por | 27 Abr, 2026 | Editorial, Editorial

Editorial 163 | Pseudo Abrilistas

São 52 anos de Abril, 50 anos da Constituição da República e, muito em breve, 50 anos do Poder Local livre e decidido pelo Povo. Concordo plenamente que datas importantes devem ser lembradas, para que se preserve na memória coletiva a necessidade de preservar os valores da Liberdade para o futuro, afastando sempre o passado opressivo do Estado Novo.

No entanto, diria que são precisos mais uns bons pares de anos para que se cumpra verdadeiramente Abril! Não, não considero que seja difícil cumprir, considero é que tem surgido um conjunto de pessoas, filhos e netos de Abril, que têm emperrado o cumprimento do mesmo.

Dividia-os em dois tipos: os que são saudosistas pelo regime passado, mesmo sem nele terem vivido, e os que empunham cravos vermelhos e batem no peito pelos valores da Liberdade, mas não a cumprem verdadeiramente.

Os primeiros, repletos de discursos populistas e demagógicos, querem fazer querer que os primordiais anos depois de Abril foram ainda piores que todos os anos do Estado Novo, tentando incutir que isto só lá iria com alguns sestros do tempo da outra senhora, não se recordando que, se vivêssemos esses mesmos tempos, talvez eles próprios não poderiam estar a dizer e sugerir o que estão.

Aos segundos, caiu-lhes Abril e a Liberdade no colo de mão beijada, e apesar de colocarem na lapela um dos símbolos da independência, não conseguem sentir o peso da emancipação do Povo Português. São sempre favoráveis à “boa liberdade”, àquela que não os questiona, que os protege e lhes dá boa publicidade, tentando controlar tudo o que à sua volta os questione, inquiete ou age com espírito crítico.

E o que têm ambos em comum? 

Quando confrontados com esta verdade, vitimizam-se, apontam a quem os confronta, tentam mostrar-se como Abrilistas convictos, defensores das liberdades, tentando comprovar coincidências incomprováveis. E quando têm algum poder? Diria que ainda se comportam de forma pior, tentando secar à sua volta tudo o que mexe e que seja menos bajulador da sua personalidade.

Enfim, talvez personalidade aqui não seja um termo bem usado, até porque a hipocrisia na ação revela isso mesmo: pouca personalidade. Os outros, lá vão tentando cumprir Abril de 1974 plenamente, tendo que ir suportando estes Pseudo Abrilistas da nossa comunidade. Mas diria que talvez, só assim, a luta por um mundo melhor, mais livre e justo, faça realmente sentido.

E, já agora, parabéns ao Jornal O Louzadense, que cumpre neste próximo dia 25 de abril o seu 7º Aniversário! 7 anos de imparcialidade, rigor, competência, qualidade e independência. 7 anos de Liberdade!

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