por | 22 Mar, 2026 | Carlos Manuel Nunes, Opinião

Lousada e os Fundos Europeus: o dever de transformar investimento em desenvolvimento

Por: Carlos Manuel Nunes (Presidente do PSD Lousada)

Ao longo das últimas décadas, o concelho de Lousada tem beneficiado de diversos investimentos públicos que, inegavelmente, estão a marcar o nosso território. No entanto, é imperativo que saibamos olhar para lá do betão e compreender a origem e o propósito real destes recursos ao dispor do país, onde se incluem as autarquias.

Uma análise rigorosa aos dados do portal Mais Transparência revela uma realidade clara: o motor do nosso investimento público não é uma geração espontânea de recursos municipais, mas sim a solidariedade da União Europeia e o apoio do Estado Português.

À data da redação deste artigo, podemos observar que o ciclo do Portugal 2020 representou um pilar fundamental, injetando 21,21 milhões de euros. A este soma-se a execução do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), com uma dotação de 10,01 milhões de euros. No âmbito do Portugal 2030 já estão assegurados 13,9 milhões de euros. Ou seja, nos últimos 8 anos, o Município captou mais de 45,21 milhões de euros de fundos e, note-se que, Lousada não é, comparativamente com outros municípios da região, aquele que mais beneficia de fundos da União Europeia e do Estado Português.

Para este ano de 2026, o Município estimou receitas de capital de mais de 14,11 milhões de euros em projetos cofinanciados, a que deverá ainda somar mais de 3,76 milhões de euros de empréstimos bancários, que no conjunto suportarão sobremaneira os investimentos em curso, lançados ainda pelo executivo anterior.

São fundos para áreas críticas, como a modernização administrativa, a inclusão social e a saúde. Exemplos emblemáticos, defendidos e aprovados no anterior mandato por ambas as forças políticas (PS e PSD), são a nova Loja do Cidadão e o novo Centro de Saúde do Mezio, investimentos que visam simplificar e melhorar a vida dos lousadenses.

Estes projetos são bem-vindos e necessários. Mas sejamos honestos na análise política: a gestão local não pode reclamar para si a totalidade de um mérito que pertence, em grande medida, aos fundos estruturais europeus e ao apoio do Estado. O papel de uma autarquia é ser eficiente a captar e executar, sem dúvida. Contudo, o verdadeiro desafio político, aquele que o PSD Lousada defende, é saber transformar investimento financeiro em desenvolvimento económico real.

Receber fundos é apenas o primeiro passo. O que nos deve inquietar não é o que se constrói hoje, mas o que ficará amanhã. Não basta inaugurar infraestruturas ou requalificar equipamentos se essas intervenções não servirem para tornar Lousada mais competitiva, mais inovadora e mais capaz de fixar talento. Os fundos europeus são um instrumento extraordinário, mas têm data de validade. A pergunta que deixo aos lousadenses é simples: estará o concelho preparado para crescer quando este fluxo financeiro diminuir?

O PSD Lousada acredita que precisamos de uma mudança de paradigma. Devemos passar de uma “política de obra” para uma política de valor acrescentado. Cada euro investido deve ser pensado estrategicamente para:

  1. Apoiar o tecido empresarial e estimular o empreendedorismo jovem;
  2. Reforçar a ligação entre a educação e a economia local, garantindo empregos qualificados;
  3. Tornar o concelho atrativo para o investimento privado que gera riqueza duradoura.

Lousada tem um potencial imenso: uma população jovem, empresários resilientes e uma localização privilegiada no Tâmega e Sousa. Não podemos contentar-nos em ser apenas bons “executores de projetos” desenhados em Bruxelas ou Lisboa. Precisamos de visão própria.

O futuro do nosso concelho exige mais do que propaganda ou a simples gestão do quotidiano. Exige uma estratégia que liberte as famílias e as empresas da dependência do investimento público e crie prosperidade real. O PSD está pronto para este debate, com a seriedade e a ambição que Lousada merece. Pelo nosso concelho e, acima de tudo, pelas gerações futuras.

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