por | 13 Mai, 2024 | Economia, Sociedade

Vinhos das Caves do Monte projetam Lousada no mundo

Freitas de Balteiro: O embrião de uma tradição

Em 1947, nas terras férteis da freguesia de Sousela, José Freitas plantou as sementes do que viria a ser, quase meio século mais tarde, uma das mais prestigiadas empresas de Lousada, reconhecida nacional e internacionalmente. Com um olhar aguçado para o comércio e um amor pelo vinho, “Freitas de Balteiro, como era então conhecido, comercializava vinho a granel, adquirido em quintas locais e transportados em carros de bois alugados até à porta dos seus clientes em vários concelhos do Douro Litoral.

Após a sua morte, em 1984, foi Agostinho Freitas, um dos seus filhos, que assumiu as rédeas do negócio. Em meados de 1992, a sua visão para aquele empreendimento materializou-se com a fundação da Caves do Monte – Vinhos SA, em Sousela, freguesia do concelho de Lousada.

A empresa, que inicialmente se dedicou à venda a granel, rapidamente evoluiu para atender às demandas do mercado, passando a produzir e comercializar vinhos engarrafados.

Hoje, esta empreitada 100 por cento lousadense é reconhecida como um estabelecimento vinícola de ponta, com instalações modernas que ocupam um vasto espaço de 4 mil metros quadrados com quatro linhas de engarrafamento totalmente automatizadas, capazes de encher 7 mil garrafas por hora.

“Engarrafamos cerca de cinco milhões de litros por ano, mas já chegamos aos 12 milhões com o ‘bag-in-box’. No entanto, decidimos focar no valor acrescentado, investindo mais nos Douros, por exemplo”, explica Agostinho Freitas.

A oferta atual da Caves do Monte é sinónimo de diversidade e qualidade, oferecendo espumantes, sangrias e vinhos das regiões do Douro (DOC Douro) e dos Vinhos Verdes (DOC Verde). Além das marcas próprias, a empresa também produz marcas brancas para uma série de grandes superfícies comerciais e oferece produtos personalizados e marcas privadas.

O empreendimento, que conta com 21 funcionários em Lousada e outros seis em Amarante, está presente em vários canais de distribuição, desde a venda direta ao público até à exportação para quase toda a Europa, para onde escoa cerca 50 a 60% da sua produção. “Estamos também atentos ao mercado africano, especialmente Angola, onde já realizamos algumas vendas. O primeiro contentor foi enviado no Natal”, acrescenta Agostinho Freitas.

Quintas de Caiz: A Concretização de um Sonho

A marca Quintas de Caiz nasceu em 2002 fruto de uma paixão antiga de ter vinhas próprias, explica o empresário.

“Sempre quis ter a minha marca e vinhas próprias e quando surgiu a oportunidade de dar uso a umas vinhas e um lagar praticamente abandonados, em Amarante, decidi avançar”, acrescenta.

O projeto envolveu a reconversão de vinhas e a recuperação de uma adega na freguesia de Vila Caiz.

vinha da Quintas de Caiz – Amarante

Em 2023, o investimento, que inclui adega, 40 hectares de vinha e linha de engarrafamento próprias, rendeu cerca de 1,6 milhões de euros. A gestão deste empreendimento está, atualmente, nas mãos do seu filho mais velho, João Freitas e de uma sobrinha.

Vinhos de qualidade reconhecida internacional

A reputação de uma empresa produtora de vinhos é fundamental para o seu sucesso no mercado. O reconhecimento dos seus produtos em concursos e feiras do setor atesta a qualidade e gera confiança na marca, tanto com compradores como consumidores.

Ao longo dos anos, a Caves do Monte tem recebido inúmeros prémios para várias das suas marcas. A lista é extensa, mas destacam-se, por exemplo, o Alma da Vinha Branco colheita de 2021, recipiente, no ano passado, da medalha de ouro no Berliner Wine Trophy, na Alemanha e medalha de prata no Concours Mondial de Bruxelles, na Bélgica.

As Quintas de Caiz também têm produzido produtos premiados, como é o caso do Encostas de Caiz Alvarinho 2022, agraciado no ano passado com a medalha de ouro na 32ª edição do Mundus Vini Grand International Wine Award, na Alemanha.

A Filosofia de Negócio: Honestidade, Sinceridade e Qualidade

Agostinho Freitas indica que está constantemente atento ao mercado, frisando que o consumo europeu de vinho “está a cair” e é preciso procurar outros mercados. Neste momento, apenas explica que está a “olhar” para potenciais clientes nas Américas, Ásia e África.

Revela, ainda, que o seu maior orgulho reside na empresa que criou e em todo o seu projeto. “Mas a minha maior vaidade está na honestidade e sinceridade nos negócios. Falo sempre com as pessoas olhos nos olhos”, explica, sublinhando a importância da honestidade no trato com clientes e mesmo com a concorrência.

“Apesar de haver alguma deslealdade no mercado, dou-me bem com os meus concorrentes”, frisa. E conclui, revelando um pormenor particular no controlo de qualidade:

“Estas instalações são limpas diariamente, como aliás devia ser, mas às sextas-feiras paramos as linhas de produção e só trabalhamos meio-dia, dedicado exclusivamente à higiene e à limpeza”.

1 Comment

  1. Filomena Costa

    Boa tarde , gostava de saber quando devo me inscrever para as vindimas?

    Cumprienros

    Sou filomena Costa.
    Cont: 917729209

    Reply

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