Elementos Iconográficos na construção | Pedras de Armas da Casa Nobre de Lousada I
Como surgiram? A sua antiguidade é certa e há estudiosos que o remetem para o século VIII (invasão árabe). Mais certo: remontam à Idade Média (século XII), exibindo símbolos desenhados no escudo, de forma a facilitar a identificação dos companheiros de batalha. Nestes acontecimentos bélicos os nobres e cavaleiros destacam-se, conquistando, desse modo, o direito ao seu próprio escudo. Este evolui para Pedra de Armas (Brasão de Família). Há condições para que o cavaleiro se possa alcandorar a esta honra: a linhagem, o território, as relações familiares e as obrigações feudais. Surge a Heráldica – ciência auxiliar da história e da história da arte, relacionada com a Genealogia – arte de descrever e interpretar as representações de símbolos e cores insculpidos em pedras de armas, tornando possível a identificação de famílias, ordens e instituições religiosas, órgãos de soberania (produção de logotipos e documentos oficiais).
A pedra de armas é constituída por diferentes elementos que têm um conteúdo preciso.
O escudo (parte central do brasão, onde são representados os símbolos e cores); o elmo (representa a proteção da cabeça do cavaleiro); o timbre (figura que fica acima do escudo, representando a identidade do portador do brasão); os suportes (figuras que ficam ao lado do escudo, como animais ou seres mitológicos); as partições (o escudo pode ser dividido em diferentes partes, chamadas de quartéis, que representam diferentes aspetos da história ou das conquistas da família). Cada símbolo tem uma significação precisa. Símbolos mais comuns: leão (coragem e nobreza); águia (força e poder); cruz (fé e religião); coroa: (realeza e poder); espada (justiça e defesa); estrela (esperança e orientação).
As filhas podiam usar as armas do pai num escudo em forma de losango, mas quando casavam eram colocadas ao lado das do marido, no escudo deste (empalamento). O filho varão, o mais velho, usava uma marca distintiva (lambel) no seu escudo em vida do pai, pois os escudos de ambos eram semelhantes. Os outros filhos varões procediam a mínimas mudanças nas armas: cores, acrescento ou decrescimento de constituintes ou conjunção com outras armas.
O escudo de armas é composto através de regras ou leis muito concretas, chamadas regras ou leis de brasão. Assim, 1ª lei – não se deve sobrepor metal sobre metal, forro sobre forro ou cor sobre cor; 2ª lei– as peças honrosas devem ser colocadas nos lugares que lhes competem; 3ª lei – figuras quiméricas ou naturais, quando solitárias, devem ocupar o centro do campo sem tocar em seus bordos; 4ª lei – figuras, ou peças móveis, pousadas sobre o mesmo campo têm sempre o mesmo esmalte, desde que sejam elas repetidas sem mudanças; 5ª lei – não deve haver diferenças nas tonalidades de uma mesma cor; 6ª lei – o brasão deve ser regular, completo e simples.
Quanto aos esmaltes (cores), dividem-se em Metais (ouro e prata), Vermelho, Azul, Verde, Púrpura, Preto ou Negro e os Forros (Arminhos e Veiros). Também são levados em conta as cores naturais e a carnação, embora ambas não sejam esmaltes.
O escudo de armas pode ser de diferentes tipos: inglês, francês, germânico, ponta em ogiva, peninsular, em forma de losango ou lisonja, oval, circular, quadrado…) e ser segmentado de diversas formas: cortado, partido, franchado, fendido, esquartelado e talhado; e constituído, relativamente à cor, por esmaltes e metais. O esmalte pode ser vermelho, verde, azul, negro, púrpura e, eventualmente, laranja. No que diz respeito aos metais, estes podem ser de prata e ouro – podem surgir como branco e amarelo (se existir a impossibilidade de serem expressos na sua condição de metais). As peças móveis ou fixas, podem apresentar-se de diferentes maneiras. Por exemplo, asnas, pálios, bordaduras, bandas, faixas, palas, barras, cruzes, banda e/ou diversas. Por último, os constituintes figurativos podem surgir em modo de animais, objetos, elementos da Natureza, figuras humanas, entre outras. E para além de poder ter umas das tonalidades citadas, pode igualmente ser em veiro ou arminho, dado simbolizarem a pelagem dos animais em questão. Todas as partículas externas ao escudo, algumas acima citadas, são secundárias, dado ser o escudo o mais relevante e valendo por si só.
Por último, atentemos na significação dos metais e tonalidades. Podem ser de ouro (riqueza, nobreza e poder); de prata (integridade, pureza, obediência e firmeza); de vermelho (vitória, ousadia e fortaleza); de azul (lealdade, zelo, caridade, beleza, boa reputação e justiça); de verde (esperança, amizade, fé, juventude, bons serviços prestados e liberdade); de púrpura (sabedoria elevada e grandeza); e de negro (prudência, tristeza, astúcia, honestidade e rigor).

Créditos: do autor.

Créditos: do autor.
1 – Pedra de armas da Casa de Alentém
A pedra de armas está colocada no frontão da fachada principal da casa de Alentém. É em mármore. Foi mandada esculpir e colocar entre 1874 e 1890 pelo Dr. António Barreto Almeida Soares de Lencastre, Bacharel em Direito, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, Visconde de Alentém.2
Apresenta escudo francês moderno e coronel de Visconde. Escudo: Composição: esquartelada. Leitura: I – Pinto (1), II – Almeida (2), III – Soares, de Albergaria (3), IV – Faria (4).
(1 – Cinco crescentes. Indicado o esmalte dos crescentes: vermelho. (2) – Dobre-cruz acompanhada de seis besantes, e bordadura. Indicado o esmalte do campo: vermelho. (3) – Uma cruz florenciada e vazia e bordadura carregada de oito escudetes, cada escudete sobrecarregado de cinco besantes. Indicado o esmalte da cruz (vermelho) e o dos escudetes (azul). (4) – Uma torre acompanhada de cinco flores-de-lis, três em chefe e uma em cada flanco. Indicado o esmalte do campo: vermelho. Também indicando que a torre está aberta e iluminada de negro; iluminada(cada fresta da torre).3
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1 – António Barreto de Almeida Soares de Lencastre (1835-1897) foi o 1.º Visconde e Conde de Alentém. A 3 de setembro de 1874 o rei D. Luís I de Portugal concedeu-lhe título de Visconde e a 24 de março de 1890 foi agraciado com o título de Conde, título nobiliárquico criado pelo rei D. Carlos I de Portugal a favor do titular da referida casa de Alentém. Os dois títulos foram concedidos em vida do 1.º titular. O título de Visconde de Alentém não foi renovado. Após o passamento do 3.º conde o mesmo sucedeu com o título de conde de Alentém.
2 – NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da – o. c., p. 114.
3 – NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da – o. c., p. 114.
Nota: Vários são os titulares das casas nobres de Lousada (estudadas) que tiveram o privilégio de lhe ser concedido pedra de armas, conferindo-lhe um estatuto distintivo dos demais. Daí a sua pertinência.
Bibliografia
1 – Fonte: NÓBREGA, Artur Vaz-Osório da – A Heráldica De Família No Concelho De Lousada. Aditamento a “Pedras de Armas do Concelho de Lousada” (1959). Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, 1999.
Documentos Digitais
1 – https://www.infopedia.pt/artigos/$heraldica.
2 – https://pt.wikipedia.org/wiki/Bras%C3%A3o.
José Carlos Silva
Professor / Historiador












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