Sara Peixoto, de 28 anos, é licenciada em História, mas os Bombeiros sempre a encantaram mais. Com apenas 15 anos, decidiu ingressar nos soldados da paz e deixar para trás as histórias com final feliz como seria habitual nessa idade. Não esconde a vontade de prosseguir estudos, mas, por enquanto, salvar vidas é a prioridade.
Aos 15 anos, Sara Peixoto ingressou nos bombeiros, porque, desde muito nova, mostrou o seu fascínio pelos soldados da paz: “sempre que via as ambulâncias a passar despertavam em mim uma sensação de querer ser bombeira”, lembra.
Ao longo destes 13 anos, Sara construiu um longo caminho nos Bombeiros de Lousada, “comecei como infante, fui cadete, passei a estagiária, posteriormente bombeira de terceira e, neste momento, sou bombeira de segunda e faço também serviço de voluntariado. Tenho muito gosto em ajudar o próximo e dispenso sempre muitas horas com a minha família para estar aqui nos bombeiros”, comenta.
Atualmente, está também a dar formação aos mais novos, juntamente com outros bombeiros. “Acho importante que os jovens, hoje em dia, tenham este gosto em ajudar o próximo, porque cada vez mais são precisos”, alerta.
“Acho importante que os jovens, hoje em dia, tenham este gosto em ajudar o próximo, porque cada vez mais são precisos.”
Apesar do apoio que recebeu da família, inicialmente foi difícil aceitarem a decisão, por ser mulher e pelos riscos que um bombeiro pode correr. “Há sempre aquele estigma que por ser mulher e ser jovem não conseguia, mas com o tempo, têm dado menos importância a estas características. E é sempre importante todos darmos um bocado de nós à população”, realça.

A bombeira admite que é sempre difícil lidar com certas situações e acontecimentos: “lembro-me bem de uma situação que me marcou bastante e, durante uma semana, foi difícil lidar com as minhas emoções”.
No entanto, com o tempo torna-se “mais fácil lidar com o que nos vai esperando e aparecendo, tornamo-nos mais imunes. Mas há situações e acontecimentos que um bombeiro, por muita experiência que tenha, nunca irá conseguir ultrapassar, como na morte. Nestas situações, nós sentimos mesmo a dor do outro”, assegura.
Bombeiros mudam forma de ver a vida
Quando se é bombeira/o, e quando se lida com diferenciadas situações ao longo de vários anos, a personalidade e a forma de verem a vida muda. “Nós aprendemos a valorizar mais a vida, porque é comum vermos certas situações que nos fazem pensar e perceber que devemos ligar mais ao que realmente importa e não a pequenos detalhes com pouca importância. Acho que nos tornamos mais humanos”, afirma a bombeira.
Sendo jovem, a bombeira acredita que sempre conseguiu diferenciar a sua vida dentro e fora dos bombeiros. “Temos de saber separar. Fora daqui tenho os meus amigos, as minhas saídas e os meus interesses. Aqui também tenho os meus amigos, mas claro, tenho uma responsabilidade diferente. Porém, uma coisa não invalida a outra”, comenta.
O apoio dos amigos e da família é essencial e, a cada dia que passa, sente cada vez mais esse apoio: “os meus amigos apoiam-me bastante e gostam daquilo que faço, assim como a minha família. Apesar de no início estarem meios reticentes e de terem algum receio, sempre me apoiaram muito e orgulham-se daquilo que faço”, diz a bombeira.
Neste momento, é operadora de central, mas sempre que necessário faz urgências, “esta é uma profissão muito nobre”, lembra. A jovem admite que poder estar a celebrar estes 95 anos é um orgulho: “porque somos uma família e poder pertencer a esta casa é um sentimento inexplicável”.












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