por | 3 Jul, 2025 | Editorial, Editorial

Editorial 148 | Promessas

Começou a época das promessas “a torto e a direito”!

Sinto que existem ainda candidatos autárquicos, principalmente às juntas de freguesia, que devem achar que ganha quem mais prometer. Quando chegar a época das arruadas, essas promessas ganham ainda mais importância. Nessa ocasião, os candidatos são confrontados pela população com problemas que, por vezes, eles próprios não tiveram capacidade de conhecer enquanto estavam nos executivos das juntas. E aí são capazes de resolver o que durante 4 anos não fizeram, ou são capazes de prometer uma resolução, para a qual, por vezes, nem sequer têm capacidade ou competência, por esta estar sob a responsabilidade de órgãos superiores.

De facto, os candidatos não são os únicos culpados desta situação. Existem ainda alguns eleitores que potenciam esta circunstância. Infelizmente, temos ainda alguns concidadãos que acreditam que a política existe apenas para servir os seus próprios interesses e pretensões. 

No entanto, os candidatos não devem potenciar tais circunstâncias. São os responsáveis por ser os primeiros a colocar travão nesta forma de estar. Acredito que, uma parte muito significativa do eleitorado estará cada vez mais atenta e percebe quem alimenta este peditório, e quem, por outro lado, quer ter uma política local, cada vez mais clara e com um verdadeiro sentido de serviço.

Além das promessas, está também aberta a época do “corre-corre”! É, infelizmente, o momento de fazer virar as nossas freguesias em pequenos estaleiros e tentar cumprir com promessas realizadas há quatro anos, ou até tentar acabar obras começadas há esses mesmos quatro anos pelas mesmas circunstâncias aqui descritas.

Certo é que quem se guardou ou preguiçou para este momento, poderá ver essa estratégia ou incapacidade organizativa estragar-lhe os planos. Apesar do empurrãozinho do município com algum dinheiro, a mão de obra poderá não corresponder, sabendo que não haverá empreiteiros e trabalhadores suficientes para dar resposta.

Sim, empreiteiros e trabalhadores porque infelizmente ainda há quem considere que estas, as obras físicas do betão, cimento, paralelo e betuminoso, são as obras mais importantes. Pessoalmente, considero que essas seriam apenas o acessório para cumprir com os preceitos de servir bem a população, sendo as outras obras, aquelas que muitas vezes gastam pouco betão ou ficam escondidas por esse mesmo material, são as mais importantes e impactantes.

Mas essas, (in)felizmente, requerem tempo, sentido de missão e serviço, e um verdadeiro espírito de comunidade inalcançável para aqueles que, por vezes, apenas estão ao serviço dos interesses partidários.

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