por | 25 Nov, 2025 | Freguesias

“O Torno precisa de um Centro de Dia”

Duas semanas após tomar posse como presidente da Junta de Freguesia do Torno (Senhora Aparecida), Luís Carvalho, 51 anos, faz um balanço positivo da nova função, que descreve como exigente mas motivadora. A transição trouxe muita burocracia — alterações bancárias, assinaturas, organização documental — mas, segundo afirma, o processo está a decorrer “muito bem”, em grande parte graças ao esforço da equipa composta por Catarina Dias (secretária) e Paulo Babo (tesoureiro) e à colaboração do executivo anterior.

Também na Assembleia de Freguesia o ambiente é estável. O executivo liderado por Luís tem maioria de 5 – 4, mas as forças políticas manifestaram intenção de trabalhar em conjunto, deixando de lado rivalidades partidárias. “O importante agora é estarmos inclinados para o mesmo sentido”, sublinha.

A vitória eleitoral, embora desejada, não era garantida. Luís reconhece que a freguesia esteve 36 anos sob o mesmo partido e que a mudança parecia difícil. Contudo, o contacto porta a porta mostrou-lhe que o desejo de renovação era real. “Fizemos uma campanha humilde e transparente. As pessoas sentiram isso.”

A transição com o anterior executivo tem sido exemplar. Luís destaca a organização interna deixada e a disponibilidade para prestar esclarecimentos sempre que necessário. “Foram muito prestáveis. Herdámos contas equilibradas e documentação bem arrumada, o que facilita muito este início.”

Entre as prioridades imediatas, o presidente da Junta identifica a necessidade de articulação estreita com a Câmara Municipal de Lousada. Encontros com o Presidente e com vereadores já estão em curso. “As pessoas confiaram em mim e confiaram no Presidente da Câmara. Temos de trabalhar lado a lado”, afirma o aparecidense.

Os estragos provocados pelas últimas intempéries constituem o primeiro grande desafio do mandato. Há recuos e pavimentos danificados que exigem reparação urgente. Em paralelo, Luís quer avançar com “uma cara mais airosa” ao espaço público.

O novo executivo quer estar atento aos pedidos mais simples e frequentes da população: iluminação, muros, caixas, pequenas obras. “Se as pessoas pedem, é porque precisam. E nós temos de corresponder”, afirma, lembrando que esse compromisso foi central durante a campanha.

A localidade da Senhora Aparecida tem vida associativa intensa, com destaque para o futebol, rancho folclórico, paróquia e grupos culturais. Luís, que é dirigente em algumas dessas instituições, garante que isso não condicionará decisões enquanto presidente. “Tenho de ser justo. Ajudar, sim, mas dentro das possibilidades da Junta.”

Serão revistas regras e apoios, nomeadamente no que toca a transportes e cedência de espaços. No entanto, reforça que a Junta não possui capacidade financeira para responder a todas as solicitações. Ainda assim, pretende “ajudar um pouco mais” sempre que possível.

Campo de futebol e Praça da Romaria deverão avançar

O futuro campo de futebol é um dos dossiês mais aguardados. Segundo Luís, existe um compromisso da Câmara para avançar com as obras no início do próximo ano. O mesmo será possível para a nova Praça da Romaria, cujo terreno está adquirido e que já conta com maqueta preparada. “O recinto ficará na antiga quinta do Sr. Mesquita, criando melhores condições para as festas locais”, afirma.

Várias vias da freguesia precisam de requalificação urgente. Luís destaca a Estrada do Xisto, a Rua da Boa Vista (Rua da Espanha), a Rua da Caixada e outros arruamentos com piso deteriorado. O plano passa por renovar pavimentos e criar novos passeios, num processo gradual mas considerado prioritário.

A Romaria da Senhora Aparecida, um dos maiores eventos religiosos e culturais da região, continua sem comissão definida para o próximo ano. Um cenário habitual, admite Luís, já que a organização exige grande número de voluntários e elevado esforço logístico.

Apesar da riqueza cultural e recreativa da Aparecida, Luís considera que a freguesia carece de serviços fundamentais: centro de dia, IPSS, lar de idosos, bombeiros, posto da GNR. A ausência destas respostas preocupa-o, sobretudo pelo elevado número de idosos que vivem sozinhos. Para dar início a uma solução, já está em contacto com a paróquia e com a vereadora Dra Maria do Céu Rocha, de forma a estudar a criação de um centro de dia ou estrutura equivalente. “É talvez a necessidade mais urgente da Aparecida. Precisamos de dar apoio a quem está mais vulnerável”, conclui o autarca aparecidense.

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