por | 20 Fev, 2021 | Opinião, Pedro Amaral

Tentativa e erro(s a mais)!

Opinião de Pedro Amaral

Mais uma vez, foi preciso garantir que as coisas corriam mal para se remediar a situação. Se há traço da portugalidade que António Costa gosta de acentuar é claramente a propensão para o desenrasque.

A tão afamada “Task force” de elaboração do plano de vacinação, cujo nome se deve, aparentemente, ao facto de tudo resultar melhor em inglês, acabou por se transformar numa confusão de sobra de vacinas, administradas aleatoriamente um pouco por todo o país.

Tal como em 2017, nos incêndios que devastaram o país, em 2020/21 o governo do partido que continua a liderar todas as sondagens, voltou a tentar enfrentar uma “guerra” com uma chefia civil. No passado foram precisas centenas de mortes para que a mudança se realizasse, hoje foram precisos os gritos mediáticos para que finalmente se entregasse, e bem, a um militar a responsabilidade logística de garantir a boa administração das vacinas, para já ainda escassas.

Ao fim de tantos anos e, diga-se, tantos anos de governação socialista, o PS continua, cronicamente, a governar ao sabor do vento da opinião mediática. A resposta à crise sanitária que nos assola é a prova da falta de fibra que o socialismo, como sistema, demonstra para ser eficaz em momentos de aperto.

Ao contrário da responsabilidade, frontalidade e rectidão que se espera na tomada de decisões, quem nos governa demonstra uma total ineptidão para lidar com a pressão e com a crítica. Do “bullying” sofrido, ao “crime da crítica” e à “política dos mortos” a capacidade de liderança deste governo auto corrói-se a cada dia.

Teriam os aliados vencido a guerra se Churchill se tivesse desculpabilizado com o bullying dos bombardeamentos da Alemanha Nazi? Como bem lembrou Telmo Correia, deputado do CDS, no púlpito da Assembleia da República “quem não suporta (…), quem não consegue lidar com a crítica não pode governar em democracia”.  

Chocantemente, no novo normal das nossas vidas tudo mudou e tudo parece indelevelmente igual… Por um lado, a asfixia, o marasmo, a distância, a sensação de que o tempo parou e a nossa vida se suspendeu com ele. Por outro, o sentimento de que, em essência, nada mudou ou vai mudar na forma como quem nos governa encara esta crise.

Evitada a catástrofe, tudo permanecerá na mesma… Mas não faz mal, nas autárquicas, cá estará a máquina publicitária socialista para ajudar as suas Câmaras a maquilhar o passado com algumas fitas cortadas, alcatrão novo e umas tantas frases feitas. Veremos nessa altura se conseguirão lidar com a crítica.

Artigo escrito segundo a antiga ortografia

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