por | 18 Ago, 2024 | Espaço Cidadania, Sociedade

Superar limitações para realizar sonhos

MANUELA MAGALHÃES É UM EXEMPLO DE RESILIÊNCIA

Na sua página do Instagram (manu_g_official) Manuela Magalhães Mota diz: “Eu escrevo o que sinto, a minha alma não me segura, a caneta é a minha arma, e a minha rima é a minha assinatura”. Ela tem uma limitação física que exige alguns cuidados, mas nem por isso deixa de perseguir os seus sonhos, realizar os seus projetos e viver a vida de forma ativa e dinâmica. É jogadora de ténis de mesa em cadeira de rodas. Também compõe letras e músicas, que são para Manuela um veículo preferido para intervir e comunicar com o mundo.

Tem 39 anos e chama-se Manuela da Graça Magalhães da Mota, nasceu em Massarelos (Porto), mas as circunstâncias da vida levaram-na a ser adotada por uma família de Nespereira (Lousada). “Padeço de sequelas de paralisia cerebral”, afirma, mas não gosta de sentir que é inferiorizada aos olhos dos outros. Considera-se capaz e competente para alcançar o que pretende.

A música é uma das suas paixões e recorre a composições, sobretudo nos estilos rap e hip-hop, para alertar ou divulgar certos temas que considera importantes. “É uma das formas que encontrei, para transmitir o que realmente sinto. A minha escrita é maioritariamente rap de intervenção. No entanto, fiz uma música de apoio a Portugal no Europeu, «Força Portugal», que teve um bom feedback inesperado. Para além disso, produzi sobre os 50 anos do 25 de abril. Também produzi uma música sobre as eleições legislativas, usando a ironia para caracterizar cada candidato”, revela.

O mais recente tema, que está no seu Instagram, “teve a ver com saudade e um caso que é muito importante para uma família, mas também para mim e para Lousada”, diz Manuela. Refere-se ao desaparecimento de Rui Pedro Mendonça. “Quando lancei a música, o meu intuito não foi de todo ter qualquer tipo de reação das pessoas. Foi uma espécie de desabafo, uma espécie de «carta ao Rui Pedro». Produzi somente para que ele não caia no esquecimento. Por mais que o tempo passe, o nosso Rui Pedro será sempre recordado em cada esquina, em cada conversa e um suspiro fundo quando estamos com os seus familiares. Para o resto do país e do mundo foi esquecido, mas para os Lousadenses a esperança irá acompanhar-nos sempre”, explica Manuela Magalhães.

Na letra desse tema, com recurso a uma voz de Inteligência Artificial, a autora escreveu: “Peço desculpa… mas não consigo esquecer… dou voltas à cabeça e continuo sem perceber…  as perguntas ainda me assombram…. Fico atordoada… não encontro as  respostas… para te trazer novamente para Lousada… A tua ausência separa-me da minha felicidade…  vinte e seis anos depois… as tuas fotos… transmitem-me revolta e saudade…. Portugal…acompanhou a tua história….  Mas não se resolveu nada… a pouco e pouco, a tua história…deixou de ser contada”.

Na música utiliza o nome artístico Manu G, que são o diminutivo de Manuela e a inicial de Graça. Mas já se identificou como Nina Fighter, em alusão ao seu lado combativo e de lutadora pelos seus sonhos. “Andar de kart e ir ao estádio da Luz, em Lisboa, são os sonhos que gostava de realizar. Até lá vivo cada momento e dou valor às pequenas coisas que a vida me tem oferecido”, confessa Manuela, que se revela uma benfiquista acérrima.

O desporto está muito presente na sua vida e pratica ténis de mesa em cadeira de rodas. Até esteve em destaque na Gala do Desporto de Lousada, onde foi distinguida. “Devo muito ao empenho do professor Rui Queirós, que me incentivou a entrar para a competição no Clube de Ténis de Mesa de Lousada, que me faz sentir livre”, refere a tenista, que confessa que a música passou para um plano mais secundários desde que descobriu esta modalidade.

Admite que o seu dia-a-dia “é um pouco condicionado pela minha condição física, mas ocupo-me bem com o desporto, com a música e com um dos meus passatempos preferidos que é solucionar enigmas de cubos mágicos”.

Ainda no que se reporta às dificuldades, “para ser sincera, o mais difícil para mim não é a minha condição propriamente dita”. Esclarece que “o mais difícil de lidar é o peso do poder discriminatório de certas atitudes e expressões, por causa da minha deficiência”. Lamenta que sofre discriminação “a toda a hora e olhares estranhos porque uso muito a cadeira de rodas, além de que há pessoas que usam palavras que não gosto de ouvir, como «coitadinha» ou então «o que será dela sem os pais?», são palavras que me incomodam”.

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