Falar sobre emoções é um desafio, que se afigura maior, quando associamos estas à leitura. Enquadrada no projeto “A Voz que damos aos livros”, a conferência enunciada no título deste texto protagonizou o início de um conjunto de conferências sobre leitura: Ler a Valer – atividade a decorrer na ESL que ambiciona promover uma conversa alargada sobre o potencial da leitura, enquanto fonte única de interrogação e de interpretação da vida.
Servindo de espinha dorsal a estes encontros, a leitura constitui-se como um modo privilegiado de estabelecermos uma conexão com outros campos do conhecimento: as emoções e a inteligência emocional foi o primeiro. Quando falamos sobre literacia emocional, exploramos a importância de desenvolver o léxico emocional e de procurarmos perceber o impacto que este pode ter no bem-estar e no desenvolvimento de cada um. A identificação das emoções, bem como a consciência da sua existência, aliadas à reflexão sobre como as podemos autorregular, tem um caráter transversal inequívoco.
Foi profundamente comovente sentir o silêncio de uma sala repleta de jovens enquanto Isabel Lage (psicóloga clínica), palestrante nossa convidada, lia excertos de livros e colocava a questão fundamental: “o que sentiram?”. Foi comovente e desafiador o silêncio que se sentiu, reencaminhando todos involuntariamente para a essência da leitura, das emoções, da comunicação. Em silêncio, todos estávamos cheios de palavras geradas a partir da introspeção e de um espaço comum da intimidade aberto pelas linhas de livros, como aquele incontornável de Saint Exupéry – O Principezinho. Como não nos revermos nas suas frases subliminares, como exemplificou Isabel Lage: “Tornas-te responsável por tudo o que cativares”.
Poderei dizer alguma coisa permanecendo em silêncio? Em The Power of Silence, de Adam Jaworski, o autor explora o silêncio como uma componente significativa da comunicação, sendo crucial encontrar uma espécie de simbiose entre o silêncio e a fala para que se efetive a comunicação.
Nesta sessão, esta fusão aconteceu: ficou sublinhada a importância da palavra e, por outro lado, tomamos consciência de que o homem pode desenvolver articulações mentais e sensíveis fora da matriz verbal. O silêncio assumiu-se não como mera ausência de discurso, mas como produtor de significado e como um contributo concreto para o ato de comunicação. “A leitura e as emoções” foi um momento único: lemos e, a partir daí, exploramos emoções; sobretudo, comunicamos pela palavra e no silêncio.
Muito em especial, inadvertidamente, acedemos à leitura enquanto meio eficaz para explorar as emoções, permitindo que nos sirvamos dos livros, da literatura para as compreender de forma mais efetiva e consequente.
Conceição Brandão
Professora













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