“Lousada sempre foi o meu lar e continua a ser” – Cristina Moreira

As suas origens encontram-se na Invicta, mas foi em Lousada, onde reside, que viveu a maior parte da sua vida. Gosta de fazer acontecer e não vira as costas aos desafios da vida. Falamos de Cristina Moreira, conhecida essencialmente pela sua ação política como vereadora e, atualmente, deputada na Assembleia da República.

A deputada nasceu a 23 de agosto de 1966, na freguesia de S. Nicolau, no Porto. Sem querer, a mãe concedeu-lhe aquele que considera um privilégio: ser batizada na igreja de S. Francisco, património mundial. A mãe, enfermeira, trabalhava na Ordem de S. Francisco, sendo amiga do capelão, também padre na referida igreja, o que motivou a escolha do local.
Nessa altura, a família morava em Bonjoia, mas, dois anos após o seu nascimento, mudou para Oliveira do Douro, onde o espaço residencial era maior, com quintal para criar animais. “Uma miniquinta”, diz. Foi uma opção do pai, que trabalhava na alfândega.

Mas as origens familiares encontram-se em Meinedo. O avô paterno foi caseiro na Quinta de Vila Pouca, onde nasceram os pais de Cristina Moreira, já que os avós maternos foram aí feitores. Por isso, quando o proprietário, o embaixador Duarte Leite, decidiu vender parte da quinta, o avô paterno não hesitou na compra. Aí criou os sete filhos. Anos mais tarde, ao pai de Cristina Moreira, coube parte da propriedade em herança, onde construiu casa. Nessa altura, Cristina Moreira teria 11 anos. Foi este o acontecimento que motivou a grande mudança na sua vida, da cidade para o campo. Uma mudança que não ficava pela paisagem e abrangia a forma de estar, pensar e a ocupação dos tempos livres.

Da cidade para o campo

Apaixonada pela vida, com grande vivacidade e sede de inovar, a jovem Cristina tinha na cidade uma vida social intensa, sempre envolvida em várias atividades simultaneamente: no grupo de teatro, nos escuteiros, no grupo coral, nas festividades joaninas… “Era uma miúda com muitas atividades, muitos amigos e, quando cheguei a Meinedo, não havia quase nada, só o futebol”, conta. Cristina Moreira entendia, por isso, que era preciso dinamizar mais a freguesia e ocorreu-lhe a organização de uma prova de atletismo envolvendo os clubes de Romariz e de Meinedo. Foi aí que acicatou as rivalidades entre os clubes, gerando-se a confusão. Quem não gostou da brincadeira foram os pais, que lhe deram uma reprimenda.
Mas o episódio não esmoreceu a energia da jovem. Conta que a dona Margarida e a dona Aninhas do rancho de Romariz gostavam muito dela. “Acharam piada à minha proatividade e convidaram-me para fazer parte do grupo”, refere. Assim, teve a oportunidade de participar nas festas de Natal, Carnaval, S. João… Cimentou-se, desta forma, uma forte relação com o rancho e também com o futebol, pois, atenuadas as rivalidades, foi possível os clubes da terra fazerem algumas atividades em conjunto.
O trabalho associativo permitiu-lhe conhecer pessoas e gerar projetos conjuntos. Foi assim com a Associação Recreativa de Pias, com a qual fez um trabalho de “intercâmbio”. “Chegamos a fazer juntos o S. João”, recorda. Estava, na altura, na liderança da associação piense o amigo Pedro Nunes. O trabalho desenvolvido naquele tempo envolvia muito esforço, mesmo físico, já que, para realizar os ensaios, andavam entre as associações, fazendo o percurso a pé. Já para transportar os cenários e outros elementos de maior envergadura recorriam à ajuda de amigos.

Para Cristina Moreira, Meinedo está desde sempre ligada ao valor da família: “Os primos estavam todos ali. Havia carinho, tinha um tratamento especial”, diz. Habituada a visitar a terra natal dos progenitores, essencialmente no Natal, na Páscoa e nas festas populares, sentiu-se bem recebida como residente. Do passado, ficaram as memórias das longas viagens entre Lousada e o Porto pela estrada nacional, que demoravam horas. “Recordo as filas para regressar à noite, na marginal, na ponte D. Luís”, diz.
Os pontos fortes de Meinedo eram a natureza, com o seu rio, e a vertente religiosa. A liberdade de ação e de vestir era, porém, mais limitada que na cidade. A questão da igualdade de género colocava-se na altura ainda com maior acuidade: “Jogar futebol, usar calças, ir para o rio tomar banho, com as meninas, era diferente. A parte de baixo de Meinedo era mais conservadora”, defende.

