Louzadenses com Alma
Por José Carlos Carvalheiras
No texto de introdução ao Volume II (2012) da coleção OS LOUZADENSES, faço pela primeira vez referência ao Louzadensismo, que conjuga sentimento e praxis, bairrismo e preservação da identidade histórica, cultural e humana Louzadense. Essa nomenclatura teve origem nos ideais cívicos, ideológicos e culturais do saudoso Dr. Mário Fonseca, o “Marinho”, como o tratavam com ternura as pessoas mais antigas ou mais próximas dele.
O Dr. Mário Fonseca tinha um amor magnânimo pela sua terra, que levava no coração quando partia nas suas famosas viagens. Era um viajante. Correu meio mundo e voltava sempre repleto de saudade. Chegado a Lousada, vindo dessas andanças, não rumava logo à sua casa, pois fazia sempre questão de passar em redor do jardim do Senhor dos Aflitos e para a capela dirigir o olhar e quiçá uma prece.

Valorizava as pessoas e as coisas da terra e magoava-o a ingratidão e o desprezo do povo para com as coisas e os valores da identidade e da memória coletiva local. “Não gosto que o nosso povo não dê valor ao que tem”, disse numa entrevista em Jornal TVS, em 29 de outubro de 2010.
No meio da praça, numa mesa do Café Paládio, num corredor da Câmara ou numa das idas ao seu consultório, onde quer que encontrássemos o Dr. Mário, era inevitável entabular conversa pelo menos sobre dois temas: o futebol e a vila.

Embora acérrimos apaixonados por emblemas antagónicos, tínhamos formas similares de ver “as coisas da bola”. Ele era portador de um benfiquismo grandioso, sem mácula nem cegueira e que refletia a pessoa que era o Dr. Mário: justo e apaixonado.
Foram precisamente essas caraterísticas de Justiça e de Paixão pela sua terra natal que fizeram dele o padrinho da coleção “Os Louzadenses”. Que acérrimo defensor da identidade social e da memória coletiva de Lousada! Que amor o seu pela terra sobre a qual escreveu assim no prefácio da primeira edição da referida coleção: “(…) recanto ímpar de Portugal que é Lousada, este cantinho que do mundo é o mais belo!”.

Na vida política notabilizou-se como um democrata e um político com ideologia de Esquerda, sempre afeto ao Partido Socialista, embora não tivesse sido filiado. Desempenhou de forma carismática as funções de Presidente da Assembleia Municipal de Lousada, desde 1990 até ao seu falecimento. Foi um ícone do município e uma das referências imortais e unânimes em matérias cívicas e sociais.
O Dr. Mário era médico de clínica geral e medicina familiar e era assistente graduado com o grau de consultor. Exerceu medicina com uma abnegação e uma solidariedade imensas fazendo jus ao epíteto de “Médico do Povo” que lhe assentava a preceito e que o equiparava a outros vultos da medicina lousadense, designadamente ao Dr. Abílio Alves Moreira e ao seu pai, Dr. Fernando Fonseca.
As viagens ao estrangeiro e a fotografia eram dois dos seus passatempos preferidos, mas também dedicava tempo livre ao futebol, mormente ao Benfica, seu clube do coração, a par da Associação Desportiva de Lousada onde foi jogador e treinador nas camadas jovens, Presidente da Direção e Presidente da Assembleia Geral durante muitos mandatos consecutivos.

Foi o primeiro diretor do jornal Terras do Vale do Sousa, que ajudou a lançar com o fundador, Manuel Afonso da Silva.
Foi casado com Amélia Maria Marques Leal Fonseca. Mário Fonseca nasceu em 26 de fevereiro de 1954 e faleceu em 4 de setembro de 2012.












Recordo-me especialmente do comentário que ele me fez no regresso de uma viagem aos Estados Unidos da América. “Não percebo o fascínio pelas praias de Miami. é porque não conhecem Portugal porque até praia de Matosinhos é muito mais interessante do que Miami beach.