por | 18 Nov, 2025 | Uncategorized

Por estes dias há dois temas que ocupam o espaço mediático – as eleições presidenciais (18 de janeiro de 2026) e a Greve Geral (11 de dezembro). Um e outro tema sofrem da mesma maleita – não prendem a atenção do cidadão comum, vulgo «povo».

Vamos por partes.

As eleições presidenciais serão tema de apreciação, porventura, quando se iniciarem os debates. Pessoalmente, aposto no após festividades do Ano Novo.

Relativamente à Greve Geral não tem tido a atenção por parte dos trabalhadores e/ou dos comuns mortais. Porque será? Diversas são as razões para tal alheamento.

Primeira, já cheira a Natal. Assim, este não é o melhor momento para desencadear uma ação desta envergadura.

Segunda, por muito que não se queira ver – e mais cego é aquele que não quer ver –, a esquerda persiste perdida no seu labirinto, esquece-se de que o atual governo ainda se encontra em estado de graça – ténue, mas vive. E porquê? Porque, na verdade, os portugueses ainda relevam a carestia crescente, pois ainda vão tendo capacidade de colocarem comida na mesa e ultrapassarem os diferentes obstáculos do dia-a-dia. Resumindo, vai dando para o gasto. Terceira, estão mais focados na falta de habitação a preços controlados, à deficiente oferta no campo dos transportes públicos e ao transtorno diário, mormente nas desmesuradas áreas metropolitanas (Sul do país), do que nas mudanças laborais. Quarta, a problemática da saúde já se tornou tão normal que quase não é assunto – é uma maleita transversal a todos os governos dos últimos 30 anos.

E porquê? Porque há pleno emprego; porque houve ganhos salariais; porque a função pública – fatia imensa do mundo laboral – recuperou o poder de compra, os escalões serão repostos até 2027, com ganhos substanciais; porque o mundo do trabalho mudou e também o espírito dos novos trabalhadores, as novas gerações sabem que durante a sua vida ativa vão mudar diversas e inúmeras vezes de empresa e de emprego. Por exemplo no mundo tecnológico e noutros setores. Por exemplo, as novas gerações mudam de empresa consoante as condições e os salários que estas oferecem. Isto é, trabalham para quem paga mais e cria um habitat atrativo e sedutor, não hesitando em emigrar se auferirem mais e melhor qualidade de vida.

E porquê? Porque o mundo laboral mudou, logo e no futuro muito próximo – foquemo-nos nas mudanças que a I. A. (inteligência artificial) vai trazer. Talvez essa deveria ser a verdadeira luta do mundo sindical. Creio que nesse futuro próximo nem os funcionários públicos usufruirão de emprego para toda a vida. É inevitável. E porquê? Porque o país não aguenta muito mais tempo o atavismo, o imobilismo, os amanhãs que cantam, um sindicalismo que parou no tempo e ainda discute o mundo do trabalho como ainda estivéssemos no século XX. E a enxurrada de milhões e milhões de euros vindos da U. E. não vai ser eterno. O mundo também mudou e a Europa não mudou, sendo, agora, obrigada a acelerar o passo, com as inevitáveis consequências para países como Portugal – não aproveitou para fazer as reformas estruturais.

A esquerda e a extrema-esquerda, inapelavelmente derrotada nas urnas, tem de demonstrar a sua força na rua – prova de vida. E recorre aos seus satélites sindicais – CGTP e UGT.

E porque é que o 1º ministro parte para a luta? Porque sabe que ainda tem algum capital de graça; porque sabe que as atuais gerações não estão para aí virados e encaram a mudança de emprego/empresa como natural; porque tem a perceção de que os portugueses nem estão para aí; porque sabe que as badaladas alterações à lei laboral ainda não se fizeram sentir; porque sabe que os portugueses já vivem a magia do Natal; porque sabe que este e o próximo mês há mais dinheiro no bolso do povo, a dobrar; e porque, normalmente, ninguém dá razão a quem tem razão antes do tempo.

Desejo sorte ao mundo sindical. Porquê? Caso apenas tomem a rua com os seus filiados e fervorosos adeptos da esquerda e extrema-esquerda, estarão condenados ao fracasso. Agora, se conseguirem mobilizar o país real, a exemplo do que aconteceu com Cavaco e José Sócrates – foi ultrapassada a centena de milhar a descer a Avenida da Liberdade (Lisboa) – aí infligirão uma pesada derrota ao governo e a Luís Montenegro.

Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa e a sua condição de ter o amém da UGT ou veta a lei, é um não problema, pois voltará ao Parlamento e será aprovada com os votos da AD e do Chega.

Por último, ainda acredito que a UGT e o governo poderão evitar esta greve geral, da parte da CGTP não haverá conversas e/ou cedências.

Diário, 15 de dezembro de 2025.

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