Opinião de Alice Alves
Interna de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar
Em março de 2020 o Governo decretou pela primeira vez a paragem da atividade assistencial não urgente, para que os serviços de saúde respondessem em força à pandemia da Covid-19. Neste contexto, foram suspensos os rastreios oncológicos, tendo sido retomados cerca de 3 meses depois, de forma gradual.
A estreita colaboração entre os diferentes sistemas de saúde, nomeadamente entre os Cuidados de Saúde Primários (CSP) e os Hospitais têm tentado criar condições que permitam mitigar o impacto da pandemia na prestação de cuidados de rastreio oncológico.
Os rastreios oncológicos têm como objetivo a investigação de sinais de uma doença numa determinada população, na fase assintomática, minimizando desta forma a progressão da doença oncológica. Mas nem todos os cancros podem ser rastreados. Atualmente em Portugal estão implementados os rastreios do Cancro da Mama, do Cancro do Colo do Útero (CCU), o Cancro do Cólon e Reto e o Cancro da Próstata.
Principais rastreios e recomendações:
- Rastreio do Cancro da Mama, recomenda-se o rastreio do cancro da mama por mamografia de 2 em 2 anos, na faixa etária dos 50 aos 69 anos.
- Rastreio do Cancro do Colo do Útero – o programa de rastreio do CCU inclui mulheres com idades superiores a 25 anos e igual ou inferior a 60 anos. É realizado através da colheita de células do colo do útero, sendo submetido a uma análise morfológica e molecular, para pesquisa de ácidos nucleicos, dos serótipo oncogénicos do HPV, em citologia a realizar de 5 em 5 anos.
- Rastreio do Cancro do Cólon e Recto- destina-se à população de ambos os sexos com idade igual ou superior a 50 anos e igual ou inferior a 74 anos. É realizado através do teste de Pesquisa de Sangue Oculto nas fezes, pelo método imunoquímico, a realizar de 2 em 2 anos.
- Rastreio do cancro da Próstata- funciona como rastreio oportunístico, e recomenda-se nos homens entre os 50-75 anos, através do teste ao PSA.
Para o diagnóstico precoce do cancro é fundamental que os rastreios funcionem em plenitude. Rastrear é preciso, mas não só! É necessário dar resposta às lesões que são diagnosticadas, assim como, proporcionar qualidade no tratamento oncológico. Os serviços de saúde cerca de 15 meses depois do início da pandemia continuam desgastados física e emocionalmente. E quando não vemos “fim à vista”, é importante estruturar uma resposta em toda a cadeia do Serviço Nacional de Saúde. Os Governantes têm o poder de decisão e os CSP desempenham o seu papel enquanto promotores ativos na prevenção da doença. Os cidadãos podem contribuir para a promoção da saúde, estando informados e fazendo parte do plano ativo de prevenção da doença.











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