ANA RITA MENDES CORREIA, DE 28 ANOS
Nasceu há 28 anos em Alvarenga (Lousada) e junta a psicologia ao socorrismo, como áreas onde é possível ajudar os outros em situações críticas. A solidariedade está na sua essência e por isso luta por ideais e chama a atenção para várias causas sociais. Não é só uma mulher de ideias e psicologia e a prova disso é o seu gosto pela atividade física e desportiva. Recentemente foi premiada na competição Bombeiro de Ferro, que decorreu em Vila Nova de Gaia.
“Costumo dizer que antes de ser Psicóloga já era Bombeira. E foi exatamente nos bombeiros que percebi o poder que é oferecer apoio e suporte em momentos críticos”, diz Ana Rita.
Considera-se uma pessoa “empática e com uma grande sensibilidade para entender as necessidades dos outros”. Quando descobriu a Neuropsicologia, percebeu que era “uma forma de continuar a ajudar, mas sob uma nova perspetiva: acompanho pessoas na sua jornada de autoconhecimento e sobretudo na superação de dificuldades cognitivas e emocionais”. Explica que esta área científica permite-lhe “unir o interesse em compreender o cérebro e o comportamento humano com a minha vontade em cuidar e dar apoio significativo na vida das pessoas”.
Na licenciatura em Psicologia descobriu a sua “afinidade pela área prática, especialmente pela reabilitação neuropsicológica. Decidi então prosseguir com um mestrado em Neuropsicologia para aprofundar os conhecimentos e trabalhar numa vertente mais prática e focada na recuperação”. Durante o estágio académico, esteve numa unidade de cuidados continuados, onde teve contacto “com casos clínicos desafiantes e enriquecedores”. O estágio profissional de acesso à Ordem dos Psicólogos foi realizado num Centro de Reabilitação em Gaia. “Ali consolidei ainda mais o gosto pela reabilitação, sobretudo na área da lesão cerebral adquirida, como o AVC, o Traumatismo Crânio-Encefálico e tumor cerebral, bem como no acompanhamento de pessoas com demência. Embora goste do trabalho clínico em geral, o que realmente me fascina é ajudar as pessoas a recuperar e a ultrapassar as dificuldades cognitivas e funcionais resultantes destas condições”.

Da paixão pelos Bombeiros e socorrismo em geral diz que começou aos 14 anos: “foi quando ingressei nas escolinhas dos infantes e cadetes. Desde então, fui crescendo na instituição, e atualmente sou bombeira do quadro ativo, há 10 anos”.
Em novembro do ano passado, teve a oportunidade “de unir as minhas duas áreas de atuação ao realizar uma formação específica em intervenção em crise e catástrofe. Graças a esta formação, integro agora as equipas de apoio psicossocial da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, equipas estas constituídas por profissionais que, tal como eu, são simultaneamente psicólogos e bombeiros”. A jovem declara que “é um orgulho poder prestar este apoio especializado a bombeiros e às suas famílias, especialmente em momentos potencialmente traumáticos”.
Nestes 10 anos tem vivido experiências marcantes, sobretudo no acompanhamento de pessoas que têm afasia. “Essa condição, resultante de uma lesão cerebral, pode transformar a vida de uma pessoa de forma abrupta, fazendo com que perca a capacidade de falar e comunicar como fazia antes”, explica Ana Rita. Lidar com essa realidade “é difícil, tanto para os utentes como para as suas famílias. O meu papel é não apenas oferecer apoio e suporte emocional, mas também aplicar estratégias de reabilitação neuropsicológica que ajudem a facilitar o processo de recuperação”. Salienta que “cada progresso, por menor que seja, é uma vitória que traz um grande sentido ao meu trabalho”.

Entre os casos que mais destaca, refere aqueles em que se depara “com pessoas em situações económicas desfavorecidas que enfrentam desafios enormes, ou idosos sozinhos que, na verdade, só querem alguém com quem conversar.” Admite que “torna-se muito difícil não levar essas experiências para casa”.
A sua participação na competição anual entre bombeiros resultou num prémio e em muita satisfação. “Decidi concorrer ao Bombeiro de Ferro porque já participei duas vezes na prova de equipa e, no ano passado, saí frustrada por não ter conseguido concluir a minha parte. No mês seguinte, inscrevi-me no crossfit e, desde essa altura preparei-me para esta prova, que este ano realizei de forma individual”. E esteve tão bem que terminou no terceiro lugar do pódio.
“Para mim, esta participação foi também uma forma de homenagear a minha avó e a minha mãe, que lutaram contra o cancro da mama. Em pleno Outubro Rosa uni-me à Liga Portuguesa contra o Cancro para sensibilizar e apoiar esta causa que me é tão querida. Senti que, ao competir, não só me desafiava fisicamente, mas também contribuía para uma causa importante”, revelou.
O desporto foi sempre uma atividade que a motivou. “Desde nova, pratiquei futebol num clube feminino em Lousada. Fiz também parte da equipa de futsal feminina dos bombeiros, o que me permitiu unir a minha paixão pelo desporto com o meu compromisso com a corporação”, e acrescenta que participou em várias provas de obstáculos organizadas pelos bombeiros, além de provas de resistência, como os Escadórios da Humanidade em Braga (este ano conquistou o 5º lugar, com 22 segundos de diferença do pódio) e o Quebra Costas em Coimbra (em 2023 os bombeiros de Lousada conseguiram o 1º lugar em equipas). “Adoro desafios e sinto que eles me motivam a melhorar constantemente, tanto fisicamente como pessoalmente”, conclui a jovem Ana Rita Mendes Correia.














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