LousaRock – por José Carlos Carvalheiras
É possível identificar mais de 100 projetos e bandas de música rock em Lousada entre 1965 e 2020. Nessa lista encontra-se por exemplo o projeto CRAV organizado para o Festival Vila 2017 por Ernesto Gonçalves, Nuno Almeida e a associação LSD Bookings. Também foram incluídas nesta contagem as bandas de outras localidades que tiveram ou têm músicos de Lousada, assim como uma banda de Penafiel, os Twisters, que tiveram tanta ou mais expressão em Lousada como na sua terra de origem. O batismo de muitas destas bandas merece especial atenção neste artigo.
No projeto Louzarock, que estuda e promove o fenómeno da música moderna portuguesa em Lousada, um dos requisitos para que um grupo ou banda faça parte é ter um nome, ou seja, ter sido “batizada”. Tal como escolher o nome para um recém-nascido ou para um estabelecimento, o batismo de uma banda é um processo que pode ser demorado ou rápido, simples ou complexo.
Atente-se em alguns casos do rock mundial: o nome da banda australiana AC/DC foi sugerido por Margaret Young, irmã dos guitarristas Angus e Malcolm. Ela viu a sigla (que em português correspondem a “corrente alternada e corrente contínua”) escrita num aspirador. Angus e Malcolm gostaram do nome, por estar relacionado com eletricidade.
O nome dos também famosos Aerosmith não significa absolutamente nada. Foi proposto por Joey Kramer e segundo o vocalista Steven Tyler foi o único nome entre vários propostos que ninguém detestou.
Em Lousada, os Affirmation por exemplo, optaram por abrir um livro numa página qualquer e adotaram para nome da banda a primeira palavra dessa página.
Também a banda da Senhora Aparecida, formada na década de 1990 por Pedro Matos e amigos, não procurou muito e desde logo aceitou de bom grado chamar-se como eram apelidados na altura, Secos & Feios.
Se a escolha destes nomes foi pragmática e rápida, outros nem por isso. Veja-se o caso dos 19 Tries, que em português significa “19 tentativas”. Foi essa a designação escolhida ao fim de outras tantas hipóteses para nomear a banda, na qual se incluía o saudoso guitarrista e baixista Pedro [Branca] Martins.
Um nome escolhido na sala de aulas
E o que dizer dos Quarta Rua? Foi uma banda de Moreira (Sousela) que integrava, entre outros, o freamundense Rui Jorge Taipa, que presentemente participa com grande destaque no concurso televisivo The Voice. O nome surgiu da referência geográfica para localizar a casa dos ensaios, que se situava na quarta rua a partir da estrada principal em Moreira.
Há nomes estranhos e curiosos. Uma das formas de ter impacto é ser estranho e suscitar curiosidade. Nesse caso enquadra-se o nome Malpighi , da banda de Vasco Campos (voz e guitarra), Pedro Leite (guitarra) e Eduardo Monteiro (bateria). Estes jovens descobriram o nome numa aula de Ciências, onde foi falado o famoso biólogo e anatomista italiano Marcello Malpighi.
Os Free Monkeys, que quer dizer Macacos Livres ou Libertem os Macacos, foi uma banda da primeira década deste século, liderada por José [Stark] Afonso e era uma manifestação de apoio pela libertação dos animais em cativeiro.
Hiper-realista foi a adoção do nome No Brains, que José Rui Gomes, Miguel Carquejeiro e Paulo Samões encontraram para designar a sua banda , numa alusão ao suicídio (com um tiro na cabeça) do seu ídolo, Kurt Cobain (da banda norte-americana Nirvana), em 1994. Antes disso, esta banda tinha Nuno Moura, na voz, e chamava-se CRACK (acrónimo de Criminal Rats Are Children killers), por influência de um tema dos brasileiros Ratos de Porão, que eram contemporâneos dos Sepultura, banda mítica fundada pelos irmãos Igor e Max Cavalera, e que foram uma forte influência de outras bandas lousadenses da década de 1990, como os Brutal Joke, os Asfixia, os Sacristy, os Sepulcral, etc.
Nem sempre há um significado…
Convém anotar que a justificação do nome é algo que nem sempre é declarado, embora neste projeto do Louzarock se questione os músicos acerca disso. Muitas vezes não existe uma explicação lógica, pois há casos em que o nome surge fortuitamente ou por mero acaso e é adotado devido à sua originalidade, sonoridade ou simbolismo gráfico.
De facto, mistério e originalidade são características que as bandas têm muito em conta na hora de batizar as mesmas. Deixo aqui alguns exemplos disso em Lousada: Tília Petakius (uma das bandas fundadas por Nuno Miguel Almeida); Quim, o pai dos meninos (um projeto interessante que infelizmente durou apenas um ano); Serguth’s Tale (uma banda da década de 1990, muito boa, mas sem muita expressão ao vivo); Caracol Entre os Canibais (mais uma banda de Nuno Miguel Almeida); etc.
Muitos outros nomes (mais de 100) podiam ser aqui retratados mas ficam para o livro que vai sair, mas não termino este texto sem fazer referência ao nome da primeira banda, criada em 1965, Os Moscas. Naquele tempo, chamava-se “Moscas” aos beijos leves e rápidos que os namorados davam.












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