A prossecução dos estudos teve lugar em Penafiel e não em Lousada por inexistência de escolas de nível secundário. Completou o 12º ano na Escola Secundária de Penafiel, onde também se fez notar pela energia que despendeu em várias atividades, principalmente desportivas.

Futebolista versátil entre homens

Praticante de atletismo, desporto que lhe deu alguns “títulos”, também ganhou grande notoriedade no futebol. Frequentando uma turma de 10º ano de Saúde, maioritariamente feminina, aquando da realização de um torneio de futebol, faltava um rapaz para que a sua turma pudesse formar equipa. A solução foi fazer uma adenda ao regulamento e permitir a entrada da atleta na equipa: “Eu fui a única rapariga que jogava no torneio porque faltava um aluno na turma para formar equipa”, conta. O improviso aproximou-a ainda mais do mundo dos rapazes. Chegou a jogar com o atual presidente da Câmara de Penafiel. Além de Antonino de Sousa, recorda os colegas de escola António Augusto, vereador na Câmara Municipal de Lousada, e Bebiana Ferraz, madrinha da sua filha, entre outros. É também a alguns amigos de escola, Penafiel, hoje profissionais da saúde, que recorre quando tem necessidade.

Voltando ao futebol, nas jogadas mais agressivas, por vezes, sofria: “Puxavam-me as tranças”, recorda. Multifacetada, a jogadora dava-se bem em qualquer posição, preferindo, no entanto, o ataque. “Entrava quando alguém se magoava, quando faltava um… A posição favorita era o ataque. Gostava de marcar golos e estar na baliza”, conta, acrescentando que a posição de guarda-redes lhe trouxe dissabores, levando-a ao hospital por duas vezes, depois de ter sido alvo de remates portentosos. Numa das vezes, chegou mesmo a desmaiar.

Mas as atividades extracurriculares não se ficavam pelo desporto. “Fazia n coisas na escola. Tinha também a dança… Os miúdos mais excluídos, de Serradelas e Paço de Sousa, naquele grupo, revelavam-se nos espetáculos”, lembra. Um espetáculo ficou-lhe na memória: nele se exibia um thriller do Michael Jackson com um dançarino muito parecido com o malogrado cantor. “Vinham assistir todos os miúdos da Casa do Gaiato”, afirma.

Com tanta vida na escola, é natural que, depois da dança e do desporto, Cristina Moreira tivesse de pedir “dose dupla” na cantina e no bar.

“Aquilo que me define como pessoa foi-me dado pelas atividades paralelas dentro da escola”

A deputada realça que a escola, para si, significou muito mais do que as competências adquiridas nas disciplinas. As experiências deram-lhe capacidade de organização e responsabilidade e foram determinantes para formar a pessoa que é hoje. “Tudo o que os professores me ensinaram é importante, mas a autoestima, capacidade de liderança, trabalho em equipa, responsabilidade, aquilo que me define como pessoa foi-me dado pelas atividades paralelas dentro da escola”, salienta. Por isso, Cristina Moreira defende um modelo de escola não apenas centrado na vertente académica, “porque a escola é muito mais”, defende, acrescentando que os alunos devem ser proativos.

Terminado o 12º ano, chegara a hora de escolher o destino profissional. Optou por fazer o Magistério, para ser educadora. Concluiu a licenciatura mais tarde na Escola Superior de Educação de Fafe.

Antes de terminar o curso, havia ainda de dar um passo importante na sua vida: o casamento. E, porque na sua cabeça não concebia a ideia de dependência financeira do marido, decidiu concorrer para lecionar, assim que terminou o curso. Havendo ainda poucos jardins de infância, concorreu para a Madeira e para Timor. “Sou filha, neta e bisneta de mulheres que sempre trabalharam, nunca dependeram dos homens”, foi esta a justificação que deu à mãe, com a qual a progenitora concordou.

Os anos felizes na Madeira

A Madeira foi o destino da recém-formada. Chegada à parte norte da ilha, onde tinha ficado colocada, propuseram-lhe antes uma colocação no Funchal, num colégio religioso. A então educadora não hesitou: “Achei melhor, estavam lá colegas minhas no Funchal”, justifica.

