José Nunes: Uma vida de empreendedorismo social

Viveu uma infância de pobreza, mas a força de vontade tornou-o um empreendedor, sobretudo na área social. A ele se deve o dinamismo de várias associações, entre elas a Associação de Solidariedade Social de Nespereira, um projeto de grande importância para a freguesia. Falamos de José Nunes, que esteve à conversa com O Louzadense da sua vida.

Nascido em Nespereira, Lousada, no lugar da Boavista, a 26 de dezembro 1946, José Nunes viveu uma infância de privações. Filho de mãe doméstica e pai trabalhador da construção civil, tinha seis irmãos. Os recursos eram poucos e tinham de chegar para alimentar a casa. Excetuando o aniversário e o Natal, as alegrias eram poucas. Guarda na memória algumas pequenas alegrias, hoje insignificantes para a maior parte das crianças: “O que tinha de diferente no aniversário era um pão com marmelada. Não havia presentes. Eram muitas as dificuldades”, relata. No inverno, a situação era ainda pior, uma vez que escasseava o trabalho na construção civil.

Chegava ao fim da quinzena e não havia dinheiro para pagar ao merceeiro”, conta.

Forçado a abandonar os estudos

Esta era a realidade da maior parte das pessoas que viviam numa aldeia pequena, que tinha cerca de 120 fogos. “Tinha meia dúzia de operários da construção civil e o resto eram todos lavradores. As pessoas viviam um pouco mal”, recorda.

Apesar da miséria e de não ter grandes razões para festejar, não se queixa da infância. Recorda com satisfação as boas recordações da escola: “Era um dos melhores alunos. O que me tocou foi que, aos dez anos, fiz a quarta classe na residência de Nespereira, pois não havia escola, e tive de ir trabalhar para a construção civil”, lamenta.

Pelo caminho ficou a possibilidade de ingressar no seminário. A pedido de uma vizinha, o pai ainda chegou a informar-se sobre as condições de acesso em Singeverga, mas, assim que percebeu que não tinha meios financeiros para adquirir o enxoval, desistiu. “Fui para a construção civil, pois não tinha possibilidades de ter um enxoval para levar”, lastima.

Com apenas 10 anos, a vida nas obras não era fácil. Ainda assim, trabalhou na construção até à idade do serviço militar. Uma vida dura, que começou como “rapaz da massa”, até aos catorze anos, passando depois a aprendiz. “Tinha de carregar sacos de cimento com cinquenta quilos, com muitas dificuldades. Destaco o esforço ao subir as escadas, que me colocavam em dificuldade”, descreve.

Mais de dois anos na guerra em Angola

Sete meses do serviço militar obrigatório foram cumpridos na metrópole, onde concluiu a especialidade de condutor. Findo esse período, conheceu o destino de grande parte dos jovens daquela idade na época: o Ultramar. Esteve 27 meses em Angola, “sempre no mato”. No dia 27 de abril, fez 50 anos que partiu para a ex-colónia. Um período que descreve como “terrível”. “Estivemos sempre isolados e fazíamos deslocações para bater a zona. De três em três dias, íamos para o quartel, que era umas cubatas feitas em adobes de terra e coberto de chapas de zinco. Nunca tivemos a sorte de estar numa cidade ou vila, nem sequer numa aldeia. Foi difícil”, recorda.

Como sempre teve jeito para a escrita e para as contas, a partir do quarto mês, José Nunes começou a desempenhar as funções de vagomestre, “o responsável pela coordenação e abastecimento de géneros alimentícios na companhia”, explica. Orgulha-se de ter dado “conta do recado”. Assim, a missão em Angola foi concluída no quartel até ao regresso a Portugal.
Numa altura em que prestar serviço militar em Angola era sinónimo de morte e mutilação, os pais ficaram naturalmente tristes e apreensivos. Portanto, o seu regresso, são e salvo, representou uma enorme alegria para a família e para o jovem militar, que temia ele também a perda dos progenitores: “O meu pai já tinha 66 anos, a minha mãe era muito doente e, quando partíamos, tínhamos a ideia de que poderíamos não nos ver mais”, explica.

