A Casa Nobre No Concelho de Lousada

Tipologias – X | Pátio

O pátio é um elemento de extrema importância na história da arquitetura da casa nobre lousadense. Daí definir-se pátio comoum «arquetipo sistemático y versátil, capaz de cobijar una grande cantidad de usos, formas, tamãnos, estilos y características diferentes.»1

Encontrámos dois tipos de pátio que se enquadram nas características da casa nobre lousadense: interno ou interior e terreiro ou pátio exterior (de honra).2 O pátio interno ou interior apresenta marcas distintas: Argonça, Cam, Bouça, Cáscere, Juste, Pereiró, Porto; enquanto Outeiro, Tapada, Real e Ronfe seguem o tipo definido por Jorge Henrique Pais da Silva e Margarida Calado, pátio é um «espaço aberto frente a um edifício,»3 também se podendo encontrar «no seu interior,»4 sendo este lajeado, ladrilhado, cimentado ou ainda em terra batida.

O acesso ao pátio interior faz-se por um portal, como acontece nas casas de Pereiró e do Cam ou por uma porta de cocheira, como ocorre na casa de Argonça. A casa de habitação fica ao fundo, e tem sempre rés-do-chão e andar nobre. A fachada principal, está voltada para o exterior do pátio interior, sendo que o andar nobre, onde o proprietário reside, sobrepõe-se às dependências de serviço.

Apresenta também um “aspeto de cidadela fechada, vedada a estranhos que ele aqui, toma, parece poder explicar-se fundamentalmente por razões histórico-culturais, como sobrevivência de uma remota forma que tinha em vista a defesa contra assaltos ou depredações. 5

Há, desta forma, um evidente desejo de recolhimento e de proteção. A casa, na verdade, na globalidade do seu conjunto edificado, configura um todo murado à entrada e até ao olhar de estranhos. O pátio interior é, assim, o ponto fulcral, o local vital, para onde converge a existência de toda a casa. Três são as casas que mais evidenciam este tipo de características: Argonça, Cam, Pereiró, que têm o pátio interior limitado pelo conjunto edificado apenas por um ou dois lados, sendo a parte sobrante tapado por um muro baixo.

Na primeira casa, o pátio é delimitado a Este, Oeste e Norte pelas fachadas das fachadas térreas das edificações do caseiro, cortes, etc.; e a Sul pela fachada interior da fachada da casa principal. Fecha-o uma porta de cocheira. A segunda mostra um pátio tapado por portões a Este e a Oeste, e a Sul uma porta de cocheira. Enquanto na de Pereiró, vislumbra-se um pátio interior delimitado por fachadas, sendo fechado a Oeste por portão em ferro forjado e a Este por uma porta de cocheira. O pátio da casa de Cáscere resulta da planta em L. Apresenta-se fechado por muros a Norte e a Oeste, e pelas fachadas a Este e a Sul. A mesma configuração tem o da casa do Porto, pois também resulta de uma planta em L. É limitado pelas fachadas da construção primitiva, exceto a Este, onde o remate com a fachada interior da fachada mais recente, é feita – na zona do tanque – através de muro, de média altura. O pátio é vedado através de dois portões em ferro, dando esta serventia para os campos; e através de uma porta de cocheira, esta permite o acesso ao terreiro fronteiro à principal da casa do Porto. Na casa de Juste, o pátio surge na retaguarda da mesma. É fechado pelas fachadas do edifício a Sul e a Este – pelo portão -, e por muros a Norte e Oeste. Por último, a casa da Bouça exibe um pátio interior que permite o acesso à antiga edificação primitiva. É aberto, a Oeste.

No segundo caso, à volta do pátio internoergue-se uma edificação, dispondo-se ao seu redor, tapando-o na sua totalidade. Como já referimos, é um espaço livre e aparece incorporado no conjunto edificado, sendo a parte murada normalmente, da altura, das fachadas do edifício que o delimita. São exemplos de casas edificadas à volta de um pátio interior: Outeiro, Tapada, Real e Ronfe.

