LOUSADA TEM CADA VEZ MAIS GRUPOS DE BOMBOS
Os bombos são uma tradição bem portuguesa e em Lousada está em tal expansão que a recente Noite de Bombos da Ladec Eventos teve mais de setecentos participantes. São mais de uma dúzia os grupos de Lousada que se dedicam ao rufar de bombos e tambores, que por esta altura se fazem ouvir bem alto nas festas e romarias. Outros eventos também são animados por estes grupos. Até em casamentos já se viram e ouviram, inclusive com os noivos a pegar na moca para ribombar valentemente. Hoje damos destaque ao Quarteto Metralha.
Há dois anos um quarteto de apaixonados pela tradição do bombo e do tambor decidiram formar um grupo. Tal como muitos outros, aconteceu quase por acaso e em plena brincadeira. A iniciativa foi de duas irmãs, Catarina e Raquel Martins e seus maridos, Leandro Pereira e Joel Barbosa. O grupo foi criado a 10 de Junho de 2022 e desde então nunca mais pararam e foram crescendo.
É um lamento que fazem ao dizerem que neste momento não têm sítio certo para ensaiar, no entanto, estão “a trabalhar para ver se conseguimos o nosso próprio espaço”, afirmam os Metralhas. Na maioria das vezes, quando o tempo está chuvoso, ensaiam no salão do clube Águias de Figueiras. Em tempo de calor vão para o Complexo Desportivo de Lousada.
O ensaiador é Miguel Mota, um especialista nestas andanças. Os bombos foram comprados nos “Bombos Pedro Nunes”, em Caíde de Rei, que é também a quem recorrem quando são necessários consertos ou afinações.

O curioso nome do quarteto tem uma explicação: “os nossos maridos é que criaram o nome, pois às vezes passávamos tarde de domingo a jogar às cartas entre os quatro e eles diziam que nós fazíamos batota e começaram-nos a chamar «irmãs Metralha», então sendo nós quatro elementos ficou o nome Quarteto Metralha” e escusado será dizer que a imagem de marca do grupo são os personagens Metralha popularizados nas bandas desenhadas e desenhos animados de Walt Disney.
Para já são um grupo informal, mas esperam mudar isso: “neste momento não somos associação, no entanto é uma possibilidade que está em cima da mesa”, afirmam os Metralhas.
Começaram por tocar bombos, caixas e tambores em eventos familiares, “mas oficialmente, a nossa estreia começou mesmo nas Festas da Vila de Lousada, onde só íamos os quatro, nas Marchas Luminosas, numa pequena brincadeira a que nos propusemos, que acabou por se tornar numa coisa mais séria e começamos a tocar em mais eventos e outras pessoas se juntaram a nós”.
São um grupo recente, mas sempre a crescer e a inovar. No currículo já contam com inúmeras atuações: “tocamos no evento solidária da Sofia, em Nespereira; na Festa do Vinho, nas Sebastianas, em Freamunde; na Senhora do Padrão, em Barrosas; nas Marchas da festa da Nossa Senhora da Conceição, em Cristelos; no São João de Codessos (Paços de Ferreira); nas Marchas de Ferreira (Paços de Ferreira); no Cortejo na Serrinha (Lixa); e nas festas de Santa Isabel (Lodares)”.
Neste ano esperam voltar a “atuar nas Grandiosas Festas em Honra do Senhor dos Aflitos, em Lousada, em dois momentos, ou seja, no desfile de bombos de quinta-feira e na marcha alegórica de segunda-feira. Além disso, esperamos ir às Festas de Sanfins, em Paços de Ferreira, assim como à Senhora dos Remédios, em Arreigada”.
A dedicação a esta atividade “tem muitos custos” e para isso contam com patrocínios e apoios, como foi o caso da AutoCristelos e recentemente do Filipe BarberShop”, revelam os elementos do grupo.
As dificuldades que sentem “são algumas, mas a falta de um espaço só nosso para ensaiar é o mais importante. Esperamos em breve ter um espaço próprio e conseguir patrocínios para que possamos ter um fardamento, e possamos adquirir instrumentos novos e diferentes para além da caixa e bombo”.
Lousada tem mostrado um exponencial aumento de grupos de bombos. Na opinião destes tocadores, isso deve-se “à tradição muito forte que existe aqui, além de que trata-se dum entretenimento que tem por base o convívio que se cria entre amigos e que acaba por envolver a população que nos vê”.
Nas andanças ainda curtas do Quarteto Metralha acontecem episódios que ficam para a história do grupo. Um deles “foi algo insólito e aconteceu no aniversário de um dos fundadores. Estávamos ainda muito no início, e nesse evento estávamos a tocar com toda a vontade e não nos apercebemos do barulho nem das horas. Para nosso espanto, por volta da uma hora da manhã apareceu uma patrulha da GNR a pedir silêncio”, relatam com um sorriso.














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