por | 6 Mar, 2025 | Editorial, Editorial

Editorial 140 | Máscaras que caem

Folia, animação, alegria e diversão! O Carnaval em Lousada foi mesmo à grande! 

O cortejo de terça-feira abarrotou as ruas da Vila, antecedido do cortejo das crianças e jovens que, na sexta-feira, trouxeram muita história no sempre amável cortejo das escolas.

Festejou-se um pouco por todo o concelho: Jantarzinho em Meinedo, desfile em Santo Estêvão e quatro dias de muita festa no Carnaval da Aparecida, que terminou com a queima do Entrudo. 

O Carnaval é assim mesmo! 

Junta miúdos e graúdos, em brincadeiras sem maldade. Por alguns dias podemos ser na vida quem quisermos: heróis e heroínas, figuras históricas ou futuristas, objetos e utensílios, podemos até mudar completamente a aparência, mascararmo-nos ao ponto de ninguém nos reconhecer. E quando tudo termina, retiramos as máscaras e voltamos a ser quem éramos.

O Carnaval pode ser como outras coisas na vida em sociedade: fugazes, muitas vezes não é possível manter uma outra aparência durante muito tempo. No Carnaval, somos nós que retiramos as máscaras, mas noutros momentos, são as máscaras que caem.

Encanta-me o Carnaval! Desencanta-me o (des)mascarar supérfluo.

Principalmente quando esses (des)mascarados são atores sociais, políticos e comunitários com preponderância. É estranho ver populistas a tentarem disfarçar-se de moderados, mas ainda mais estranho é ver-se pseudomoderados virarem populistas. 

Estranho ainda defensores acérrimos da liberdade, que empunham cravos vermelhos em Abril, serem imbuídos de um espírito neoclássico das redes sociais e promoverem a cultura do “cancelamento” gratuito, apenas com o intuito de tentar criar vantagem política e/ou social, apenas porque aquela personalidade e/ou organismo não diz com eles ou para eles. 

A sociedade precisa de ativistas moderados. Necessita, mais do que nunca, desmascarar os pseudomoderados e radicais, que mansamente questionam dogmas da democracia como o direito à greve, a liberdade de expressão e a simples cortesia pessoal e institucional.

Voltando ao Carnaval das nossas crianças e jovens: fomos contemplados com uma lição de Camões. 

Por estes dias esbarrei-me também com um texto de blog, que anunciava que Luís Vaz de Camões mais que um poeta, foi também um ativista, um influenciador e um político. 

Na sua poesia criticava a sociedade do seu tempo, a nobreza, que seriam os políticos da altura. Interpreto que criticava os mascarados responsáveis por acrescentar aos outros e que não se acrescentavam a si mesmos, lembrando-os que:

“Porque essas honras vãs, esse ouro puro,

Verdadeiro valor não dão à gente:

Melhor é merecê-los sem os ter,

Que possuí-los sem os merecer…”

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