por | 20 Jun, 2021 | Sociedade

AHBVL celebrou 95.º aniversário

Foi no passado dia 13 de junho que a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lousada celebrou o seu 95.º aniversário. Na cerimónia foi completado o quadro de comando com a nomeação do segundo-comandante, Carlos Correia, e adjunto de comandante, César Couto. 

O desfile da Corporação dos Bombeiros Voluntários deu início à sessão solene que culmina as celebrações do 95.º aniversário desta associação. Contou, ainda, com a bênção das novas viaturas, e seus respetivos padrinhos, e equipamentos de proteção individual. A encerrar estas celebrações aconteceu um desfile final com os automóveis e respetivos bombeiros.

Com um balanço positivo, Antero Correia, Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lousada, afirma que “tivemos uma boa receção, dentro do possível, tivemos também as pessoas que queríamos cá ter, claro que gostávamos de ter mais, mas, infelizmente, não podemos”. 

Poder celebrar esta data, mesmo em tempos de pandemia, foi, até para a própria associação, uma surpresa, “ainda este ano dissemos que não íamos fazer nada”, no entanto, com o diminuir das restrições, a direção decidiu tomar um rumo diferente. 

Imposição dos novos símbolos aos elementos que completam o Quadro de Comando

 “Tomamos a decisão de fazer esta celebração há cerca de 15 dias, com as devidas precauções, porque temos bombeiros desde miúdos a graúdos. Convidamos pessoas novas até tenra idade, mas, claro que o nosso gosto era podermos fazer como fizemos no 90º aniversário”, lembra. 

Apesar de terem sido tempos difíceis, principalmente quando começaram a faltar equipamentos de proteção a nível nacional, hoje, os bombeiros já estão vacinados e conseguem ter acesso aos equipamentos necessários para a proteção contra a COVID-19. 

Com o sentimento de dever cumprido, no que toca a esta celebração do 95º aniversário, com novos equipamentos e com o quadro de comando completo e “organizado”, Antero Correia, admite que foi um processo difícil: “há muitos anos que nós tínhamos um quadro órfão, e sempre tive este objetivo, completá-lo. Vê-lo hoje feito deixa-me orgulhoso”.

Atualmente, depois de completar o que já era desejado há muito, o Presidente da Associação acredita que é um “dia histórico” e não esconde a sua admiração pelo comandante José Carlos Aires e pela ajuda que tem sido nestes últimos tempos: “uma pessoa excelente, ficamos amigos ao primeiro encontro. É competente, um profissional exemplar e conhecedor do mundo dos bombeiros e empreendedor”. 

Na celebração foram, ainda, benzidas, pelo Padre Paulo Godinho, novas viaturas e novos equipamentos de proteção individual no combate a fogos urbanos, cumprindo assim mais dois objetivos. “Já há muito tempo que lutávamos por isto. Gostaríamos de ter recebido no ano passado, mas dada a pandemia tivemos de recuar”, lamenta o presidente.

Bênção das viaturas e novos equipamentos

Num ano atípico e com as dificuldades económicas acrescidas, Correia explica que “os bens não são elásticos e não sabíamos o que ia acontecer, vi-me aflito e em pânico, porque via o dinheiro a sair, mas não a entrar”. 

Como prometido e com os fundos para conseguir estes equipamentos, este ano os bombeiros ficam ainda mais completos. Receberam 25 equipamentos, contudo, a direção deseja dar ainda mais aos bombeiros. 

“Numa primeira fase é o suficiente, mas nunca o será para um corpo de bombeiros completo. Daí querer o corpo de bombeiros todo equipado com estes elementos de proteção”, admite, acrescentando: “há duas coisas que eu não quero que lhes falte, equipamentos de proteção e formação”. 

No que toca às viaturas, receberam cerca de seis: “duas de socorro, duas de transporte de doentes, um Veículo Tanque Tático Urbano (VTTU), para transporte de água, e uma viatura que utilizamos para fazer um bocado de tudo, sendo esta última a viatura que ansiávamos há bastante tempo para que sejamos identificados mais facilmente em cada saída”, revela. 

Apesar de ter realizado parte dos objetivos, o Presidente da Associação tem um que ainda o preocupa bastante: as instalações. “Estamos a trabalhar nisso, mas sinto muita dificuldade, apesar de já estar a ver uma luz ao fundo do túnel. Os Bombeiros merecem um sítio digno, com condições para os albergar condignamente”, termina. 

Quadro de comando completo 

A celebração teve a presença especial de Pedro Machado, presidente da Câmara Municipal de Lousada, José Santalha, presidente da Assembleia Geral da AHBVL, Albano Teixeira, representante do presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção e Comandante Distrital de Operações de Socorro do Porto, Bruno Alves, representante da Liga dos Bombeiros Portugueses, José Morais, presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito do Porto, Antero Correia, presidente da Direção da AHBVL, e José Carlos Aires, Comandante dos Bombeiros Voluntários de Lousada.  

Para além do desfile da corporação, foram entregues medalhas de honra aos bombeiros com um longo e exemplar percurso na associação. Foi, ainda, completado o quadro de comando, com Carlos Correia a assumir as funções de segundo-comandante, e César Couto as de adjunto de comandante. 

Carlos Correia, atualmente segundo-comandante, começou a sua aventura como bombeiro no ano de 2009. “Comecei como estagiário, segui carreira como Bombeiro de segunda, cargo que ocupava, sendo nesta data segundo-comandante”, afirma. 

