Hoje, caro leitor, venho falar-lhe novamente dos Frei Tomás das nossas vidas, afamados oradores que gostam muito que se olhe para o que eles dizem e muito pouco para o que realmente fazem.
Há por aí quem porventura ainda se iluda com os moralismos que vão apregoando alguns deles aqui e ali nos púlpitos dos nossos dias. E pregam bem, esses Frei Tomás, de dedo em riste e tom moralizador! Há até quem se comova e não resista a soltar uma ou outra lágrima de crocodilo perante tais defensores da justiça e da moral.
O problema, caro leitor, é que as aparências iludem e rápido se percebe que o hábito não faz o monge e, de facto, quem com ânsia aponta o dedo aos outros é o primeiro a não praticar o que defende.
Estas últimas semanas brindaram-nos com exemplos vindos de um extremo e de outro do mosteiro. Aos sérios Frades mendicantes da direita do mosteiro, descobrimos-lhes o quarto cheio de malas e roupa alheia para vender. Aos penitentes Frades hospitaleiros do lado esquerdo, fomos descobri-los à porta a recusar ajuda a grávidas, porque o que têm já não chega sequer para eles. Mas depois de descoberta a careca ao monge, o que se faz? Diz-se que errar é humano e segue-se em frente.
No entanto, houve quem esta semana mostrasse que é possível ser-se diferente. Quem fizesse ver que a seriedade em política ainda conta. Que a coluna vertebral que se ganha com 50 anos de história democrática não se forja em meia dúzia de dias nos extremos.
Da minha parte fica a nota de que, por vezes, os telhados de vidro quebram com aparato e o povo, como disse o deputado do CDS João Almeida, “vai olhando, vai vendo e vai decidindo”.
Pedro Amaral*
Advogado
* Escreve mediante o antigo acordo ortográfico













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