas comandadas por lobos trajados de cordeiros. O poder pode trazer, traz sempre, o ditador que prefere ser eleito ou que, pura e simplesmente, o toma como se tivesse sido sempre seu. Um ou outro é sempre causa do agrilhoar da liberdade.
Mais: paradoxal é o poder democrático, pois, um pouco por toda a parte produz «pequenos e grandes ditadores» que, durante alguns anos, se acham donos e senhores dos pequenos ou grandes quintais que tutelam, que governam. Diário abril de 2026













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