O marido, na altura, embarcou nesta aventura. Enquanto funcionário das finanças teve a possibilidade de se deslocar com a esposa.
Além da creche e do primeiro ciclo, o colégio tinha também um orfanato. Foram dois anos na Madeira, férteis em amizades. Do colégio, recorda a Madre de Felgueiras e a responsável pela vertente pedagógica, de Amarante. “Fui super bem acolhida, foram anos fantásticos. Explorei a ilha a pé. A noite da Madeira é fantástica. A parte cultural também. Fez-me crescer”, refere.

Apesar da distância, Cristina Moreira mantinha uma ligação forte ao grupo de Romariz e vinha a Lousada muitas vezes, principalmente nas festas.
Ainda na ilha, ficou grávida e decidiu regressar a Lousada, onde abrira uma vaga para o marido a nível profissional. A filha, Marta, nasceu já no continente.

Já no final do tempo de gravidez, as vagas para lecionar encontravam-se apenas em Bragança ou Vila real, mas a candidatura tinha de ser feita presencialmente na delegação escolar da zona. Por isso, decidiu ficar por Lousada. “Fiquei na Escola Secundária de Lousada, onde fui professora de Matemática, em 1990. Havia falta de professores da disciplina”, explica. Com a filha com 15 dias, ficou com o horário que ninguém queria, com aulas à tarde e à noite, o que para si se revelou positivo: “Pude estar com a minha filha o tempo quase todo”, diz.

Foi nessa altura que conheceu a professora Capitolina, com quem fazia atividades, entre as quais um memorável rally paper.

No ensino regular diurno, teve uma turma complicada, na qual juntaram vários alunos com um percurso de insucesso, que não impediu o sucesso fora da escola: “Todos eles grandes homens e grandes mulheres”, realça. Com o professor Emídio, desenvolveu “um trabalho fantástico em prol dos miúdos”.

No ensino noturno, vêm-lhe à memória alguns nomes, como o Sr. Esteves, polícia municipal, o Sr. Ferreira da Agência, que completaram o 12º ano. Recorda que todos os alunos eram mais velhos que ela e a tratavam muito bem.

Depois de um ano na escola secundária, regressou ao trabalho com os mais pequenos, na Santa Casa da Misericórdia de Lousada, onde permaneceu 3 anos. Aí desenvolveu uma série de atividades com os pequeninos, dos 3 aos 6 anos.

Durante este período, teve os filhos na creche, podendo acompanhá-los de perto.

Entretanto, juntou-se a um grupo de educadoras do concelho, uma oportunidade de discutir os problemas da profissão e esboçar novas ideias. O serviço público e o privado apresentavam algumas diferenças e essa consciência levou-a a tomar algumas decisões. Apesar de reconhecer que desenvolvia “atividades interessantes, como as saídas às quartas-feiras feiras com os miúdos no autocarro, as idas à praia, o conhecimento do ciclo do pão, a realidade salarial era muito diferente, pois ganhávamos pouco comparativamente com o público”, explica.

Voltou, então, a concorrer para a Madeira para vincular, o que conseguiu. Agora com os filhos, mas sem o marido, impedido de a acompanhar por razões profissionais, regressou à ilha. Desta vez, ficou em casa de amigos, que tinham também filhos, e foi um “ano muito bom”.

Ao fim de um ano, regressou ao continente. Depois de passar por Boticas, concorreu para o jardim camarário de Macieira, onde integrou a direção e conheceu o padre Mário. Desta etapa, recorda com saudades o Mini-Chuva de Estrelas, um projeto educativo preparado ao longo do ano letivo, que permitiu aos menos adquirirem todas as competências do currículo.
Apesar do vínculo profissional, teve novamente de se afastar de Lousada, tudo por “culpa” da ministra da Educação da altura, Manuela Ferreira Leite, que impediu os efetivos de ocuparem vagas por destacamento, sendo as mesmas ocupadas por contratados. “Muito injusto”, considera.

A sua ação cívica de contestação às políticas do governo começou aqui com mais acutilância. Com as amigas Ana Gouveia, sua professora do extinto Magistério, Bernadete Sousa e Fátima Silva (Tucha), que conheceu durante o curso, participou numa manifestação contra aquilo que considerava uma injustiça nos concursos.

Trás-os-Montes parecia não querer sair da sua vida profissional, quando, numa quarta-feira em que regressava a Lousada para formação e estar com a família, ouviu uma conversa que captou a sua atenção. O assunto era uma vaga para educadora em Amarante. Em boa hora Cristina Moreira interrompeu a conversa, pois a vaga destinava-se a educadores com vínculo. “Na segunda-feira, estava a entrar na Cercimarante”, conta. Uma viagem curta que a levou a viver “dois dos anos mais felizes, em termos de ser feliz e fazer os outros felizes. As crianças, quando gostam, gostam mesmo”. Trabalhou com crianças com deficiência: “Gostavam muito de mim. Amei e fui amada naquela escola”, recorda, com emoção.

