por | 18 Set, 2024 | Opinião, Pedro Amaral

2024 e o Verão Quente Lousadense

O calor do Verão parece começar a desvanecer, mas se a expectativa era de que o ano seguisse agora calmamente rumo, na verdade, a polémica da organização das Festas de Lousada, das suas listas e comissões, mantém o espírito lousadense ao rubro. O tema chegou agora à política local através de uma carta aberta dirigida ao poder político para que assumisse a dianteira da sua regulamentação.

Concordo que urge regulamentar, nomeadamente, a entrega de listas, a posse e a prestação de contas das comissões organizadoras. E se nenhuma instituição com interesse investido na Festa o quer fazer, terá que ser a sociedade civil a fazê-lo no âmbito associativo.

O que não podemos, não devemos fazer, é lavar as mãos como Pilatos enquanto dizemos que “nas outras festas não há problemas” enquanto o assunto anda de Anás para Caifás.

Não é novidade que em Lousada a organização das Festas da Vila sempre funcionou numa atmosfera de “caos controlado”. No entanto, caro leitor, na minha modesta opinião, as polémicas com a organização têm muito menos que ver com a falta de regulamentação e muito mais com uma questão de decisão, ou melhor, de falta dela. Ora porque quem decide avançar tem que torcer para que mais ninguém apareça, ora porque quem avança quer que alguém lhes valide a decisão, ora porque quem é interpelado a decidir empurra para que outros decidam.

Mas afinal o problema está em quem se propõe organizar as festas ou naqueles que se recusam simplesmente a dizer: “faça-se assim”?

Quem não perceba as recentes controvérsias em torno da organização das Festas de Lousada compreende muito pouco do que, em essência, é a alma lousadense. Porque ser lousadense implica essa tal “paixão” que por vezes nos tolda o discernimento. Porque ser lousadense implica um orgulho e sentimentos de pertença que por vezes nos leva à irascibilidade. Porque ser lousadense é exigir um brio, arrojo e ambição acima do comum na defesa desse ideal. Porque ser lousadense é partilhar de um sentimento e de uma sociologia que não se explicam por palavras, mas se vive intensamente.

Por vezes o que faz falta não é nada de extraordinário, apenas uma posição coerente e uma simples decisão daqueles de quem esperamos liderança.

Pedro Amaral*

Advogado

*O autor escreve mediante o anterior acordo ortográfico

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