Conjunto típico Estrelas D’Aldeia

José Nunes tem ainda presente na memória as emoções do momento em que reviu a mãe e a irmã, após tantos meses no Ultramar. Assim que chegou a Campanhã, deixou os colegas na estação e regressou de táxi a Lousada, onde viveu a alegria do reencontro, que o marcou indelevelmente: “Não tem explicação… É inexplicável a alegria de ver a minha mãe e a minha irmã”, relembra, com os olhos em água. O pai, na altura, estava no Porto.
A ida para Angola acabou por condicionar também a sua vida amorosa, uma vez que terminou o namoro, não mantendo a correspondência pelo único meio que tinha à disposição, a escrita.

Apesar das marcas negativas do Ultramar, este lousadense admite ter ganhado experiência, que o levou a procurar na metrópole uma ocupação melhor. “Felizmente, consegui, graças ao meu pai. Era o tempo das “cunhas”. Vim em abril e tive a oportunidade de trabalhar na Segurança Social no Porto, porque tive a sorte de ter um vizinho, que era filho do Senhor António Basílio Carneiro Leão, que era o vice-presidente na Segurança Social. Entrei com auxiliar de arquivo”, relata.

Interrompeu estudos devido a cegueira de um olho

Com vontade de incrementar a sua formação académica, decidiu estudar de noite, fazendo o primeiro e segundo anos do ciclo e ainda a “secção de ciências e matemáticas”. “Tive de interromper porque, entretanto, ceguei por completo do olho direito e o médico não me aconselhou a continuar, pois já via mal do outro olho também”, refere. Tudo isto consequências do Ultramar, segundo nos conta: “Fui com uma carta para ser tratado, mas o médico do quartel leu-a e rasgou-a. Acabei por cegar do olho direito aos 23 anos, mas, felizmente, do outro, mesmo com dificuldades, até hoje, vou fazendo a minha vida autonomamente e com muita atividade”, diz.

O tempo foi passando e José Nunes começou a exercer as funções de escriturário. Concorreu a diversos postos médicos da região e, com abertura do posto médico de Meinedo, no salão paroquial, passou a exercer aí a sua atividade profissional como escriturário. “Fiquei mais próximo e a ganhar mais, pois quem trabalhasse nos postos médicos tinha um prémio especial. Naquela altura, era diferente. Nós ganhávamos mais até que um professor, mas alguns anos depois as coisas alteraram-se”, explica. Para a melhoria do nível de vida, “contribuiu a Revolução”. “Dou graças à revolução, pois viveu-se muito melhor a partir daí”, sustenta.

A sua vida profissional continuou pelo centro de saúde, mas em Lousada. “Ao fim de quatro anos vim para Lousada para o posto médico antigo, que era onde são agora as galerias W52, na rua de Santo António. Depois vim para o centro de saúde”, conta. Aí permaneceu até 1995, altura em que se reformou.

Com três filhos, dois rapazes e uma rapariga, e seis netos, que são a alegria dos avós, José Nunes continuou a ser um homem ativo.

Casamento contra a vontade dos sogros

Recuemos um pouco no tempo, à década de 70, para encontrar as raízes de um amor que havia de dar origem a uma grande família. Delfina Ferreira, a esposa, operária da Fabinter, morava na altura, a duzentos metros da casa de José Nunes. Depois de tantos namoros, havia de descobrir mesmo ali à porta o amor da sua vida. Tudo começou num encontro de amigos. Adepto dos convívios das cascatas de S. João, mobilizava toda a gente do lugar para o convívio de domingo. “Foi assim que surgiu o namoro inesperado, pois ela é mais nova que eu nove anos”, conta. As amigas, no início, foram um obstáculo à relação, pois diziam-lhe que ela era muito nova. “Mas em novembro, dia de Todos os Santos, num inverno, fomos fazer um lanche para a Quinta da Tapada. Pegamos num rádio e foi naquele dia que as coisas começaram”, lembra.
O casamento realizou-se no dia 13 de maio 1973, mas não foi um enlace pacífico. Sendo a então namorada menor, o padre quis falar com o pai da jovem, que se recusava a autorizar o casamento. “Mas eu disse que seria de outra maneira, iria tirá-la da casa”, conta o noivo. A ameaça resultou. Ainda assim, os sogros não foram ao casamento, não fizeram a boda, nem ofereceram o enxoval à filha.
“Trabalhadeira, limpa e poupada”: assim descreve a esposa, que deixou de trabalhar na fábrica assim que teve o segundo filho. A vida corria de feição para o casal, que teve a oportunidade de, paralelamente à sua profissão, ser mediador de seguros e ganhar algum dinheiro extra. “Eu cheguei a fazer muitos seguros. Ganhei muito dinheiro, às vezes mais que no emprego”, refere. Além disso, diz que contou sempre com a generosidade das pessoas que lhe ofereciam pão de ló, vinho e outros agrados pela simpatia e solicitude do atendimento no centro de saúde.

