Lousada, terra de história e tradição, ostenta com orgulho a sua grandeza. O nosso Torrão, que há 182 anos (13 de maio de 1842) foi elevado à categoria de Vila, por decreto régio da rainha D. Maria II, é o “coração” do Vale do Sousa e o “recanto” da Área Metropolitana do Porto. Lousada é grande, pelo menos em potencial! Lousada é grande e tem, sim, um potencial incrível, saibamos todos explorar, participar, projetar e consolidar.
Lousada é grande, mas por detrás da sua grandiosidade escondem-se carências que não podem ser ignoradas. Enquanto município, somos confrontados com a realidade dos vários equipamentos e infraestruturas essenciais que, em comparação com a nossa ambição, se revelam pequenos e insuficientes.
As piscinas municipais, lugar de convívio e prática desportiva, são um equipamento pequeno, edificado para a realidade de há 27 anos. O próprio parque infantil, em pleno parque urbano, é como uma ilha minúscula para o lazer de tantas crianças. O auditório municipal inaugurado há 26 anos já foi “casa” suficiente, hoje é um equipamento reconhecidamente pequeno para a ambição dos lousadenses. O FOLIA – Festival Internacional de Artes do Espetáculo de Lousada já foi grande e internacional, hoje passa despercebido na senda cultural local, tanto mais do país e da região. O espaço AJE – Artes, Juventude e Europa e a Biblioteca Municipal não satisfazem eficazmente uma vocação associativa, educativa e cultural. O mercado municipal, que deveria ser ponto de encontro entre produtores e consumidores, parece uma banca de rua perdida no meio da Rua Gen. Humberto Delgado. O centro de saúde do Torrão, as finanças, a conservatória e a segurança social são como casas apertadas, obsoletas, disfuncionais e congestionadas, onde a eficiência e o conforto são comprometidos pela dispersão e falta de espaço. A habitação acessível é uma miragem para o grosso dos lousadenses. A rede de transportes públicos é ineficiente, para não dizer inexistente. As circulares rodoviárias não existem, o que existe são troços inacabados de uma pretensa alternativa rodoviária. A edificação no território, principalmente de pavilhões industriais, acontece um pouco por todo o lado, em qualquer lado, de forma desorganizada e sem respeito ambiental e social.
É inegável o salto que o concelho deu em democracia e o quanto os lousadenses gostam da sua terra. É por esse gostar que defendemos que a verdadeira grandeza está na capacidade de reconhecer as falhas e transformá-las em oportunidades.
O desafio, presente e futuro, passa por alimentar novos sonhos, projetar novas realidades e manter viva a chama da esperança. Lousada pode ser grande, não apenas em tamanho, mas também em qualidade de vida para todos os seus habitantes, lousadenses e muitos outros que decidam cá viver.













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