A Covid define o rumo da Economia ou Esta define o rumo da Covid?

Artigo de Assunção Neto

Questão ausente de resposta, mas suscetível de várias respostas, com ou sem fim de linha de atuação. O espanto será a presença de medidas eficazes e céleres para pôr fim a um vírus pouco conhecido, mas que marca na ausência de visão, no rumo futuro da economia quer micro, quer macro e no rumo do futuro da saúde pública.

Estamos perante uma bolha sem fundo e teto, ausente de entradas e saídas consistentes, talvez umas “picadas” de respiro, para sobrevivência apenas. Uma bolha bola que, roda, rola permanentemente em função do vírus e para o vírus. No que alude à vertente económica, esta fica aquém de medidas eficazes que, aglomeram pontos de vista vários e de equilíbrio na vida pessoal, profissional e até social (ainda que fora de foco e encaixe) perante um vírus que teima a sua presença, quando políticas de atuação são escassas ou estão a ser ponderadas para avanço de decisões e carecendo de viabilização.

Distante da realidade a longo prazo, mas da realidade presente, dizemos em voz que, será melhor aquele que atua em função de uma gestão económica, gestão local ou em função de uma gestão de saúde? Porém, a saúde é rasgo do comportamento económico-financeiro das organizações de saúde, das políticas de saúde e das políticas económicas.

Agora que, as vacinas já são uma miragem, a proliferação do vírus poderá cair a partir do final do inverno, contudo, o que acontecerá à economia no próximo ano e mais a longo prazo. Portugal, como tantos outros países, tem pela frente longos anos de recuperação. É presumível que, a recuperação económica em 2021 seja favorável. Há um acumular de poupança por parte das famílias em termos agregados e pelas empresas menos atingidas pela crise. Por outro lado, os estímulos fiscais e económicos em vigor irão influenciar a economia por algum tempo. Normalmente, a seguir às crises sucedem-se alguns anos de crescimento lento devido à destruição económica que ocorre, na procura e na oferta (talvez tenham sido minimizadas), podendo ser diferente desta vez, devido aos estímulos. No entanto, a crise de alguns setores é uma oportunidade para outras áreas económicas crescerem ou nascerem. Porém, há o “empurrar para a frente” de problemas e soluções.

Perante a dimensão dos desafios que encontramos neste presente obscuro que atravessamos, é primário decisões em defesa da saúde pública, em defesa das pessoas, dos efeitos da pandemia e da crise que chega inexoravelmente, sendo que, está presente, o errar, por vezes respostas tardias e desadequadas. Neste aglomerar de emoções turbulentas, as decisões devem continuar a ser racionais.

Aqui e agora, nesta constante luta, temos de proteger os nossos, de garantir uma vida digna, acompanhando a evolução da situação sem descorar o detalhe, o necessário urgente, corrigindo, se fundamental, o caminho. As medidas tomadas têm esbarro imediato no agora e no amanhã, na saúde dos cidadãos e em termos económicos também se afigura. Cada problema, cada risco, cada causa, cada resposta é um desafio em constante para todos, em todos. Assim, é crucial que o somatório de respostas e resolução de problemas sejam mais amplos, articulando respostas localmente, se possível, como um todo – nacional. Um encontro de colaboração, de sinergias, de recursos, criando valor para todos.

As soluções podem ser simples, o que importa é uma resposta na resolução de problemas pontuais, implicando impacto real. É com essa estrutura do pensar, do atuar, que devemos continuar, dia após dia. Uma realidade que está a amputar Vida, Vida de viver e vidas perdidas …

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