Rua Visconde de Alentém

Foi batizado com o nome António Barreto de Almeida Soares Lencastre aquele que viria a ser o famoso Visconde de Alentém, seguramente um dos cidadãos mais ilustres da história de Lousada. Nasceu na Casa de Alentém* a 14 de julho de 1835, filho de Cristóvão de Almeida Soares de Barros Gavião e de D. Margarida Efigénia Lencastre Camanho Queirós e Menezes.

Formou-se Bacharel em Direito, na Universidade de Coimbra e foi Deputado em várias legislaturas (1870, 1871, 1881 e 1884); foi Governador Civil de Viana do Castelo (Decreto de 21/4/1892), Par do Reino, Procurador à Junta Geral do Distrito do Porto e Presidente da Câmara de Lousada durante quatro mandatos (1868-1871, 1876-1878, 1880-1883 e 1896-1897). Neste último cargo, que exerceu durante mais de uma década, manifestou preocupação pela melhoria da rede de equipamentos sociais e serviços públicos, nomeadamente as instalações da Câmara, do Tribunal, da cadeia e das escolas, a afirmação da comarca, a construção de cemitérios, abastecimento de água à vila, melhoria da viação rural e criação de uma linha telegráfica. Para além disso, merece saliência a construção, a expensas suas, no sítio do Penedo da Saudade, em Alentém, de uma capela que tem por orago Santa Filomena, e, em 1881, a compra da Quinta da Fonte, a fim de poder restaurar a Torre de Vilar (então designada Torre dos Mouros), que ameaçava ruína. 1
Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, recebeu do rei D. Luiz I o título de 1.º Visconde (Decreto de 3/9/1874 e Carta de 26/11/1875) e de 1.º Conde de Alentém (Decreto de 24/3/1890). Casou com Carolina Cândida de Pitta Malheiro, da Casa da Costilha, a 25/9/1859, em Cristelos, e faleceu a 25/6/1897, com a chave do caixão entregue ao Dr. Oliveira Monteiro, médico, professor universitário e Presidente da Câmara do Porto.

Ao perpetuar na toponímia da Vila o mais importante chefe político local da segunda metade do século XIX, Lousada mostrou reconhecimento pela sua ação determinante no desenvolvimento e afirmação do concelho e pelos seus numerosos atos de filantropia e de desvelada caridade 2.

1 In Revista Lousada, Julho 2014, C.M.Lousada.
2 In Jornal de Louzada, 06-05-1950, José Diniz.
* Esta antiquíssima casa senhorial é do tempo em que existiu a freguesia de Arentey, que mais tarde se corrompeu em Alentém e em 1834 foi anexada à freguesia de Vilar do Torno.

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