Se o desporto automóvel quer ser a marca do concelho, isso envolve a criação de uma nova pista”, Luís Marinho, presidente do CAL

Luís Marinho, de 31 anos, sapador-bombeiro de profissão, é o novo presidente do CAL – Clube Automóvel de Lousada, sucedendo, assim, a Jorge Simão, que deixou a direção do Clube.

A ligação de Luís ao CAL começou em 2011 por ação dos amigos, que o convidaram para reforçar a equipa na organização dos eventos desportivos. “Comecei por ajudar nos postos e depois na cronometragem”, conta. Mas a saída do Eng. Nélson Barbosa levou-o a assumir a parte do secretariado: “Fiquei com a batata quente na mão. Entregaram-me regulamentos, as inscrições… Comecei a tratar de tudo. Também devido à minha disponibilidade profissional e horário de trabalho. Acabei por me envolver mais um bocadinho e tem sido uma boa experiência”, diz.

Membros da antiga direção continuam

Com a saída de Jorge Simão, Luís Marinho assumiu a presidência do CAL. Uma sucessão natural, como esclarece: “O senhor Jorge Simão sentiu que estava na hora de sair. Aceitamos a decisão dele. Eu passei de vice a presidente, o Carlos, mais ligado ao clube, pelo tempo e disponibilidade, passou a vice-presidente, o Paulo a tesoureiro… Entraram mais três elementos, mas basicamente mantém-se a estrutura”. Ou seja, foi necessário redefinir o lugar de cada membro na estrutura.

Luís Marinho enaltece o legado de Jorge Simão: “Quando isto estava complemente fechado, fez um trabalho em crescendo. A gente foi acompanhando e ajudando e sentimos que tínhamos de lhe dar continuidade. Vamos tentar fazê-lo da melhor maneira”, promete.

Pista: o objetivo que falta concretizar

Jorge Simão sai sem concretizar o grande objetivo, que era a construção de uma pista, que permitisse ao CAL voar mais alto. “Morremos na praia”, lamenta Luís, que acalenta ainda o sonho de poder ver a nova pista: “Se acontecer, com esta ou outra direção, é um objetivo importante, porque assim não é possível fazer mais. Se o desporto automóvel, no futuro, quer ser a marca do concelho, isso envolve a criação de uma nova pista, com novos espaços, novas infraestruturas… Nós estamos muito limitados… Se o rali quer ser a imagem de Lousada, tem de se avançar”, refere.

Luís Marinho explica que a pista tem de ser maior e continuar a ser de rally cross. No entanto, “no mesmo espaço ou no exterior”, defende a existência de uma pista de karting. “Como em Baltar, que funciona o ano todo e tem campeonato júnior”, explica, acrescentando que é essencial para a formação. Além disso, lembra: “Temos muito pessoal ligado às motas, também podia ser útil para treinos”.

Objetivos delineados com cautela

O facto de, por um lado, as infraestruturas da Costilha apresentarem limitações e, por outro lado, se verificar a indefinição quando à sua disponibilidade no futuro, colocam alguns entraves à definição de objetivos mais ambiciosos por parte da direção do CAL. Por isso, o objetivo principal, “para já, é garantir o calendário que temos previsto, com 2 provas de resistência, 2 provas do Campeonato Nacional, o WRC se o Portugal continuar no Mundial de Rallys”, refere. Mas o novo presidente não esconde outras ambições, que, no momento, ainda são meras possibilidades: “Estamos a negociar Campeonato Nacional de Drift e ainda alguma outra prova, mas não está nada fechado”, diz, acrescentando que as limitações da pista não permitem ir muito além.

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CAL é uma referência fora de Lousada

O CAL foi convidado para organizar o Moto Show, o que é “muito positivo para Lousada e para o CAL”. Trata-se de uma prova que existe há alguns anos, à qual o CAL dará continuidade. “Temos a responsabilidade de dar continuidade a esse trabalho. Logisticamente, envolve muitos meios, quer a nível de comissários, montagem da pista, para uma prova de 1 ou 2 dias. a 50 km de Lousada. É desafiante… Um desafio para toda a equipa”, salienta.
Recorde-se que esta equipa tem sido desafiada para organizar provas exteriores, como acontece em Gouveia: “É sinal de bom trabalho. Ninguém vem de Gouveia a Lousada por nada, é porque somos uma referência”, afirma.

Luís Marinho refere que estão habituados a fins de semana de provas que exigem grande mobilização e esforço e que têm a máquina bem oleada e, por isso, quando aceitam organizar provas fora, existe uma condição: “Só aceitamos trabalhar desta maneira: com a equipa completa. Cada um tem as suas funções e assim as coisas saem naturalmente”.

Pilotos lousadenses

Atualmente, há vários pilotos lousadenses. Luís sente orgulho e acredita que tem a ver com o trabalho do CAL, “mas principalmente com o facto de Lousada ter uma pista e ser das provas que mais inscritos e público tem. Existe alguma vaidade em correr aqui porque temos sempre casa cheia, recebemos gente de todos os lados e o circuito é desafiante”, sustenta. O novo presidente diz mesmo que “a imagem da bancada bem composta, completa, começa a ser a nossa imagem. É bom para pilotos e patrocinadores. Basta ouvir aqui um motor a trabalhar que isto começa a encher”, afirma.

O Rally de Portugal é uma referência na história da Pista da Costilha, mas fala-se na saída do Mundial de Rally de Portugal. Luís Marinho admite que, em termos, de imagem, não era bom, mas assegura que “não se sobrevive dessa prova, ao contrário do que muita gente pensa. Temos de trabalhar de forma mais a sério no campeonato Nacional, porque isso sim é para nós”, explica. “Se sair de Lousada, não é por aí que o Clube vai parar”, garante.

Pista pode fechar as portas

Confrontado com a possibilidade de, a qualquer momento, a pista poder fechar as portas, por não ser propriedade do Clube, nem de entidades públicas, Luís Marinho refere que apenas têm a garantida de disponibilidade para o próximo ano: “Ficou combinado, dentro das possibilidades, de nos darem uma confirmação para ano seguinte até setembro. Não há contrato. Pode chegar aqui um possível comprador e, de um momento para o outro, ficar fechado”, salienta. Apesar de tudo, com base na confiança, vão sendo assinados alguns contratos com patrocinadores, alguns por três anos. “Trabalhar sempre com a incógnita condiciona o trabalho, claro… Podemos estar a trabalhar e depois não conseguir concretizar os objetivos”, lamenta, reafirmando que, se o CAL tiver o seu espaço, “pode atirar-se para novos desafios”.

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