por | 13 Nov, 2020 | Opinião

Os jogos tradicionais populares (II)
A cultura popular e as tradições – Por Altino Magalhães
JOGO DA MACACA

Consiste em desenhar-se no chão, “a macaca” (um caminho de casas numeradas). Um quadrado por cima de outro. Por cima deles um retângulo dividido ao meio. A seguir, por cima, novo quadrado e, por fim, outro retângulo (terras em que acaba com outro quadrado).

Depois cada jogador deverá atirar uma patela, casa a casa (normalmente a patela era feita do fundo de uma malga – tigela – ou era uma pedra arredondada pequena). Tem de saltitar ao pé-coxinho de casa em casa até apanhar a sua patela. O objetivo é conseguir acertar em todas as casas, a patela não poderá cair fora das linhas e a pessoa não poderá cair ao apanhar a sua pedra.

Os jogadores combinam a vez de entrar no jogo, dizendo: – “primas”; “sigas”; “trigas”; “migas”; “ligas” e começa esse elemento o jogo!… O primeiro atira a patela para a primeira casa e apanha-a. Depois para a segunda, e a pé coxinho, apanha-a sem pôr o outro pé ou as mãos no chão.

O jogo segue assim até ter atirado para todas as casas. O último retângulo duplo serve para se virar com os dois pés, dando um salto e pondo-se virado para a frente, continuando a pé-coxinho até fora da macaca.

Se o jogador conseguir fazer tudo sem cair ou calcar o risco, faz uma cruz (X) na primeira casa e diz: -fiz uma “rolha”!… Se não, sai e dá lugar ao segundo. O próximo não pode por o pé em qualquer “rolha”.

Quantas mais rolhas for havendo, mais difícil se torna jogar. Ganha quem fizer mais “rolhas”.

CORRIDA DOS SACOS

Aos pulinhos dentro de um saco de sarapilheira, faz-se uma corrida fora do comum. O segredo está em segurar bem o saco, que deverá ser grande, e saltar com ambos os pés.

Marca-se uma linha de saída e uma meta. Cada corredor mete-se dentro do saco até à cintura e dá-se o sinal de partida. Não se pode colocar qualquer pé de fora do saco. O mais rápido possível, com as mãos a segurar o saco e com os pés juntos, ou de qualquer outro jeito, caindo e correndo levantando-se e continuando, lá tentam cruzar a linha de chegada.

Ganha o primeiro a chegar à meta!…

JOGO DA PAULADA AO CÂNTARO OU À BILHA

Este jogo normalmente é executado a pé ( em cima de um burro terá de ser executado por um jogador de cada vez durante determinado tempo) por 5 ou 6 participantes de cada vez e com um varapau na mão.

Suspensos por uma corda, colocam-se 3 cântaros de barro ou bilhas de barro. Num deles mete-se um prémio que por vezes chegava a ser uma galinha, um galo ou um salpicão e nos outros dois mete-se farinha, água, farelo ou terra fina.

Vendam-se os olhos a cada jogador e a cada um, sobre si mesmo, dá-se 5 ou 6 voltas ao redor, para a pessoa perder a noção do sítio onde, com um varapau na mão, irá dar pauladas a ver se consegue partir uma vasilha pendurada.

O pau será igual para todos e os jogadores jogam todos ao mesmo tempo até ser declarado vencedor o que conseguir partir o cântaro com o prémio ou o engano em primeiro lugar.

Por perto deverá estar uma ou duas pessoas atentas a que os jogadores não acertem na cabeça dos adversários avisando-os, mas por vezes lá havia ou intencional ou inadvertidamente quem apanhasse com o pau na cabeça. Já se está a ver a confusão que dava e que às vezes terminava com o “jogo do pau”!….

1 Comment

  1. Fernando

    Nós dizíamos primas, sigas, trigas quadrigas. Não sei mais do que isso, pois nunca éramos mais de 5.

    Reply

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