por | 4 Jul, 2024 | Editorial, Editorial

Editorial 124 | “Tô certo ou tô errado?”

Quem se lembra do personagem Senhorzinho Malta, na telenovela Roque Santeiro, lembrar-se-á, certamente, da figura autoritária e dominadora com que frequentemente impunha a sua voz e o seu poder com a tirada “tô certo ou tô errado?”. 

Há por aí muitos “senhorzinhos Malta”, um pouco mais modernos, é certo, que praticam o “eu posso”, “eu mando”, “eu é que sei”, “eu é que sou o presidente”. Eu, eu, eu.

Ora, esse ego desmedido, seja em que organização for, compromete a saúde organizacional, desestimula a colaboração, mina as relações de confiança entre pares e limita a própria inovação das funções e da organização. 

O “eu posso” de um líder autocrático faz com que tome decisões unilaterais, sem a devida consulta e consideração dos seus pares, levando a erros estratégicos e a um ambiente de trabalho pouco saudável e construtivo. 

O “eu mando” impõe uma cultura de obediência cega que, em vez de inspirar e motivar, controla e sufoca a criatividade e a iniciativa dos seus colaboradores. 

O “eu é que sei” demonstra uma falta de humildade e abertura para aprender com os outros. 

Finalmente, o “eu é que sou o presidente” é uma afirmação de poder de uma espécie de “dono disto tudo”, que se julga acima de todos e se considera a peça central de todas as operações. Aliás, muitos deles fazem de tudo para que a sua posição e autoridade não seja defraudada, ainda que isso implique prejuízo coletivo, mas garanta no final da etapa um audível “eu avisei”.  

Infelizmente, encontramos por aí tantos “egos desmedidos” que nos leva a crer que serão meros disfarces da fraqueza e da sua própria incompetência. A psicologia designa-os como “complexo de superioridade”, “um mecanismo subconsciente de compensação neurótica desenvolvido por um indivíduo como resultado de sentimentos de inferioridade.”

Normalmente, vemos estes sujeitos a serem os primeiros “bajuladores” de pessoas respeitadas e socialmente reconhecidas. Fazem-no, com a expectativa de um dia serem outros a fazer-lhes o mesmo. 

Já diz o ditado popular: “quem se acha, se perde”. E são muitos os que se perdem na arrogância e no caminho da humildade, pois “a canalhice e o cinismo moram no indivíduo que se acha superior aos outros”, e “quem se acha superior, no fim é apenas um medíocre”. 

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