Nunca se falou tanto de saúde mental, mas o suicídio continua a ser um tema tabu na sociedade. É a segunda causa de morte em todo o mundo e afeta mais os jovens entre os 15 e os 34 anos. Em Portugal, três pessoas por dia põem termo à vida e o investimento na saúde mental na infância e adolescência continua a ser escasso.
A campanha “Setembro Amarelo” nasceu em 2015 e pretende que setembro seja o mês dedicado à prevenção contra o suicídio. Para Ana Regadas, psicóloga, “é cada vez mais necessário que estas campanhas existam, não só este mês, mas durante todo o ano, de forma a sensibilizar a população, estando mais atentas para questões de saúde mental”.
São diversos os fatores que estão associados a esta problemática, como: “o histórico de problemas de saúde mental, histórico familiar de suicídio, falta de apoio social e sentimentos de solidão, tentativa de suicídio anterior, exposição a situações de suicídio, existência de doença grave ou crónica, histórico de abuso sexual, crença de que o suicídio é uma ‘resposta’ para problemas graves e vulnerabilidade social”, enumera.
“Enquanto cidadãos devemos estar alerta para os comportamentos dos outros, como ameaçar suicidar-se, o procurar aceder a comprimidos, armas ou outros meios, mudanças de humor súbitas e intensas, aumento de consumo de álcool, drogas ou alterar a medicação habitual, comportamentos agressivos e despedir-se de familiares e amigos”, alerta.

O primeiro passo a tomar é tentar encorajar as pessoas a procurar ajuda e “para isso podemos oferecer-nos para acompanhar a pessoa ou telefonar”. No entanto, explica a psicóloga, esta não é a única estratégia a que devemos recorrer: “a remoção de meios que possam ser utilizados para cometer o suicídio, conversa com a pessoa sobre o assunto e até questionar diretamente se está a pensar suicidar-se, alertar que existe apoio disponível, demonstrar apoio e principalmente manter a calma e paciência.”.
Mostrar às pessoas que os sentimentos não são desvalorizados é um passo muito importante para a ajuda neste processo doloroso “e ainda é essencial não prometermos guardar segredo e reforçarmos a importância de partilhar e recorrer à ajuda profissional”, manifesta Ana Regadas.
O primeiro passo “é pedir ajuda para que se possa sentir melhor”, refere. Poderá recorrer à ajuda de um psicólogo, ao INEM (112), à linha do SNS – Serviço de Aconselhamento Psicológico (808 24 24 24) e, ainda, linhas como SOS Voz Amiga, Conversa Amiga, Voz de Apoio e Vozes Amigas de Esperança de Portugal.
Apesar dos grandes progressos notórios que se têm vindo a fazer,” ainda há um longo caminho a percorrer”, afirma a psicóloga, quer a nível de sensibilizar a população para esta problemática, quer para a valorização dos problemas da saúde mental.
“É ainda necessário desconstruir estigmas da sociedade e que se criem mais respostas, no que diz respeito ao serviço de psicologia. Só com uma sociedade mais consciente e alerta poderemos evoluir nestas questões e reduzir os problemas de saúde mental”, finaliza.












Comentários