por | 30 Jun, 2024 | Espaço Cidadania, Sociedade

Militar da GNR licenciou-se em Direito

EUGÉNIO MATIAS, UM EXEMPLO DE CIDADANIA ATIVA

Este residente em Caíde de Rei sobressai pela devotada atividade cívica em várias frentes naquela freguesia. Está aposentado depois de uma carreira profissional na GNR. O sonho de se formar em Direito não foi realizado na juventude, mas conseguiu-o, de forma exemplar, durante a vida ativa e adulta, quando era agente daquela força militar.

O exemplo de cidadania desta edição é Bernardino Eugénio Leite Matias, natural de Aião (Felgueiras) mas residente em Caíde de Rei. Passou a infância e juventude até aos 18 anos de idade, em S. Mamede de Vila Verde (Felgueiras). Tem como principais  recordações de infância “as brincadeiras ao ar livre, com amigos da mesma idade, em que não havia a menor perigo uma vez, que reinava a segurança e bem estar”. Relativamente à adolescência, “tínhamos um orgulho enorme, em realizar torneios de futebol entre freguesias, em campos pelados, normalmente terrenos baldios, sendo as balizas improvisadas, com paus de eucalipto”. Recorda Eugénio Matias que “não raras vezes éramos escorraçados pelos proprietários, que não aceitavam a nossa ocupação ilegítima, dos seus terrenos, era para nós um empecilho, o que levava a que constantemente tivéssemos, que mudar de campo e local. Apesar de tudo eram sempre momentos de muita euforia e entusiasmo, na luta pelo primeiro lugar”.

Terminado o ensino secundário, em 1980/81, teve o primeiro trabalho, como empregado de balcão, numa loja de ferragens muito conhecida à época, a Casa Abreu, na cidade da Lixa, durante um ano até assentar praça, no Regimento de Infantaria do Porto, em Setembro de 1983.

“Finda a formação geral, a especialidade e escola de Cabos, foi colocado no Batalhão de Instrução do Regimento de Infantaria  13, em Vila Real, como monitor, até à minha passagem à disponibilidade, em Dezembro de 1984”, descreve Eugénio Matias.

Entretanto, seguiu a carreira militar, mas não foi uma decisão fácil de tomar: “a ida para a GNR, foi uma decisão minha, quando ainda estava no cumprimento do serviço militar obrigatório e fui convidado para frequentar o curso de sargentos para o quadro permanente do exército, o que não aceitei, tendo  em conta, que não me estava a ver por detrás de quatro paredes de um qualquer quartel, durante a minha vida ativa”.

No entanto, “tinha de facto uma certa apetência e vocação para a vida militar, então pensei, porque não concorrer para um  Corpo Especial de Tropas, como é o caso da GNR, mais voltada para a vertente policial? Se bem pensei, melhor o executei. Entrei para esta nobre instituição, no ano de 1985”.  

Eugénio Matias e esposa

Fez formação em Santarém, Portalegre e foi colocado como guarda em Sintra. Ao fim de três anos, concorreu para o Serviço de Saúde da GNR, para o quadro de medicina, frequentando o curso no Centro Clínico da GNR, nas Janelas Verdes, em Lisboa. “Findo o curso fui colocado no Posto de Socorros do comando de Aveiro.  Ao fim de três anos fui transferido a pedido para a Delegação do Centro Clínico do Porto, no quartel do Carmo, onde prestei serviço durante 25 anos, findos os quais passei à situação de reserva, em 2017”. Atualmente está na situação de reforma. “Todas estas passagens, foram efetivamente, de muito enriquecimento”, sublinha.

NUNCA É TARDE PARA REALIZAR SONHOS

Pelo meio tirou uma licenciatura em Direito. Esta área “surge na minha vida desde muito jovem, era o curso, que ambicionava realizar quando terminei o ensino secundário, em 1981, não me foi possível à data, uma vez que os meus pais, não tinham capacidade económica, para me manter deslocado numa universidade, durante pelo menos cinco anos consecutivos”.

Esse “bichinho ficou então, em estádio embrionário, mas latente, durante vinte um anos, até que, em 2002 fez-se luz”. Realizou os exames específicos para o curso de Direito e entrou para a universidade na faculdade de Direito do Porto no mesmo ano, ainda em plena atividade profissional na GNR. Frequentou o curso pós-laboral, durante cinco anos, terminando a licenciatura em 2007, no regime anterior à convenção de Bolonha.

É com orgulho que diz ser à data “o aluno mais velho do curso, com 40 anos, no seio de alunos com uma média de idades, entre os 21 e 23 anos”. Confessa que se sentiu “um jovem no meio de tantos jovens, e acredito que fui um estímulo para os jovens colegas de curso, pois durante os cinco anos, nunca deixei qualquer cadeira em atraso, fazendo todas as cadeiras correspondentes a cada ano, no próprio ano, inclusive dando apoio a colegas para levarem a bom porto o curso. O que parecia uma eternidade, passou de forma volátil”, declara este habitante de Caíde de Rei.

Atualmente, tem um papel ativo na vida pública e coletiva da freguesia, que descreve da seguinte forma: “com alguma limitação de tempo, fiz parte da comissão fabriqueira da paróquia de S. Pedro de Caíde de Rei, assim denominada à época, sob a presidência e direção do saudoso reverendo Padre Fernando Carvalho; fiz parte das primeiras equipas de peditórios porta a porta, durante três anos consecutivos, na angariação de fundos para a construção do atual Centro Paroquial; faço parte da Assembleia Geral do Cais Cultural de Caíde de Rei, do qual sou sócio; pertenço ao grupo Sot’artes, relacionado com exposições de arte e pintura, no sótão do Cais; sou Confrade efetivo e fundador da Confraria do Sarrabulho Doce”.

Além de tudo isso, também faz voluntariado em atividades levadas a efeito pela Junta de Freguesia de Caíde, nomeadamente ações relacionadas com a Natureza e o  meio Ambiente,  “causas de que sou acérrimo defensor, fazendo parte da equipa de Guarda rios do Cais Cultural em parceria com o Pelouro do Ambiente do município de Lousada”.

Eugénio Matias, à esquerda, segurando o estandarte da Confraria do Sarrabulho Doce, de Caíde de Rei

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