A logística com as atividades dos filhos e a doença da mãe aproximaram-na ainda mais de Lousada, para preencher uma vaga em Santa Margarida, na sala de apoio permanente, também para trabalhar com crianças com deficiência.

Na altura em que começavam a surgir os primeiros agrupamentos de escolas, Cristina Moreira participou na luta para terem um Lousada, primeiro na sede da escola de Cristelos, passando depois para a Boavista. Tratava-se de um agrupamento horizontal, que juntava o jardim de infância e o primeiro ciclo. Esteve quatro anos no agrupamento: “Gostei imenso, aprendi muito. Eu tinha a responsabilidade da parte social. Para além de andar pelas escolas, tinha também a parte pedagógica, dando apoio nas artes plásticas, teatro… Fizemos um evento grande no final do ano com uma mostra de cada escola”, diz. “A escola não tem muros nem portões”, remata.

A entrada na vida política

A porta de entrada na vida política foi aberta pelo professor Santalha em 2005. Pensando que iria falar com o presidente do PS sobre o pedido de transportes que fizera para o ano todo, deparou-se com um convite inesperado, para ser candidata a vereadora, que a fez pensar. “Deu-se o caso que estávamos a passar um momento de transição no agrupamento, e eu não estava a gostar muito do lugar que me estava destinado. Pensei que, se calhar, era melhor aceitar este novo desafio”, diz, acrescentando: “Sou uma pessoa de fé. Acredito que temos uma missão a cumprir e que devemos aceitar a vida que temos, mesmo que não entendamos o que muitas vezes sofremos”.

Considerando que poderia ajudar mais pessoas como autarca, iniciou funções em 2005 como vereadora. Recorda as campanhas eleitorais “fantásticas”, essencialmente pelo contacto com as pessoas. “O Dr. Mário até tratava os doentes, receitando na própria campanha”, conta. O professor Santalha e o professor Vilar também davam o seu contributo para o entusiasmo que se vivia na altura. No entanto, a campanha que mais a marcou foi a de 2013, na altura em que Jorge Magalhães, por imperativos legais, deixou de liderar a lista socialista à Câmara. “Era um grande desafio, pois tínhamos a noção de que não poderia sair, pois tinha um peso importante. Éramos apenas dois que continuavam, eu e o Pedro Machado, e tivemos de receber colegas novos”, explica. Apesar de muitas vozes dizerem que não alcançariam a vitória, Cristina Moreira acreditou sempre que iriam ganhar: “Tivemos um momento grande naquela campanha, que foi o Jantar Rosa. Não acreditava que podíamos perder. Nós tínhamos feito um bom trabalho”, assegura. Por isso, a vitória “foi uma alegria muito grande, tão grande, pois ganhamos num momento justo. Foi um momento muito bom”, considera.

Trabalho marcante na rede social

Durante os 14 anos como vereadora, com vários pelouros, foram muitos os momentos bons e é difícil destacar os melhores, mas o que a fez sempre muito feliz foi ver a felicidade dos outros. “Destaco o trabalho da rede social, que significou muito para mim. Foram muitos projetos e muitas atividades. Deixo para trás muitos momentos, com uma boa equipa técnica. A rede social foi muito importante. Reconheço que exigiu muito de mim. Ter a capacidade de todos trabalharmos articuladamente por Lousada em prol dos lousadenses é o que me define mais”, sustenta.
A deputada destaca também a agenda da empregabilidade, “que me permitiu conhecer os problemas da região do Tâmega e Sousa, envolvendo muitas entidades e muitas pessoas”. Este trabalho trouxe-lhe muitos amigos. “Sou uma acérrima defensora desta NUT, conforme ela está”, acrescenta.

A área do turismo cativou-a bastante. Neste âmbito, realça a criação da marca Vila das Camélias.

Não esquece também “um dos maiores ativos do concelho, a juventude, que valorizei e com a qual aprendi muito”. Desenvolveu muitos projetos nesta área e considera “O Vila” o mais visível. “Foi muito enriquecedora para mim esta experiência”, confessa.

