António Luís de Santos: gosto por ajudar 

Luís Santos nasceu, cresceu e viveu toda a sua vida em Caíde de Rei. Acredita ser um homem humilde e ter uma grande vontade de fazer o bem à população. E, por isso, ao longo do seu percurso foi deixando a sua marca nas associações da freguesia, nomeadamente a Junta de Freguesia, o Sport Clube de Caíde de Rei e a Associação dos Voluntários de Caíde de Rei. 

Em 1961 nascia António Luís de Santos, em Caíde, freguesia a que já dedicou o seu tempo e esforço. Aos 14 anos, depois de terminar a 6ª classe, começou a trabalhar na Casa do Povo de Caíde, por influência do pai, que era contínuo. 

“O meu pai era cobrador de quotas. Comecei a ir com ele e acabei por ficar. Entrei como paquete, ou seja, iniciei aqui a minha carreira profissional, ajudando as pessoas a preencher os requerimentos, fazia os recados necessários, etc.”, conta Luís Santos.

Para progredir na carreira teria de concluir o 9.º ano e, por isso, ingressou no ensino noturno, na Escola Secundária de Penafiel, onde realizou o Curso Profissional de Comércio. “Depois de estudar, exerci funções como contínuo, escriturário, datilógrafo, administrativo e, em 1990, os funcionários da Casa do Povo, foram todos transferidos para o Centro Distrital da Segurança Social do Porto, para exercer funções nos serviços locais do concelho”, revela. 

“Desde então tenho-me dedicado ao trabalho na Segurança Social. É uma profissão que gosto muito, principalmente quando vemos que os assuntos ficam resolvidos e quando conseguimos ajudar. Há dias bons e maus, como em tudo. É uma profissão que ajuda a ajudar outras pessoas e é o que eu gosto de fazer”, reflete. 

“É uma profissão que gosto muito, principalmente quando vemos que os assuntos ficam resolvidos e quando conseguimos ajudar.”

Apesar de não ter sido uma escolha sua, acabou por se apaixonar pelo que fazia, “porque desde a Casa do Povo que eu gostava de ajudar quem passava por lá e acabei por ganhar esse gosto”, confirma.

Mais recentemente, também por força da atividade profissional, concluiu o 12.º ano ao abrigo do programa Qualifica. “Com o passar dos tempos as exigências foram sendo outras e tive que concluir o 12.º ano, uma vez que, desde 2002, exerço funções como Coordenador dos Serviços da Segurança Social de Lousada”, menciona. 

Apesar de ser Coordenador, também faz atendimento ao público, que admite ser a sua preferência.  “A minha função é coordenar para que tudo corra dentro do planeado, não é atender o público. Mas, por vezes temos que o fazer, porque não há funcionários suficientes. Claro que isso faz com que outras coisas deixem de se fazer, e às vezes tem que se trabalhar mais horas, mas gosto mais de atender o público, porque foi sempre aquilo que eu fiz”, revela. 

O coordenador afirma que “de certa forma o nosso trabalho pode mudar vidas e sentimo-nos muito realizados quando um assunto se consegue resolver”. 

Entrada na política 

A entrada na vida política aconteceu em 1989 quando tomou posse como secretário da Junta de Freguesia de Caíde de Rei, durante quatro anos. “Trabalhava na Segurança Social durante o dia e ao final do dia ia para a Junta de freguesia, onde atendia as pessoas todos os dias”, lembra. 

Em 1999, decide candidatar-se a Presidente da Junta, embora não “gostasse muito de política”. Porém, aceitou o desafio e exerceu o cargo durante quatro anos. “Com o pedido do Dr. Leonel Vieira aceitei o desafio e uma vez que aceitei, esforcei-me para ganhar. Estive durante quatro anos e confesso que não gostei muito”, revela. 

Em 2002 tomei posse como Presidente da assembleia de freguesia de Caíde de Rei, onde estive durante quatro anos.

“Não gostei, porque não faz parte da minha forma de ser e do meu feitio.” 

