O abuso acontece em contextos extrafamiliares ou intrafamiliares, pode ser episódico, ocasional ou continuado, pode ocorrer, mesmo dentro de uma relação conjugal, ou equiparada, na qual uma pessoa não pode ser obrigada a manter relações sexuais com o seu parceiro. Incluem-se, também aqui, a exposição da vítima a práticas sexuais ou à pornografia, e/ou forçar a mesma a praticar essas práticas sexuais com terceiros e infligindo lesões nos órgãos genitais. A intervenção, na sinalização/denúncia, do diagnóstico, da proteção e/ou na investigação criminal, para ser correta, deve ser programada, face ao real contexto de cada caso. (Magalhães, 2002). Cerca de dois terços das crianças vitimizadas apresentaram recuperação durante os primeiros 12-18 meses (Kendall-Tackett & Finkelhor, 1993).
Segundo Marcílio (1998), a mitologia e a filosofia grega descrevem práticas, tais como, o infanticídio, abandono e aborto, definindo-as como legais e comuns na Antiguidade e no início da Idade Média. Nessa época, em Roma e na Grécia, o abandono e o infanticídio eram vistos como um ato comum (Marcílio, 1998). Mause (1975) e Toledo (2003) ao tratar do abuso sexual de crianças, constataram que este era muito mais frequente no passado do que atualmente. Viver na Grécia ou em Roma incluía ser usado sexualmente por homens mais velhos (Marcílio, 1998; Mause, 1975). Também eram comuns brincadeiras sexuais entre adultos e crianças, principalmente entre membros da própria família (Ariés, 1981). Não havia lei ou algum comportamento social que impedisse essas práticas, a criança era considerada um brinquedo de prazer do adulto (Aded, 2006).
Íris Pinto
Psicóloga












Comentários