por | 8 Jun, 2021 | Louzadense com Alma

Louzadenses com alma: António José Malheiro Guedes de Souza Magalhães

Por José Carlos Carvalheiras

Falecido no dia 17 de janeiro deste ano, o Louzadense com Alma de hoje era uma pessoa afetuosa, prestável, solidária, íntegra, atenciosa, conselheira. É vasta a lista de epítetos e características cívicas e éticas que se atribuem a António José de Sousa Guedes Magalhães, um cidadão devotado às coisas e símbolos de Lousada como grande Louzadense que era.  

Toninho Magalhães, como era afavelmente tratado pela população da Vila, nasceu em 19 de novembro de 1932, filho de António José Teixeira Rebelo de Sousa Magalhães, natural de Caramos (Felgueiras), ilustre jurista e notário, Administrador do Concelho, primeiro Presidente e um dos fundadores dos Bombeiros de Lousada e Presidente da Câmara de Ferreira do Alentejo, casado com D. Palmira Malheiro Guedes de Carvalho e Sousa Vasconcelos, da Casa de Coura, Bitarães (Paredes). Além de António José, tiveram mais seis filhos: Sofia, Manuel José, Carolina, Afonso, Arnaldo e Rui José.

Casou a Prof.ª D. Maria Orísia Baltar em 25 de setembro de 1960. Profissionalmente notabilizou-se como funcionário administrativo da Estofex e da Câmara Municipal de Lousada, de onde se aposentou. Pai de Telmo Manuel Baltar Malheiro de Magalhães e António Eduardo Baltar Malheiro de Magalhães, casado com Maria Teresa Vaz da Cunha Dias Simão Malheiro de Magalhães.

Na vida ativa pugnou pelo associativismo e pelo desporto com participação ativa. É sobre o desporto que me proponho trazer à colação, com a colaboração do seu filho mais velho, o meu amigo Tozinho (António Eduardo Magalhães), três histórias de pequeno.

A primeira história é sobre a sua paixão de…atirar aos pardais: “o meu pai ia da casa de Lousada, até à Casa do Campo, dos tios, em Macieira, com a arma de pressão de ar, sempre a atirar, acompanhado de outros miúdos que lhe apanhavam os pardais. Parava na Vinha, em Silvares, hoje comprada pela Misericórdia, que era propriedade da minha avó, onde o pai dizia que existia uma cerejeira cravejada de chumbos de disparos feitos por ele”.

Sobre futebol houve vários episódios na vida de Toninho Magalhães: “quando fez a Comunhão Solene, o meu avô ofereceu-lhe uma bola de futebol a sério. Veio da Igreja de Silvares, da cerimónia da manhã e lá em casa houve a tradicional festa. Antes do almoço, o meu pai desapareceu. Foram dar com ele a chutar contra a parede da sala velha, hoje o rés-do-chão da casa dos meus primos na Rua de Santo António. Como resultado, rebentou com os sapatos de verniz e para ir na procissão, à tarde, tiveram que arranjar outros sapatos à pressa”.

Mais uma história ligada ao futebol, neste caso sobre clubismo: “o meu avô era Sócio Fundador do F.C. Porto e muito amigo de Manuel Pinto de Azevedo; os meus tios mais velhos Afonso e Nené também eram portistas, mas o meu pai ficou benfiquista, pois quando era ainda miúdo viveram em Lisboa e o meu pai pediu muito ao meu avô para o levar a ver um Benfica-Sporting, sentou-se numas escadas a chorar para ir. O avô levou-o. Foi o primeiro jogo a sério que viu. O Benfica ganhou…e ele ficou benfiquista”. 

Guarda-redes e treinador

O seu irmão mais velho, Afonso Magalhães, foi também guarda-redes do Lousada Futebol Club, equipa que antecedeu o Lousada Académico Clube, fundada por alunos do colégio Eça de Queirós e onde se estreou Toninho Magalhães. Esta equipa passou para a Associação Desportiva de Lousada, clube fundado em 1948.

No primeiro plantel da Associação Desportiva de Lousada, Toninho Magalhães era companheiro dos seguintes jogadores: Zé Pereira, Raúl da Silva, Amílcar Neto, Fernando Marques, Neca Carvalheiras, Antonino, Emílio, Orlando, José Neto, José Carvalheiras, José Paulino Neto, José do Olival, António Pinto, Abílio Farelo, Manuel Camelo, Eduardo Pepe, Miguel Barros, Delfim Marques, António de Santa Cristina, Coelho, Manuel Alves e Eduardo Félix.

Depois da ADL foi jogador do Académico do Porto, tendo regressado mais tarde ao Lousada.

Quando deixou de jogar futebol, António «Toninho» Guedes Magalhães não se afastou da modalidade. Ele foi o primeiro treinador de juniores da ADL. Esse escalão foi criado em 1963 e entre os pupilos de Toninho Magalhães estavam: Gonçalo Dias, Talau, Azevedo, Zé Manel «Doceiro», Fernando, Melo, Rui e Afonso Magalhães (sobrinho do treinador), os irmãos «Bagaço» (Gilberto e António Ferreira) e António Miguel Ferreira da Silva.

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