Aos dez anos, já tocava violão

A música é desde cedo uma paixão na vida deste nespereirense. Com apenas dez anos, começou a tocar violão no único rancho que havia na altura, o Rancho de Nevogilde. Aos treze anos, os seus irmãos e uns primos fundaram o Rancho de Nespereira. Assim, José Nunes começou a tocar no rancho da sua terra, até aos 15 anos, altura em que meteu na minha cabeça que havia de formar um conjunto musical. “Juntamente com alguns músicos mais experientes, que poderiam ser meus pais, formei, com dois meus irmãos, um conjunto típico, os Estrelas da Aldeia, em Nespereira. José tocava violão, num conjunto de seis elementos. O repertório era constituído por música popular. Aí viveu momentos muito agradáveis, mas o grupo acabou por se extinguir. “Estávamos a negociar o segundo disco, mas, quando vim de Angola, ele já não existia. Custou tanto a criar! Fiquei com pena, pois foi na infância um marco para mim. As pessoas gostavam muito do grupo, éramos acarinhados”, lembra, com nostalgia. Acrescenta que, apesar de no início nem dinheiro terem para as fardas, chegaram a ganhar algum. Curioso é o facto de o futuro sogro tocar acordeão no grupo, numa altura em que aquela que havia de ser a sua esposa tinha apenas sete anos!
O primeiro disco foi gravado no Monte da Virgem, na Rádio Televisão Portuguesa: “Fui o solista daquele disco e não o Neca Mendes, que na altura é que seria o solista. Por escolha técnica, acabei por ser eu e não o cantor do conjunto”, conta.

Quando embarcou para Angola, deixou o violão para o seu substituto. No entanto, ainda em na ex-colónia, tomou conhecimento da devolução do instrumento musical e de seiscentos escudos que o grupo lhe devia.
Regressado do Ultramar, tocou no grupo Estrelas Jofir de São Pedro da Raimonda, em Paços de Ferreira, durante cerca de três anos, mas o casamento levou-o a abandonar o conjunto.

Vida associativa começa com o futebol

Deixando a música para segundo plano, começou a dedicar-se à vida associativa. Foi um dos fundadores da União Desportiva de Lagoas, a 6 de agosto de 1978, sendo o sócio número 4. José Nunes conta como foi: “Em 1940, havia um campo de futebol que, entretanto, deixou de existir. Nós chegamos a jogar em Lagoas na estrada! Um dia, eu lancei a farpa para tentar criar um campo de futebol em Lagoas e juntei quatro pessoas para conseguir arranjar o terreno para conseguir fazer o campo de futebol: Joaquim Chamusca, Joaquim Chamusca e Fernando Bessa Pinto, estes dois últimos já falecidos. Contactamos os proprietários para arranjar o terreno e escolhemos o mesmo local onde já tinha existido o campo, que não é o que existe. Tivemos de criar a Associação e fui eu o secretário. Arranjei os estatutos e tive de tratar de tudo. Só fazíamos torneios populares. Eu morava encostado a Lagoas e os meus tempos livres de café eram em Lagoas, pois em Nespereira não existia café”.

Apesar de gostar muito de futebol, afastou-se desse mundo por entender que “havia pessoas que, pelo clubismo, perdiam o respeito pelos valores”. Em 1980, deixou o UD de Lagoas e virou-se para a sua terra.

Renascer do Rancho Flores da Primavera

Na altura, o Rancho Flores da Primavera já não existia e as instalações, no rés do chão da residência paroquial, estavam encerradas. Mais uma vez, José Nunes desafiou um grupo de amigos para formarem a direção e reabrirem as portas. Aceite o desafio, reabilitou-se a associação. Ainda em 1980 reiniciou-se a sua atividade. “Era o centro popular de trabalhadores. Começamos a trabalhar no bar e a admitir sócios de novo”, recorda. Em 1986, reativou-se o rancho: “Andamos pelas portas à procura de elementos. Daqueles que já tinham estado no rancho, cinquenta por cento regressou”. O rancho reiniciou com força, sendo José tocador e um dos cantadores.
Foi também na década de 80 que integrou a Comissão das Festas em honra da Sra. das Candeias e S. Brás, à qual se ficou a dever a construção do WC junto à igreja. José Nunes sempre esteve ligado às atividades religiosas, tendo sido membro do Grupo Coral de Nespereira durante vários anos.
No início da década de 90, assumiu mais um desafio: presidir à associação e tratar do processo para federar o rancho. O nosso entrevistado explica que, em 1992, “o grupo estava a ser um pouco marginalizado, porque alegavam que não estava federado”. O processo foi trabalhoso, mas deu bons frutos, tornando-se um rancho federado logo após a sua saída do cargo principal da direção, já com António Quintela na presidência. José Nunes permaneceu no rancho até 2000, que continua a ser para si uma referência importante: “O rancho é um marco importante pois há fortes tradições familiares. Estiveram lá os meus avós, os meus tios, os meus familiares… Foi uma casa que teve sempre lá os meus familiares”, explica.

