Fala-se frequentemente de democracia e liberdade como valores adquiridos, quase garantidos, em especial por esta altura de abril. Contudo, no contexto local, estes princípios só existem verdadeiramente quando se traduzem em ações concretas. Em Lousada, impõe-se uma reflexão: estarão todas as freguesias do concelho a ser tratadas de forma justa e igual?
Cada freguesia, independentemente da dimensão, localização ou cor política, é composta por cidadãos com direitos iguais. Quando o município investe de forma equilibrada, escuta todas as vozes e distribui oportunidades sem discriminação, está a reforçar a confiança das populações nas instituições. Pelo contrário, qualquer ideia de favoritismo ou desigualdade degrada essa confiança e enfraquece a democracia.
Ora, existe uma perceção de que nem todas as freguesias beneficiam do mesmo nível de atenção, investimento ou prioridade por parte do município. Há territórios que parecem avançar a um ritmo mais acelerado, enquanto outros ficam para trás, condenados à espera e reféns de promessas adiadas. Esta realidade não pode ser normalizada, nem desculpada com argumentos técnicos ou limitações orçamentais, porque, na essência, estamos a falar de escolhas políticas.
Esta desigualdade compromete a própria liberdade das populações, porque não há verdadeira liberdade quando o ponto de partida é desigual, quando o acesso a serviços, infraestruturas e oportunidades depende do “código postal” dentro do mesmo concelho.
É certo que gerir um município exige escolhas e prioridades. Não se espera uma governação infalível, mas exige-se, no mínimo, transparência absoluta: critérios claros na distribuição de recursos, apoios ou investimentos, e um compromisso inabalável com a igualdade de tratamento.
A democracia não se esgota no ato de votar, constrói-se no dia-a-dia através de políticas que não deixam ninguém para trás, independentemente da freguesia onde vivem, e da distribuição equitativa de recursos e da capacidade de ouvir e responder às comunidades de forma imparcial. A coesão social e territorial de Lousada depende da capacidade de olhar para o concelho como um todo.
Por outro lado, a liberdade só é plenamente concretizada quando todos os cidadãos dispõem de condições semelhantes para crescer, viver e trabalhar.
Num concelho tão rico na sua diversidade, a ação municipal deve pautar-se por um princípio elementar: tratar o que é igual com igualdade. Não se trata apenas de uma questão administrativa ou de gestão de recursos. Este é um imperativo ético. É o cumprimento do contrato democrático com cada munícipe. Afinal, antes de qualquer freguesia ou sigla partidária, somos todos, com o mesmo orgulho e direito, lousadenses.
Luís Peixoto (Presidente da JF Caíde de Rei e Vice-Presidente do PSD Lousada)













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