  Tipologias de pátio da casa nobre do concelho de Lousada
CasaPátio
Argonça, Bouça, Cam, Cáscere, Juste, Pereiró, Porto, Outeiro, Tapada, Real e RonfePátio interior
Alentém, Argonça, Bouça, Cáscere, Juste, Lama, Outeiro, Pereiró, Porto, Quintã, Ribeiro, Rio de Moinhos, Real, Renda, Seara, Tapada, Valmesio, Valteiro, Vila Verde, VilelaTerreiro, pátio exterior (pátio de honra)  

O espaço de terra, plano e amplo, contíguo a uma casa é o terreiro ou o pátio exterior. Também pode ser definido como o «espaço aberto frente a um edifício (pátio de honra).»6 Adotando este conceito, e excluindo a casa do Cam, todas as outras ostentam um terreiro ou pátio exterior, fronteiro à fachada principal, ideia que José Custódio da Silva preconiza: «não haver dúvidas da existência de um pátio frente ao corpo principal, (…).»7 Geralmente quadrangulares apresentam-se em terra batida, murados e fechados com portões de ferro forjado, fundido e em chapa, a que acedemos por alamedas ladeadas por frondosas árvores.

Casa da LamaTerreiro, pátio exterior (pátio de honra), Foto: Arquivo da Casa da Lama.

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1 – http://www.ggili.com. Cf. HANEMAN, J. Th – Elementos de Composicion Arquitectónica. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 1985, p. 40.

2 – «Espaço de plano efpaçofo. «BLUTEAU, Rafael – o. c., p. 455. Cf. É o espaço que «nos palácios e outros edifícios vai desde a entrada principal à escadaria.» MACHADO, José Pedro – Grande Dicionário da Língua Portuguesa. Lisboa: Editores Amigos do Livro, (Coord. José Pedro Machado), 1981, p. 390. No Brasil é a área «em frente das casas grandes e nobres.» MACHADO, José Pedro – o. c., p. 390; Burben, Ernest – o. c., p. 256.

3 – SILVA, Jorge Henriques da CALADO, Margarida – o. c., p. 279. Cf. Em 1789 também assim era considerado: «Pa’ teo é a área murada, e descoberta que eftá á entrada da cafa.» BLUTEAU, Rafael -o. c. – p. 170; OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, GALHANO, Fernando – o. c. p. 39 e 103; Burben, Ernest – o. c., p. 256, p. 175.

4 – CHING, Francis D. K. – o. c., p. 85. Cf. vol. II. p. 82, SILVA, Jorge Henriques da; CALADO, Margarida – o. c., p. 279; Burben, Ernest – o. c., p. 256; TEIXEIRA, Luís Manuel – o. c., p. 175.

5 – Cf. OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, GALHANO, Fernando – o. c. p. 39 e 103; Burben, Ernest – o. c., p. 256, p. 175.

6 – SILVA, Jorge Henrique Pais; CALADO, Margarida – o. c., p. 278.PEREIRA, José Fernandes – o. c., p. 176.

7 – SILVA, José Custódio Vieira da – o. c., p. 33.

Obras consultadas:

– HANEMAN, J. Th – Elementos de Composicion Arquitectónica. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 1985.

– BLUTEAU, Rafael – Vocabulario Portuguez & Latino. Lisboa: Officina de Pascoal da Silva, tomo 5, 1716

– MACHADO, José Pedro – Grande Dicionário da Língua Portuguesa. Lisboa: Editores Amigos do Livro, (Coord. José Pedro Machado), 1981.

– BURDEN, Ernest – Dicionário Ilustrado de Arquitectura. São Paulo: Aritmed Editora, 2002.

– SILVA, Jorge Henriques da e CALADO, Margarida – o. c., p. 279.

OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, GALHANO, Fernando – o. c. p. 39 e 103; Burben, Ernest – o. c., p. 256.

– CHING, Francis D. K. – Dicionário Visual de Arquitectura. 1ª edição, São Paulo: Livraria Martins Santos, 2003.

 – SILVA, Jorge Henrique Pais, CALADO, Margarida – Dicionário de Termos de Arte e Arquitectura. Lisboa: Editorial Presença, 2005.

– SILVA, José Custódio Vieira da – Paços Medievais Portugueses. Lisboa: Edição do IPPAR, 2000.

José Carlos Silva

Professor / Historiador

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