A vida autárquica também faz parte do seu currículo, tendo exercido as funções como deputado municipal no final da década de 70 e início dos anos 80. Depois de ter sido secretário da Assembleia de Freguesia de Nespereira, de 76 a 82, foi também tesoureiro da Junta, de 1986 a 1993. “Foi nessa década que eu, com o presidente da junta, o Manuel Mota Morais, fui à procura de terrenos para conseguir uma sede para a junta, para um centro de dia e um jardim de infância, que na altura não existia, e para a sede do Rancho, a qual fui eu também que iniciei”, relata.

A cadeira da presidência do Núcleo da Cruz Vermelha de Lousada foi também ocupada por José Nunes, que contribuiu para o seu crescimento: “Eu tomei conta dele com as portas fechadas, com 180 sócios, e entreguei-o com 1700 sócios, saldo positivo e património, com quarenta cadeiras de rodas, sete camas articuladas”. Lamenta que a sua saúde não o tenha deixado continuar.

Na AMI também desempenhou um papel importante, tendo sido vogal da Comissão Fundadora do núcleo da associação em Lousada, em 2004 e 2005.

“Nascimento” da menina dos seus olhos

Em 1989, nasceu a Associação de Solidariedade Social de Nespereira, da qual José Nunes foi um dos sócios fundadores, estando ligado a esta associação desde a primeira pedra: “A maior parte das vezes, eu lançava as ideias, independentemente do lugar”. Mais tarde, acabou por ser presidente, após cinco anos de estagnação da associação, que estava sem direção: “Tomei a incitava com o meu primo Luís Chamusca. Contactamos as pessoas que tinham pertencido à fundação para fazermos uma reunião e decidir o que fazer das instalações, que, entretanto, se tinham iniciado: Nessa reunião, veio parar-me a menina aos braços”, conta. Estávamos em março de 1997.

Depois de seis anos na presidência da Associação, José Nunes continuou a fazer parte da direção. Orgulha-se de ter finalizado o edifício e posto a Associação a funcionar. “Começou inicialmente com a creche em 99, em abril de 2000, o centro de dia, em junho, o apoio domiciliário”. Confessa que teve sorte com os técnicos da Segurança Social, que lhe permitiram avançar com um grande projeto social na freguesia. “A associação é a menina dos meus olhos, é a coisa mais bela da minha vida estar ligado a esta obra a solidariedade. A seguir à família, é a Associação. A família tem sofrido muito com a minha dedicação àquela casa”, admite.

José Nunes sente-se, por isso, muito feliz com o projeto para as novas instalações, resultantes da reconstrução da escola da Boavista, e com o reforço de verbas para a execução de obras e equipamento. “A Associação está no bom caminho”, acredita. De realçar que atualmente é vogal e secretário da direção desta associação.

O sucesso da sua terra é a sua alegria, seja em que área for: “Fico muito feliz quando vejo Nespereira com sucesso, mesmo no clube do futebol, pois dei o meu contributo quando foi para fazer o campo. Fico feliz pelo sucesso do Nespereira”.

Durante uma década, de 1986 a 1996, admite que não viveu para a família, mas viveu “os maiores desafios, que, felizmente, foram todos concretizados”, diz, com satisfação.

▲José Nunes na inauguração da creche e do centro de dia da A. S. S. de Nespereira

Lousada é a “terra dos encantos” para José Nunes. “Gosto de ver Lousada a progredir como tem progredido. Muito tem sido feito. Acredito que Lousada vai continuar com sucesso”. Nespereira continua a ser uma “freguesia bonita, bem composta, com bons acessos, que está muito bem gerida pelo atual executivo, que tem feito um trabalho maravilhoso”, sustenta.

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