por | 1 Abr, 2021 | Cultura

«Não, não, tropa não», dos Flash é um dos hinos do rock lousadense
A par de “Aceleras”, dos Alcatrão, ou de “Susana”, dos “Baco”, o tema “Não, Não Topa, Não”, dos Flash, é um dos muitos temas marcantes da história do Rock em Lousada. Foi composto pelo saudoso músico Rui Mário Sousa, por muitos considerado o maior “one man show” da cena musical lousadense.

Uma das bandas de referência da música rock lousadense chamou-se Flash e era liderada pelo malogrado Rui Mário Sousa, um dos mais carismáticos músicos lousadenses da história do Rock local. O nome FLASH surgiu porque a banda nasceu num flash, pois foi tudo muito rápido.

Nasceu no final dos anos 70 e era formada por três primos: José Mário (Viola-Baixo), Rui Mário (Voz e Guitarra-Ritmo) e Zé Fernando (bateria) aos quais se juntou um virtuoso guitarrista de solos, de Cete (Paredes), de seu nome Fernando Oliveira. Outros músicos tiveram passagens breves pelos Flash nomeadamente Carlos Sousa (na foto).

José Mário diz que “os ensaios dos Flash decorriam na garagem do meu irmão Cândido, que depois passou para um armazém da família do Zé Fernando e andamos nisto: garagem-armazém, armazém-garagem, etc.”.

Os Flash existiram como banda até 1991. (…) Nesses dez anos de vida adquiriram uma projeção assinalável. Deram muitos concertos por terras do norte e centro do país, mas a zona de maior influência era o Vale do Sousa e Baixo Tâmega, nomeadamente Paços de Ferreira, Felgueiras Amarante, Marco de Canaveses, Penafiel   Paredes e claro Lousada. No entender de José Mário, “o espetáculo que demos num local com mais prestígio talvez tenha sido uma passagem de ano no cine teatro Aveirense, em Aveiro”.

O baixista (provavelmente o músico lousadense mais antigo em atividade) salientou que “os Flash tinham dois temas  de eleição: Robert Palmer – Bad Case of Love You (Doutor, Doutor)  , a abrir os concertos, e para o final vinha quase sempre (I Can’t Get No) Satisfaction, dos Rolling Stones. Mas tínhamos alguns originais onde se destacava Não, Não, Tropa, Não”. (…)

“Na banda anterior (que se chamou Foco) o Toni Leitão, que era quem tinha a maior parte dos instrumentos, saiu para o conjunto Baco, e logo ficamos um pouco a pé ou de mãos a abanar, sem saber como iria ser daí para diante, mas ao conversarmos com os nossos familiares chegamos à conclusão que não era para parar por aí e depressa surgiu a banda Flash”, recorda Zé Mário Sousa.

Primeiro festival rock de Lousada

“Em 1980, o meu irmão Cândido ficou como manager da banda e tratou dos contratos, dos investimentos em instrumentos e na organização de eventos, para angariarmos fundos para o pagamento da aparelhagem”, explica o músico. “Organizamos o 1º festival rock de Lousada, no campo de futebol do Lousada, no sítio onde hoje estão as piscinas municipais”, recorda, salientando de seguida que “conseguimos ter no festival cerca de 1500 pessoas espetadores com bilhete”. (…)

(…) Os pontos altos dos Flash “não estão forçosamente ligados aos melhores espetáculos, mas sim a momentos que mais nos marcaram pelas experiencias neles vividas, e cada um de nós terá sem duvida nenhuma, momentos diferentes, mas para mim destacava um pela simplicidade e pelo carinho que sentíamos sempre que lá tocamos: era uma festa em Lamoso (Paços de Ferreira), no princípio do ano e organizada pelos rapazes que nesse ano iam cumprir o serviço militar obrigatório. Já lá tínhamos tocado lá outros anos, mas em 1984 a coisa estava muito difícil, chovia mais que muito. Nós em sintonia com o sacrifício da organização, que não tinha outra hipótese de fazer a festa noutro dia (pois a maioria dos elementos iam de seguida para a tropa), montamos o espetáculo num coreto com a chuva sempre presente e lá fizemos o show e foi lindo, não vimos muito as pessoas, mas os guarda-chuvas eram um espetáculo e as vozes que nos acompanharam do princípio ao fim também”, recorda.

A finalizar, Zé Mário acrescenta: “saímos de lá todos molhadinhos, mas com o coração cheio, que foi completado com o enchimento da barriga, pois não nos deixava sair daquela terra sem antes termos um repasto preparado por aquela gente simples, mas amiga; e toda a gente comeu, e quando digo toda a gente foi mesmo toda a gente presente naquela festa, e não eram poucos podem crer” (…).

in Louzarock – História do Rock em Lousada (que se encontra no prelo)

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