Nas últimas décadas, Portugal tem tido um enorme desafio demográfico, em tangente com a Europa, que se faz sentir nas empresas e por arrasto na sociedade portuguesa. Medidas e desafios se encontram, mas a sua interseção requer um cuidado em várias vertentes, desde o campo social, económico, à questão da empregabilidade e até nacional. Porém, de forma inequívoca e sem manifestar algum cuidado, temos vindo a assistir à entrada, em massa de indivíduos estrangeiros, que tem assim provocado um saldo migratório positivo (em número) e tem evitado a queda da população residente em Portugal. Procurando, no imediato, suprir o grave constrangimento da falta de mão-de-obra, mais e menos qualificada, que as empresas enfrentam, passando quase que obrigatoriamente pelos fluxos migratórios, pois pela via do saldo “natural” o problema passaria por uma resposta a longo prazo, e com o esforço de medidas atrativas, que impõe ambições e horizontes vários no hoje, por parte do indivíduo em sociedade e no contexto de trabalho, na procura de fazer jus, aos seus propósitos de vida e de condições contratuais que, nem sempre alinham no mesmo sentido, do intento da atuação de medidas por parte do Estado e das Empresas.
Assenta assim que, a entrada de indivíduos estrangeiros deve ser acompanhada de uma integração humanista e de uma abordagem proactiva de atração de talento estrangeiro. E tais medidas devem disciplinar a entrada destes no país, e, todo o sistema de acolhimento e integração de estrangeiros deve ser adequado e eficaz, para que funcione, evitando demoras na contratação por parte das empresas. A par, surge a importância da existência de entidades que façam uma estreita filtração e articulação com as necessidades empresariais, afim de dar resposta assertiva, e que os recursos não sejam alvo de desperdício, envolvendo o levantamento de necessidades que alinhem as carências atuais e futuras de mão-de-obra da economia nacional, e da capacitação dos indivíduos estrangeiros, no sentido de minorar as dificuldades (linguísticas e outras) e do desenvolvimento de competências sociais facilitadoras da entrada no mercado de trabalho.
Atenta que, impõe-se questões várias, como: estarão estes preparados e oferecem mais resposta que a nossa massa humana ativa no mercado? O valor remuneratório tem reporte igual, apresentando estes uma série de alinhamentos a aferir e a implementar. Será um retorno a longo prazo viável, ou apenas e meramente de curto prazo? O icebergue das questões tem sustentabilidade no amanhã? O que importa como objetivo fulcral, é o dar resposta a questões meramente demográficas e até de empregabilidade, com um fosso económico a suster e a refletir-se e, (de algum modo) arrastar as questões socias, culturais e demais? E tais competem de igual forma? É de relevância, todas as partes envolvidas e interessadas, validar os prós e contras e a sua atuação ser em função de tal.
No cômputo geral, a entrada de indivíduos estrangeiros em massa, com ou sem um adequado e eficaz acolhimento/integração terão impactos sociais e demais, muito significativos, na génese de uma população “nova”, com a nossa identidade a se transformar e a ser transformada. Este acrescento de indivíduos estrangeiros é um alento e resposta imediata que, qui ça, se perde ou se ganha, com as diversas culturas, no ângulo empresarial e/ou nacional.
Assunção Neto












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