E acrescenta: “não gostei, porque não faz parte da minha forma de ser e do meu feitio e pelos alguns autarcas que querem agradar a todos e, por isso, são falsos em algumas coisas. Nomeadamente no caso da construção do Centro de Saúde”.

Também motivos pessoais levaram Luís Santos a não se candidatar novamente. “Tinha filhos pequenos e tudo isso me ajudou a não me candidatar novamente”, conta. Porém, “gostei da experiência, porque fiz tudo o que estava ao meu alcance e julgo que as pessoas também estavam contentes com o meu trabalho. Dediquei-me a 100%, deixei para trás a minha vida pessoal e acabei por me arrepender”, confirma. 

“Durante esses quatro anos tenho a consciência que fiz o que podia e que as pessoas ficaram satisfeitas pelo trabalho desenvolvido.”

“Durante esses quatro anos tenho a consciência que fiz o que podia e que as pessoas ficaram satisfeitas pelo trabalho desenvolvido, embora não se agrade a todos. Quando era secretário sabia que eram apenas aquelas horas, enquanto presidente as responsabilidades são outras. Despendia todos os dias para a Junta. Era um telefonema, era uma reunião, não tinha tempo para ao fim do dia deitar e adormecer os meus filhos”, lamenta. 

Acredita que, de alguma forma, deixou as suas marcas na freguesia, embora não tenha conseguido concluir o seu grande sonho: a construção do Centro de Saúde. “Para o qual arranjei terreno, criei acessos e depois descobri que o Sr. Vereador do pelouro responsável pela saúde, estava comprometido com o presidente de outra freguesia para que este fosse construído noutra freguesia. Só o candidato seguinte conseguiu resolver o problema”, expõe. 

“Depois fui abrindo e pavimentando algumas estradas e o que foi sendo necessário naquela altura. Foram só quatro anos, não deu para deixar grandes marcas. Saí antes de ver concluído o Centro de Saúde, mas a vida pessoal também falava mais alto”, lamenta. 

Entrega ao associativismo da freguesia 

Com um grande gosto por ajudar os outros e pela freguesia, António Luís Santos marcou a sua presença em diversas associações onde exerceu diferentes cargos. A primeira experiência foi no Sport Clube de Caíde de Rei, entre 2000 e 2008, como presidente da assembleia e na época de 2008/2009 como secretário da assembleia. 

“É um lugar que não dá muito trabalho diariamente. Pode-se ajudar em algumas coisas e dando algumas ideias, mas a nossa função é, durante o ano convocar e dirigir as reuniões da assembleia e no final do ano, conseguir as direções. Foram nove anos desafiantes. É um lugar de honra, que ajuda no que é possível, mas as grandes obras pertencem às direções”, relata. 

“Os gastos são muitos e houve anos que a crise apertou, não havia patrocínios e foi mais difícil arranjar candidatos.”

Luís Santos afirma que garantir uma direção nem sempre foi fácil: “todos os anos arranjava uma direção. Os gastos são muitos e houve anos que a crise apertou, não havia patrocínios e foi mais difícil arranjar candidatos. Fui conseguindo arranjar sempre quem assumisse essa função”. 

Seguiu-se a Associação dos Voluntários de Caíde de Rei, em 2001, como presidente da Direção e de seguida como presidente do conselho fiscal. Esta associação promove e desenvolve diversas atividades e presta o serviço de transporte de doentes. 

“Nesta associação tivemos oportunidade de proporcionar algumas formações, nomeadamente de primeiros socorros. Era gerir os voluntários e o trabalho que ia sendo solicitado. É uma associação muito importante para a freguesia e que nunca teve grandes desafios”, testemunha. 

“Se alguém precisar de mim, estou disponível, porque o meu dever é ajudar as pessoas que precisem e naquilo que posso.” 

Como Caídense, sente que a sua missão está cumprida, mas não descarta a possibilidade de ajudar quem necessitar. “Se alguém precisar de mim, estou disponível, à exceção da política, porque o meu dever é ajudar as pessoas que precisem e naquilo que posso. Na política, não aceitarei mais nenhum desafio”, garante. 

“O que fiz está feito e não tenho hipóteses de fazer mais nada. O que fiz é o que devia ter feito”, termina. 

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