por | 27 Ago, 2025 | Cultura, Freguesias, Juventude

Jovem compositor de Nevogilde em destaque

O jovem compositor Luís António Ferreira Moreira, de Nevogilde é considerado pelos especialistas como um talento da composição musical. Embora com uma curta carreira, o jovem de 23 anos dá mostras de grande futuro numa área muito exigente. É dele o arranjo do «Hino das Festas Grandes», que este ano foi interpretado pela Banda Filarmónica de Lousada.

O gosto pela música deste jovem surgiu no contexto da música litúrgica. “Recordo que, quando tinha cerca de onze anos, no final das celebrações que frequentava, na capela da Senhora da Ajuda, pedia sempre aos zeladores que me autorizassem a tocar um pouco no órgão que lá se encontrava. Nestes breves momentos concedidos, tentava sempre tocar de ouvido os cânticos que tinham sido entoados nas celebrações”, refere Luís Moreira.

“Lembro-me de tocar uma missa completa, sem conhecimentos de leitura musical. As minhas ferramentas eram apenas o ouvido e a intuição, aquilo que sentia e assim acompanhava no órgão”, recorda.

Com cerca de quatorze anos de idade, entrou como organista para o Coro litúrgico da paróquia de Casais e em Nevogilde. Cerca de dois anos depois surgiu a oportunidade de estudar no Centro de Cultura Católica do Porto, com o incentivo do Pe. José Ribeiro da Mota, do compositor Pe. Ferreira dos Santos e da maestrina do coro de Casais, Margarida Mendes. Ali frequentou as disciplinas de piano, formação musical, canto e classe de conjunto (coro).

“A par disso foi surgindo o gosto pela composição musical, o que me levou à procura de aulas particulares, que se realizaram por via Zoom”. Depois entrou na Escola Superior de Música e Artes de Espetáculo do Porto, no ano letivo de 2021/2022, na licenciatura em música – variante composição, onde teve a “oportunidade de trabalhar com vários compositores: Carlos Azevedo, Dimitris Andrikopoulos, Filipe Vieira e Telmo Marques”.

Concluída a licenciatura em composição, frequenta atualmente o Mestrado em Ensino de Música, Análises e Técnicas de Composição, na ESMAE e na Escola Superior de Educação.

Compor é uma arte rara, pois não há muitos compositores. O jovem explica que “é um trabalho que exige desenvolvimento criativo, equilíbrio e sobretudo uma exposição do ouvido interior”. Talvez uma das maiores dificuldades neste trabalho, seja “a transposição daquilo que se ouve interiormente, ou seja, aquilo que o compositor pretende”. E acrescenta que além disso, esta área artística, como muitas outras, “caracteriza-se por uma forte exposição do indivíduo, neste caso do compositor, uma vez que, estes expõem os seus sentimentos, emoções, modo de pensar, de ver o mundo e a sua música. Esta exposição pode tornar o compositor tanto num artista fragilizado e vulnerável, como em oposição um artista confiante”.

Na opinião de Luís, “o que define a posição que o artista assume, é a sua perspetiva quanto à abertura que dá da sua música íntima, consciente dos julgamentos e incompreensões que lhe possam ser atribuídas”.

Quanto aos projetos que realizou até agora, “o que mais destaco na minha carreira é o Recital final de Licenciatura, o qual se compõe pela escrita de uma obra para um ensemble a um, intitulada de Lux Aeterna, uma obra para quinteto de metais, Vintee2 e Vintee2 e uma obra para eletrónica, denominada de A Rebate”.

Hino «Lousada, Terra-Amor»

A partir de um tema de canto de 1992, encomendado pelo lousadense Heitor Carvalheiras aos compositores José Guimarães (V. N. e Gaia) e Antóno Cruz (Ovar), o jovem Luís Moreira elaborou em 2025 um arranjo musical para esse tema intitulado «Lousada, Terra-Amor».

“O tema já existia há muitos anos e agora era desejado como uma revivência e sobretudo como um hino que marcasse as celebrações dos 120 anos das Grandiosas Festas de Lousada”, declara o jovem.

“Neste processo, como só me foi entregue um esboço melódico desta obra, foi necessária a realização de uma estrutura harmónica, de uma escolha orquestral e da adição de uma breve introdução e conclusão. No sentido metafórico, pode-se dizer que a melodia se apresenta como a «pele» e o que realizei como todo o «tronco», explica Luís Moreira.

Durante o processo de construção do arranjo, uma das grandes preocupações “foi que este hino fosse tratado da forma mais séria possível. Tentando sempre não cair nas banalidades nem seguir pelos caminhos mais fáceis da composição. Além disso, tendo em conta que este seria acompanhado por dois solistas cantores, a orquestração teve de ser devidamente pensada de forma que não cobrisse a voz destes”. Por último, sublinha que “a ajuda do maestro titular Eliseu Correia foi deveras essencial, pelo que este arranjo se afirmou num trabalho conjunto entre pares”.

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