Carlos Correia, segundo-comandante

Com tempo e disponibilidade para dar a esta associação, Carlos decidiu ingressar, porque acreditava que o seu tempo “devia ser empenhado em prol de outros”.  Na nova etapa, sente-se orgulhoso do seu percurso feito: “é atingir num patamar de bastante importância na hierarquia dos bombeiros, mas sempre com o intuito de fazer mais e melhor em prol desta associação e de quem cá trabalha, para que seja possível fazer e prestar um bom serviço aos nossos lousadenses”. 

O bombeiro assegura que se vai “dedicar ao máximo”, acrescentando que “os objetivos, pela idade que temos, serão cada vez mais, quer a nível de formação quer a nível de instrução”.  

Com uma cooperação “órfã” de segundo-comandante há longos anos, Carlos sente uma maior responsabilidade em assumir este cargo, “porque é uma imagem que já não está presente nos bombeiros e sei que a atenção estará virada para aqui, por isso mesmo, por ser um cargo que esteve longos anos sem ninguém e foi finalmente ocupado”. 

Um ano especial para os Bombeiros, mas também para Carlos Correia, que deixou uma menagem especial: “quero relembrar todos os bombeiros que fizeram muito por esta casa, que foram os que deram o ser a tudo isto. E a partir de agora vou dedicar o meu saber e o meu conhecimento ao máximo para o bem de todos”. 

Também César Couto, agora adjunto de comandante, começou a sua jornada nos bombeiros de forma bastante familiar. Nasceu no meio das fardas e é nesse ambiente que se sente feliz, entrando na corporação em 2008, onde se tornou profissional pouco depois, em 2011. “Entrei nos bombeiros devido a ter familiares diretos nesta casa, um deles o meu pai e o meu tio”, conta. 

César Couto, adjunto de comandante

Mesmo não tendo o seu pai presente, César sente uma responsabilidade acrescida: “isto eleva a fasquia e onde quer que ele esteja, quero que fique orgulhoso, sendo este o principal objetivo”.

Com um trabalho acrescido a partir de agora, o adjunto de comandante dará sempre o seu melhor: “certamente vou errar, mas espero que estes meus erros me ajudem a crescer”, comenta. 

Sendo um dos objetivos para muitos bombeiros, o bombeiro não esconde o orgulho de assumir as novas responsabilidades: “sempre tive este objetivo e, uma vez que cá estou, vou tentar dar o meu melhor em prol desta associação”. 

Assim como para Carlos Correia, também para César Couto é um aniversário ainda mais especial, não só por serem 95 anos, mas também por ter atingido um dos seus objetivos há muito desejado, tanto por ele, como pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lousada. 

O bombeiro termina com uma mensagem para todos os bombeiros e lousadenses: “atravessamos uma fase complicada, a pandemia, e que foi uma grande prova que tivemos de que somos únicos e especiais. Faço assim um convite a quem quiser entrar nesta casa, para o fazer”. 

Desafios da corporação são cada vez mais 

Pedro Machado, presidente da autarquia, afirma que esta corporação está “cada vez mais forte e robustecida e, por isso, tinha de vir felicitar os atuais responsáveis, quer do comando, quer da presidência, e claro, felicitar os bombeiros que tanto dão à nossa vila, e que parte do seu tempo dão a esta causa ativa muito nobre”. 

Acredita que a corporação tem desafios cada vez maiores, mas também “um futuro cada vez mais competente, com mais responsabilidades e um futuro assegurado pela quantidade de crianças e de jovens que cooperam esta associação”. 

“É importante que eles tenham meios adequados, e tem acontecido um reforço, mas ainda há desafios a serem completos para que esta cooperação preste um serviço ainda melhor”, explana. 

O autarca não tem dúvidas que os bombeiros de Lousada estão à altura de qualquer desafio que possa surgir e, se as houvesse, “basta recuar um ano, onde começou esta pandemia, uma situação nova que ninguém conhecia. Eles foram os primeiros a encarar esta situação e merecem toda a nossa consideração”. 

Como presidente da proteção civil, relembra que este último ano foi muito difícil, “por causa da dúvida, pela insegurança, porque não sabíamos o que esperar deste vírus e desta pandemia”, no entanto, a falta maior, admite ter sido a falta de recursos e equipamentos que começaram a faltar no mercado. 

“Houve dias em que se temeu que os bombeiros não pudessem prestar o seu serviço, porque acima de tudo temos de preservar a segurança dos próprios”, lembra. 

Este foi talvez um dos desafios maiores que esta associação enfrentou ao longo da sua história, mas que, no final, “deram, e continuam a dar, uma resposta exemplar, e merecem todas as nossas felicitações. Qualquer que seja o desafio desta associação, percebemos que estarão sempre altura”, finaliza. 

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lousada adquiriu as seguintes viaturas: 

Viatura VTTU (Veículo Tanque Tático Urbano) 03 – Marca Renault – 03-RH-11: apadrinhada pela empresa “Bessa Coelho – Sociedade de Construções, S.A”, representada por Rosa Maria Ribeiro. 

Viatura VDTD (Veículo Dedicado ao Transporte de Doentes) 18 – Marca Ford – 41-TC-76: apadrinhada pela empresa “Emídio & Alvarez – Subcontratas, Lda.” representada por Cláudia Sousa. 

Viatura ABTD (Ambulância de Transporte de Doentes) 19 – Marca Renault – 31-TV-47: apadrinhada pela empresa “JAP – Automotive – Comércio de Automóveis, S.A.”, representada por José Freitas Branco e Fernando Silva.  

Viatura – Marca Hyundai – AD-62-NI: apadrinhada por Filipa dos Anjos Teixeira Oliveira. 

Viatura – Marca Ford – matrícula- AD-48-BO: apadrinhada pela empresa “Ferragens Vale do Sousa, Lda.”, representada por Ana Magalhães. 

Viatura oferecida pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). 

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