Há terras que carregam o tempo como um peso. E há terras que o transformam em esperança. Lustosa pertence a estas últimas.
A identidade de uma comunidade não se escreve apenas nas pedras antigas, nas capelas, nas ruas ou nas memórias dos mais velhos. Escreve-se, sobretudo, na forma como cada geração escolhe cuidar da herança que recebeu e na coragem de lhe acrescentar um novo capítulo. Lustosa sempre soube fazê-lo. É uma terra de gente trabalhadora, de cultura viva, de associações que resistem ao esquecimento e de um orgulho coletivo que nunca precisou de proclamações para existir.
Hoje, porém, sente-se algo diferente. Um sopro novo percorre a freguesia. Não é apenas uma mudança administrativa. É uma mudança de atitude.
A senhora presidente da junta tem vindo a imprimir uma forma de estar que privilegia a proximidade, a escuta e a presença. Há uma política que se faz nos gabinetes e outra que se faz na rua, no contacto direto, no diálogo simples e genuíno com quem vive os problemas todos os dias. É esta segunda que parece estar a ganhar espaço em Lustosa.
Governar uma freguesia é um exercício silencioso de dedicação. São pequenas decisões que, somadas, mudam a vida das pessoas. É cuidar dos espaços públicos, valorizar a cultura, apoiar as coletividades, incentivar os jovens, respeitar os mais velhos e criar um ambiente onde todos sintam que pertencem a uma comunidade que não deixa ninguém para trás.
Esse parece ser o rumo que hoje se desenha.
Lustosa reencontra-se consigo própria quando percebe que a sua identidade não é um monumento imóvel, mas uma força viva. A cultura deixa de ser apenas memória para se tornar projeto. As oportunidades deixam de ser uma promessa distante para começarem a fazer parte da conversa diária. E a política deixa de ser vista como um exercício de poder para regressar à sua verdadeira essência: o serviço.
Naturalmente, nenhum caminho se faz sem desafios. Mas há momentos que mais importante do que a velocidade é a direção. E a direção parece clara: Lustosa mais participativa, mais confiante e mais consciente do enorme potencial que possui.
Os grandes líderes locais não são aqueles que procuram protagonismo. São os que conseguem despertar nas pessoas a vontade de participar, de construir e de acreditar. Talvez seja essa a maior marca que começa a ficar impressa neste novo ciclo autárquico: devolver à comunidade a convicção de que vale a pena sonhar em conjunto.
No fim de contas, as freguesias não crescem apenas com cimento ou asfalto. Crescem quando se cultiva a confiança. Crescem quando a cultura é tratada como riqueza e não como ornamento. Crescem quando os jovens encontram motivos para ficar e os mais velhos sentem que a sua história continua a ser respeitada.
Lustosa parece ter reencontrado esse caminho.
E quando uma terra volta a creditar em si própria, não está apenas a preparar o amanhã.
Está, discretamente, a fazer história.
Porque há ventos que passam. E há outros que anunciam uma nova estação. Em Lustosa, muitos começam a sentir que esse tempo chegou.
Nuno Ferreira – TSD LOUSADA













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