OPINIÃO
O verão chega com promessas de sol e descanso. Mas, entre as ondas de calor e os termómetros que ultrapassam os 35 graus, há uma ameaça silenciosa que continua a fazer vítimas: a desidratação em idosos.
Para muitos, beber água é simples. Para os mais velhos, nem tanto. Com o envelhecimento, a sensação de sede diminui. Soma-se a isso a toma de diuréticos, dificuldades de mobilidade ou dependência de cuidadores — e o risco aumenta. Quando o corpo já grita por água, muitas vezes é tarde demais.
É neste cenário que o papel dos enfermeiros, técnicos auxiliares de saúde e cuidadores informais/formais se torna essencial. Em hospitais, lares, centros de saúde e até ao domicílio, são eles que avaliam, identificam e intervêm. Identificam sinais precoces de desidratação, reforçam hábitos, adaptam estratégias: água espessadas com sabor, gelatinas, pequenos goles ao longo do dia. Parece pouco, mas salva vidas.
A cada verão, repete-se a mesma urgência. E a mesma negligência. Falta sensibilização nas famílias, nas instituições, e, por vezes, até nas próprias políticas públicas. Não basta avisar quando o calor aperta, é preciso preparar, acompanhar e, sobretudo, cuidar com antecedência.
Num país com uma população cada vez mais envelhecida, prevenir a desidratação é tão vital quanto prescrever um medicamento. A água pode não ter sabor, mas, nestes casos, é o verdadeiro remédio.
Afinal, parece que envelhecer com dignidade também passa por algo tão simples e tão vital quanto oferecer um copo de água fresca.













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