Momentos menos positivos também existiram. Enquanto responsável pela Comissão de Proteção de Menores, no âmbito do projeto Flor de Lis, acompanhou de perto situações difíceis, que lhe causaram tristeza: “Muitas vezes, os técnicos diziam para eu não estar tão perto, mas eu não resistia. Eu quis estar sempre presente”. A violência doméstica, em particular, afetou-a bastante. Apesar das dificuldades e da gravidade das situações, diz que conseguiu ajudar muitas pessoas. “A política local é mais próxima das pessoas. Não é possível ajudar uma pessoa individual por decreto, tem de haver ajuda da autarquia, das entidades, o incluir no desporto, no teatro, etc. Tudo junto só pode fazer a diferença!”, sustenta.

Os movimentos seniores também a marcaram, especialmente a eleição do Mister e Miss Sénior. “Vi muita gente muito feliz”, afirma. Apesar de já ter proporcionado experiências memoráveis aos meus pequenos, como idas pela primeira vez à praia ou viagens de avião, a eleição das estrelas seniores destaca-se, porque “aquelas pessoas nunca tinham sido estrelas, nunca tinham estado em cima de um palco, e a vida deveria ser assim, deveríamos ser aplaudidos, beijados, abraçados, ter um gesto de gratidão. Este evento é o espelho de todos estes gestos”, afirma.

Paixão pela música

Apaixonada pela música, Cristina Moreira tem também uma ligação forte à Associação de Cultura Musical de Lousada, que os filhos frequentaram. “Os meus filhos cresceram naquela casa. O João tem o quinto grau e a Marta transformou-se numa belíssima professora de piano”, refere.
Fazia parte da associação de pais da ACML, quando foi desafiada a integrar a direção da ACML. Na altura, a instituição tinha apenas 24 alunos e 4 professores. A deputada conta como foi: O professor Eduardo Vilar convidou-nos e nós assumimos. Nessa altura, tínhamos uma dívida muito grande de mais de trinta e cinco mil contos. Então começamos a trabalhar e exploramos o Bar da Cultura, principalmente no fim de semana. Eu cheguei a tirar cafés e finos, lavava a louça e, no final do dia, tínhamos de limpar tudo”. O trabalho era muito, mas a experiência foi gratificante. Para além disso, organizavam festas: “Lembro-me de fazermos uma cascata enorme do S. João. Nessa iniciativa, que foi fantástica, num dia ganhamos cerca de quinhentos contos”.
Apostados em democratizar o ensino da música, despediram o professor fundador, que era contra o ensino articulado, para apostar nesta modalidade de ensino. “Não foi fácil, mas tenho orgulho, pois foi uma luta muito grande e conseguimos implementar o articulado. Foi um passo importante nesta instituição de que eu gosto muito. Começamos com projetos nas escolas e a música abriu-se para todos”.

A ida para Lisboa

Sem nunca ter alimentado a ambição de ser deputada, Cristina Moreira avaliou muito bem o novo desafio, apesar de se considerar resistente à mudança. Tratando-se de uma situação que poderia mudar a sua vida, antes de dizer “sim”, aconselhou-se com os familiares e amigos. Deputada há dois meses, considera cedo ainda para fazer um balanço. “Sinto que há muitas pessoas que me estão a apoiar e estão a esperar muito de mim”, revela. Vai, no entanto, apontando como aspetos positivos da ação governativa socialista “a luta contra a pobreza”. “Espero dar o meu contributo neste grupo, ajudando o governo”, afirma. A deputada desenvolve a sua ação em quatro comissões parlamentares, “muito próximas do meu raio de ação”.

O novo desafio na capital afastou-a fisicamente de Lousada, mas a deputada assegura que não saiu de Lousada, “onde fiz toda a minha vida e lá continuarei. Estou a ter vivências novas em Lisboa, mas tenho todo o direito de voltar a casa, ser bem recebida e ninguém deve ser leviano na avaliação que faz da minha vinda a casa, pois não é a vereadora que quer voltar, é a lousadense Cristina. As pessoas têm de perceber que eu não vou sair de Lousada, tenho família em Lousada, tenho história em Lousada. Lousada sempre foi o meu lar”, realça.

Para além da paixão por Lousada, alimenta um fascínio pelo mar. Por isso, ao longo do ano, sempre que pode, não deixa de o contemplar. Os tempos livres são também preenchidos em convívio com a família e amigos: “Viajar, ouvir música e estar com a família e amigos, de preferência a partilhar uns petiscos, é sem dúvida uma forma fantástica de passar o meu pouco tempo livre… Sou uma pessoa simples e que vive feliz, fazendo os outros felizes, dando o seu humilde testemunho para que o mundo seja um bocadinho melhor”, diz.

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