É um empreendedor e considera-se um “fazedor de coisas”. Nasceu em Nogueira, em 1977 e desde cedo se dedicou ao associativismo. Acredita no poder da família, como alicerce para ultrapassar todos os desafios, casado, pai de três filhos, considera esta construção familiar o seu mais importante, desafiante e difícil projeto. Sandro Sousa teve um papel ativo na política jovem de Lousada e do país, que acabou por deixar, para se dedicar à sua paixão: empreender.
Entre os muitos cargos ocupados, foi vice-presidente da JSD Nacional e presidente da Associação Desportiva de Lousada, considerando que mais importante do que os cargos que ocupou é como se usam essas funções para ajudar as pessoas.
Acredita ser uma pessoa proativa, com capacidade de execução e aquilo que o satisfaz é empreender constantemente novos projetos. Sem perder a humildade, sente-se orgulhoso do seu percurso, considerando que “o caminho, ainda nem a meio está”. Com uma infância diferente, marcada pela profissão dos pais, recorda “os trabalhos de casa que fazia aos sábados nas feiras que os meus pais faziam” e ainda hoje sabe todos os dias do mês, em que se realizam feiras e em que localidade as mesmas decorrem.
Esta “vida agitada” e “sacrifício familiar constante” marcaram o seu percurso e a forma como mais tarde encarou a vida, nomeadamente “aquilo que fui construindo em termos de caráter e personalidade”, explica Sandro Sousa.
“A verdadeira herança que os meus pais me deixaram, tem que ver com o caráter formativo que nos foram dando.”
“A verdadeira herança que os meus pais me deixaram, tem que ver com o caráter formativo que nos foram dando, não só pelo que nos iam dizendo, mas fundamentalmente pelo exemplo que nos iam dando. Essa vida de trabalho, essa determinação, esse sacrifício, naturalmente, faz-nos olhar para as coisas de forma diferente”, revela.
O seu percurso escolar começa no Externato da Misericórdia do Unhão, em Felgueiras, marcado por uma matriz cristã. Seguiu-se a Escola Básica 2,3 de Lousada Centro, a Escola Secundária de Lousada e ainda um ano na Secundária de Penafiel. “Foi um circuito formativo interessante, onde, nomeadamente na Escola Secundária de Lousada, comecei a dar os primeiros passos nesse meu gosto de empreendedorismo e da participação cívica e associativa”, conta.
“Durante o último ano em Lousada, com um conjunto de amigos, tive uma participação muito ativa na Associação de Estudantes. Fez-me sentir bem enquanto defendia os meus colegas e ao mesmo tempo fez-me também apurar o espírito de iniciativa para constantemente implementar algo de novo. Foi um primeiro passo que marcou os anos seguintes”, reforça.
Na Associação de Estudantes, recorda algumas iniciativas “interessantes” que culminaram na organização de um concerto, uma iniciativa que acredita ter sido “inédita para qualquer associação”, uma vez que foi “totalmente organizada por nós”, com a colaboração da Câmara Municipal é certo, mas com total iniciativa. “É com particular orgulho que recordo, que com o dinheiro que sobrou, conseguimos contribuir para comprar mais livros para a biblioteca da escola, que na altura era uma coisa muito pequena”, acrescenta.
Este foi o primeiro passo para o que moldaria a sua vida nos anos seguinte: “dedicar-me a mudar o mundo”, revela, alertando que “por mais cargos que exerçamos, o importante não são os cargos, é aquilo que conseguimos fazer pelas pessoas, no exercício dessas funções. Desde essa altura, a minha matriz de ação e opinião tem sido centrada na igualdade de oportunidades. Não somos todos iguais, mas devemos ter todos as mesmas oportunidades”, confirma.
Paixão pela gestão
Sandro Sousa é licenciado em Gestão pela Universidade da Beira Interior e foi aí o seu primeiro choque de diversidade de opiniões político-partidárias. “Havia uma grande prevalência no curso e na universidade de opiniões de esquerda e foram anos de uma grande aprendizagem, de escutarmos opiniões diferentes no dia-a-dia”, comenta.
Durante esse período, foi Presidente da Associação de Estudantes do curso, vice-presidente da Assembleia Geral da Associação Académica da Universidade da Beira Interior e representante dos alunos no Senado da Universidade.
Liderou também a organização do ciclo de conferências “Gerir o Mundo” e o V Encontro Nacional de estudantes de Economia e Gestão, eventos que contaram com a participação e contributos de várias personalidades de renome nacional e internacional ligados à economia e gestão.

