O Aparecida Futebol Clube nasceu a um de maio de 1931 e é um dos clubes mais antigos no concelho. Vestidos de verde e branco, há 90 anos que os adeptos da “Vila Mítica” vivem e sonham com as conquistas do clube da terra. Ainda que sem o carinho do público, o clube assinalou, no passado sábado, o seu 90º aniversário.
É no Estádio Aparecida Futebol Clube que tudo acontece: jogos e treinos, derrotas e vitórias, alegrias e tristezas, desde 1931. Sendo um dos clubes mais antigos do concelho, o Aparecida já participou em competições da Associação de Futebol do Porto (AFP), que interrompeu por um período de quatro anos, entre 2009 e 2013, tendo competido na Associação de Futebol Amador de Lousada (AFAL).
Depois dessa paragem, retomou os “grandes palcos” e, atualmente, milita na Divisão de Elite da AF Porto. Com todos os escalões, 180 atletas e 500 sócios, o Aparecida sonha agora em formar uma nova equipa, de sub-23. “A nossa dificuldade em ter muitos atletas é só termos um campo, vamos começar com a construção dos novos balneários, mas vamos trabalhar para ter outro campo”, refere Cristóvão Cunha, presidente do clube.

Neste dia especial, o presidente aproveitou para agradecer “a todas as direções que passaram aqui. Esta é a primeira vez que festejamos o aniversário do clube, também por ser uma data diferente e uma data histórica. Para mim é um prazer estar à frente deste clube que ainda tem muito para crescer”.
No passado sábado, numa cerimónia para assinalar o 90º aniversário, estiveram presentes Cristóvão Cunha, António Faria, presidente da Mesa Assembleia Geral do clube, Adelino Gomes, vice-presidente da AFP, Pedro Machado, presidente da Câmara Municipal de Lousada, Elisa Pinto, presidente da Junta de Freguesia do Torno, António Augusto Silva, vereador do desporto e Nélson Oliveira, vereador da juventude, que procederam ao hastear das bandeiras.

Seguiu-se a romagem ao cemitério local, onde foram homenageados todos os associados, atletas e presidentes já falecidos e que foram ali sepultados. Depois de uma breve visita ao Museu do Clube, os representantes das entidades proferiram algumas palavras.

Uma vez que o clube “vive é do apoio dos adeptos”, como afirma Cristóvão Cunha, o aniversário, apesar de ser um momento histórico, teve um sabor diferente pela falta de apoio do público.
Carlos Dias, um sócio e adepto de longa data, ocupa o cargo de conselho fiscal há oito anos e afirma que, no que depender de si, “o clube andará sempre para frente e vai ser conquistas atrás de conquistas”.
“90 anos não são 90 dias e é um clube que eu tenho orgulho em fazer parte.” – Carlos Dias
“Quero deixar uma palavra de agradecimento aos ‘Ultra 1931’, que sem eles o Aparecida possivelmente não teria grandes conquistas, eles são sempre o 13.º jogador, quer seja em casa, quer seja fora. 90 anos não são 90 dias e é um clube que eu tenho orgulho em fazer parte. Um agradecimento também aos sócios, simpatizantes e patrocinadores que nos ajudam todos os dias para um Aparecida melhor”, reflete.

Também Vasco Duarte, ex-presidente do clube, na época de 2001, manifesta que este “é um clube carregado de história. A maior homenagem que se pode prestar aos que fundaram o clube, é olharmos para as instalações e vermos isto. A atual direção é um exemplo de que o Aparecida está com uma vitalidade extraordinária”.

Clube é exemplo de superação
Sendo um dos clubes mais antigos do concelho, é importante que se mantenha a sua atividade viva. Para António Augusto Silva, vereador do desporto, “estes clubes ultrapassam, claramente, o aspeto desportivo. São extremamente importantes para a prática de atividade física, mas ultrapassam muito esse aspeto, porque são também muito importantes na coesão social, no sentido de pertença a uma comunidade”.
“A prática desportiva é, obviamente, fundamental, mas este sentido de pertença que as pessoas têm pelo seu clube é também muito importante.” – António Augusto Silva
“A prática desportiva é, obviamente, fundamental, se não fosse o Aparecida tínhamos aqui muitos jovens que não tinham oportunidade de praticar desporto, e isso temos de enaltecer, mas este sentido de pertença que as pessoas têm pelo seu clube é também muito importante”, confirma.

Sobre as dificuldades das associações, principalmente nesta época atípica, o vereador do desporto garante que “o Município vai apoiando dentro daquilo que é a sua capacidade, mas cada vez mais, para quem trabalha a nível associativo, vê-se com dificuldades de arranjar outros apoios para além dos institucionais”.
“Estamos a viver num período em que muitas empresas também viram os seus resultados muito condicionados e é muito difícil para quem trabalha num clube, que tem cada vez mais responsabilidades, quem pratica é cada vez mais exigente com as instalações, cada vez mais a Associação, neste caso de futebol, são exigentes com a qualidade das instalações, oferta desportiva e com a qualidade dessa oferta. E, para quem tem de gerir isto tudo com poucos recursos, tem uma tarefa muito difícil. É preciso agradecer a todas as pessoas que se vão disponibilizando para serem dirigentes”, salienta.

Para a Associação de Futebol do Porto, que também fez questão de estar presente, “é muito importante ter clubes com esta dimensão na Associação e, sobretudo, é o que marca. 90 anos é uma idade muito meritória. Hoje, as associações desportivas, são quem faz o trabalho de formação de atletas melhor do que ninguém. Daí serem tão importantes e é um orgulho estarmos cá hoje, aliás, é uma obrigação”, confessa Adelino Gomes, vice-presidente da AFP.













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