UD Lagoas quer campo sintético

Rogério Fernando Sousa Morais, de 40 anos, trabalha como segurança privada, mas há muito que o futebol faz parte da sua vida. Atualmente, é o presidente do União Desportiva de Lagoas, um clube com longa história (ver caixa) que pretende continuar a escrever com ainda com mais sucesso.
Conheça melhor as ambições da direção do clube nesta curta entrevista.
Fale-nos do seu percurso na vida desta Associação.

O meu percurso começou como adepto, ainda muito novo. Na altura, via os jogos com o meu pai. Com os meus 13 anos, comecei a jogar à bola e, mais tarde, acabei por integrar na equipa sénior, onde joguei durante vários anos. Atualmente sou presidente, cargo que exerço há 12 anos.

Que balanço faz do trabalho desenvolvido ao longo destes anos?

Um balanço bastante positivo, apesar das dificuldades que se encontram pelo caminho, sendo a nossa maior dificuldade o recinto desportivo com poucas condições.

Caracterize o atual momento da associação.

Neste momento, a associação tem sete escalões de formação, uma equipa sénior e uma veterana. Todas as equipas neste momento estão no futebol federado (AFP).

Quais são os principais objetivos para esta época?

No departamento de formação, manter os escalões e reforçar as equipas com novos atletas. Em relação à equipa sénior, o nosso objetivo passa por uma possível subida de divisão, para a qual já estamos a trabalhar. Mas, para que tal possa acontecer, sabemos o longo caminho que temos que percorrer.

Além dos desportivos, que outros objetivos têm a ambição de concretizar?
O nosso principal objetivo passa sempre por melhorar o nossa Associação dotando-a de melhores condições. Para isso, é claro que temos que ter outras condições a nível do campo desportivo, nomeadamente um sintético. É mais que notório que, devido ao trabalho que temos desenvolvido ao longo destes anos, estas condições não correspondem ao trabalho que queremos desenvolver. O segundo objetivo passa por criar uma sala de apoio escolar, onde os nossos atletas com maiores dificuldades a nível escolar possam ter esse apoio.

Como vê o futuro da coletividade?

Com bons olhos. Claro, com trabalho árduo pela frente, pois sem trabalho nada se consegue.

Quais são as maiores dificuldades?

As nossas maiores dificuldades são, sem dúvida, conseguir manter as equipas que temos em competição e adquirir novos atletas, pois, como é de conhecimento geral, cada vez é mais difícil os miúdos e os próprios pais jogarem em pelado. Esta também é uma das dificuldades para uma melhor certificação dada pela FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE FUTEBOL, a que nos candidatamos no ano passado. Obtivemos um bom resultado devido ao trabalho que se desenvolveu e tem desenvolvido ao longo destes anos, tendo sido cumpridos todos os requisitos para que possamos ter uma certificação ainda melhor este ano.

Como tem sido a colaboração com o clube por parte da comunidade local e das entidades públicas e privadas?

Em primeiro lugar, desde já agradecer publicamente todas as ajudas que nos têm sido dadas pelos nossos patrocinadores, para qualquer tipo de eventos que realizamos ao longo do ano (Festa da Francesinha, torneio de Páscoa, Super Cup, entre outros.)
Em relação às ajudas da Junta de Freguesia, quero acreditar que não ajudam mais porque não podem ou não conseguem. Em relação ao Município de Lousada, quero agradecer ao senhor Presidente, Dr. Pedro Machado, e ao senhor vereador António Augusto todo o apoio que nos têm dado para que esta Associação consiga chegar aos seus objetivos.

Para finalizar, que mensagem gostaria de deixar aos sócios e simpatizantes?

Que acreditem no nosso trabalho. Independentemente das nossas condições, trabalhamos com muita humildade, com amor à camisola e com muito respeito pelo símbolo que temos ao peito.
Todos são muito bem-vindos.

Foot-Ball Club Lagoense foi pioneiro em Lousada
O Foot-Ball Club Lagoense começa a ganhar relevo quando, em convocatória publicada no jornal (janeiro 1932), o seu presidente de então, João Moreira dos Santos, convocou os sócios para a sede do clube, a fim de discutirem assuntos respeitantes ao clube.
Como nos dá conta o jornal O Penafidelense, de 18 abril de 1933, o futebol já então se jogava em Lagoas, pois aquele jornal relata que “em 2 de abril, a UD Penafidelense deslocou-se a Lagoas, empatando a 4 com o grupo local”. Era o Foot-Ball Club Lagoense, fundado em 1931, num qualquer campo algures em Lagoas. O seu campo de jogos, o campo do Sobreiro, viria a ser inaugurado em 1933.
Em 1934/35, a Liga Invicta, então integrada na AF Porto, tinha entre os seus constituintes o Foot-Ball Club Lagoense, de Lagoas/Lousada (R&C da AF Porto 1934/35), circunstância que confere ao clube aquele cunho de pioneirismo. Tenhamos presente que só em 1949 a Associação Desportiva de Lousada levará o futebol oficial à vila.
Entretanto, em Lousada, continuava a não haver campo, mas já havia dois clubes! As divergências no Lousada levam ao aparecimento do Sport Clube Lousadense!
Mas depressa o entusiasmo sofre um arrefecimento, que leva ao desaparecimento do futebol aqui, e destes clubes. O campo do Lagoense servia a clubes de circunstância.
Mas a vida não para e, em Lagoas, na Quinta da Tapada, inaugura-se, em outubro de 1940 uma fábrica de lacticínios, que irá alterar o panorama desportivo no concelho. Faz o Jornal de Lousada em 1942 (26 de setembro) uma resenha sobre a União de Tapada, novel clube surgido em Lagoas, e que tem o seu epicentro na Quinta da Tapada.
Conta o jornal que, agora que se deu a abertura da época, isso trará muito movimento ao UD Tapada, entre cujos elementos se encontram os senhores André Mayer e Eduardo Marta, respetivamente técnico de lacticínios e guarda-livros da Fábrica, que dá o nome ao clube. São também valorosos elementos, os professores António Sistelo, e Manuel Sistelo (Zinho) de Lagoas.
No início de 1948, realiza-se uma Assembleia Geral para aprovação de Estatutos, que lhe irá permitir inscrever-se na AF Porto, e concorrer ao futebol oficial. É o que acontece em outubro, quando vence o primeiro jogo sem jogar. O CD Penafiel não se apresenta a jogo. Joga o segundo em casa com o Amarante, que ganha 9-2.
Iniciava-se assim a presença do concelho no futebol oficial, cabendo essa primazia ao clube de Lagoas.
Por 6 anos compete no futebol distrital, mas na última época sente grandes dificuldades financeiras e falta a alguns jogos por falta de meios para as deslocações. Fecha portas.
Inicialmente, o clube competia no campo que havia servido ao Lagoense. O campo do Sobreiro. Mas em 1948 dá-se a inauguração do novo campo de futebol, a que o Jornal de Lousada chama de campo de Valmésio.
Depois de ter andado no Inatel, foi durante anos o crónico vencedor do campeonato concelhio de Paredes, já que Lousada não o tinha.
O campo chegou até hoje, usado agora pela União de Lagoas, que o vem beneficiando para conseguir concretizar os seus objetivos desportivos de praticar o futebol federado.
É este clube um tributo às suas gentes, pela perseverança, e entusiasmo com que abraça este desporto, que se joga em Lagoas vai a caminho dos 100 anos!

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