“Durante os anos de faculdade, sempre trabalhei nos verões e criei uma carteira de clientes própria, que me permitiu conquistar alguma capacidade financeira.”
Desde muito cedo percebeu que o seu objetivo passava por empreender. Por isso, refere, “durante os anos de faculdade, sempre trabalhei nos verões e criei uma carteira de clientes própria, que me permitiu conquistar alguma capacidade financeira e, ainda antes de terminar o curso, entrar na sociedade, que ainda hoje existe, a Lousagest Consultores”
Atividade política ativa
Com uma ligação à política desde muito novo, definiu a sua consciência política durante os 10 anos que Cavaco Silva exerceu o cargo de primeiro-ministro e, ainda hoje, “entendo-o como a minha principal referência neste espírito de fazer acontecer e transformar as coisas”, revela.
Com 20 anos, foi eleito membro da Assembleia Municipal de Lousada, em 1997, onde “como sempre faço, tentei dar o melhor de mim e apesar da tenra idade sempre gostei de levar as coisas com total seriedade”. Foi, durante esse mandato, um dos deputados com maior quantidade de intervenções.

“Tentei encetar um conjunto de intervenções o mais estruturantes possível, recordando que aconteceu algo que ainda hoje considero absolutamente impensável, que foi a perda de Santa Eulália de Barrosas para o concelho de Vizela”, afirma.
Este episódio, “deixou-me com uma ideia e uma conceção daquilo que era a atividade político-partidária no seu conceito mais negativo, pois senti que o poder municipal permitiu, sem dar verdadeira luta, a perda da maior e mais populosa freguesia do concelho”, reforça. Apesar disto a experiência na Assembleia Municipal foi positiva, porque “tivemos um conjunto de iniciativas dentro da pouca visibilidade que as Assembleias acabam por ter, mas que me permitiu ficar com um gosto pela atividade política”, conta.
Em 2002, protagonizou uma repentina e espontânea candidatura à JSD de Lousada, que acabou por vencer. Foram momentos algo conturbados, nos últimos 25 anos terá sido provavelmente o momento mais “quente” em termos de luta política dentro do PSD de Lousada.
Convidou Rui Rio, na altura Presidente da Câmara do Porto, para apadrinhar a sua tomada de posse, por se identificar com o rigor do fazer bem e a frontalidade politicamente incorreta, do atual líder do PSD, considerando que “tal como eu, não é nada bom a ‘dizer mal’ ou a fazer oposição, mas quando tiver oportunidade de ser Primeiro-Ministro, vai endireitar o estado e colocar Portugal a crescer verdadeiramente”.

Acredita que acabou por ser candidato naquela altura, porque tinha ideias diferentes daquilo que devia ser a estratégia da JSD e do PSD para o futuro de Lousada e que toda essa dinâmica, protagonizada por uma equipa pró-ativa e de gente capaz, acabou por gerar muita mobilização. Conseguindo por todo o concelho empreender um conjunto significativo de iniciativas que permitiram fazer crescer a JSD em número de militantes.
Essa dimensão e a capacidade de intervenção permitiu a eleição para diferentes funções, quer como vice-presidente da JSD Distrital, quer no Conselho Nacional da JSD e no Conselho Nacional do PSD, bem como dois mandatos na Comissão Política Nacional da JSD, o último dos quais, como Vice-Presidente.

Considera que a política é uma das funções mais nobres que podemos ter, de forma desinteressada, de forma aberta, livre, mas para esse libertar de interesses, obrigatoriamente não podemos ser políticos profissionais, pelo menos, sem antes provarmos profissionalmente, fora da política, do que somos capazes de fazer.
Em 2005, integrou a lista candidata do PSD à Câmara Municipal, num convite inesperado, que surgiu a poucos dias do prazo de entrega de listas. Ainda assim, considera que fizeram um resultado muito acima das expectativas que existiam naquela altura. “O grupo de candidatos que tínhamos acabou por se revelar muito unido e trabalhador”, testemunha.
Em 2007, acaba por decidir afastar-se das lutas políticas. Convicção que reafirma e mantém. Considera que podemos ter uma opinião crítica construtiva e uma atividade associativa que possa contribuir para o bem da nossa terra, sem interesse ou envolvimento político.
Cargos associativos
E tendo em conta essa convicção, “foi isso que me fez participar num conjunto de associações e, mais recentemente, na Associação Desportiva de Lousada, onde aliei a minha ‘parola’ paixão pelo futebol, aquilo que achei que podia fazer não só pelo clube que muito gosto e onde fui atleta, mas também pelos muitos jovens atletas Lousadenses, que os desportos em geral e o futebol em particular, atraem”, confirma.
“Foi isso que me fez participar num conjunto de associações e, mais recentemente, na Associação Desportiva de Lousada, onde aliei a minha ‘parola’ paixão pelo futebol.”
Em 2015, acaba por assumir a responsabilidade de presidente da direção na AD Lousada com “muito orgulho”. “Tive o privilégio de ter comigo uma equipa fantástica, dedicada e empenhada em dar o melhor de si. No futebol jovem, triplicamos o número de atletas, multiplicamos também por três o número de modalidades no clube, conseguimos fazer um melhor e maior aproveitamento do Complexo Desportivo, que chegou a ser curto para as equipas que o clube foi mantendo”, reflete.

“Quando chegamos, tínhamos todas as equipas na última divisão em todos os escalões. Em seniores, subimos três vezes à equipa principal. Constituímos uma equipa B sénior e subimos mais duas vezes. Em quatro anos, conseguimos subir cinco vezes em seniores. Acredito no potencial do clube e naquilo que era o potencial das instalações, onde sou muito crítico da gestão autárquica daquilo que é a rentabilização daquele projeto”, assevera.
Terminou a ligação aos órgãos sociais da AD Lousada quatro anos mais tarde. Porém, confirma que continuará ligado à vida associativa.
Consultor e Gestor
Em 1999, iniciou o seu percurso profissional, como consultor de empresas e como mediador de seguros, atividades que manteve e solidificou ao longo das últimas duas décadas. Nos seguros, desde sempre ligado à companhia de seguros Tranquilidade, foi colecionando ao longo dos tempos vários prémios a nível nacional pelo crescimento alcançado e abriu a primeira loja franchisada desta companhia de seguros no norte do país.
Mas, como se habituou a trabalhar muitas horas por dia, foi criando do “zero” outras atividades ao longo dos anos, em setores como a saúde, a gestão de património, a restauração e até na comunicação social, com a criação do jornal regional “Yes Noticias”, projeto que se encontra suspenso a aguardar por uma melhor conjuntura económica que permita a sua sustentabilidade.
Na última década, dedicou-se mais afincadamente ao ramo da construção e imobiliário, diversificando a sua atividade, desde a construção mais tradicional, à construção metálica, especializando-se na reabilitação funcional de edifícios.
Promove atualmente a edificação de uma nova zona industrial em Lousada junto do acesso à A42, num investimento que é certamente estratégico para um concelho carente de investimento deste tipo.
Outros projetos de investimento na edificação de novas habitações em Lousada estão também em curso, indo ao encontro do crescimento populacional jovem que se vai verificando no concelho.
Sente como ninguém os problemas de quem trabalha consigo e a responsabilidade da criação de emprego e de riqueza no seu concelho, considerando que apesar da pequena dimensão empresarial e do caráter familiar do pequeno grupo, já conseguiram saltar fronteiras e desde 2016 internacionalizaram a sua atividade, tornando ainda mais desafiante a sua gestão.
Com um espírito desinteressado e desimpedido de poder opinar em qualquer momento, é nessa perspetiva que pretende continuar a ter a sua intervenção cívica, seja numa lógica associativa, seja numa lógica empresarial. Estar intrinsecamente ligado a Lousada, onde sempre viveu, tem a sua família e a generalidade dos seus negócios. Sente que o seu contributo positivo para a sua terra poderá e deverá ser pela via do constante investimento, potenciador de crescimento económico e gerador de novos empregos. “É por aqui que andarei e é por aqui que continuarei a querer estar”, termina.












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