por | 26 Set, 2024 | Editorial, Editorial

Editorial 129 | Há ouro em Lousada

Espante-se caro(a) leitor(a), pois há ouro em Lousada!

Lousada é terra fértil, mas a sua verdadeira riqueza não se queda na agricultura. Nos dias de hoje, vale muito mais a terra do que o resultado do seu cultivo.

Infelizmente, a mesma racionalidade se aplica a outras tantas coisas e domínios da sociedade. Atribui-se mais valor ao “Ter” do que ao “Ser”, e essa constatação social conduz-nos para a busca incessante e permanentemente insatisfatória pela riqueza material. Essa riqueza, porém, parece estar sempre muito mais ao alcance de quem já parte dela usufrui e/ou de quem sobre ela pode interferir.

A título de exemplo, imagine caro(a) leitor(a) que possui um quinhão de terra e de que, de repente (!), surge um investidor, preferencialmente público, que decide, estrategicamente, abrir uma rua que atravessa a sua propriedade; ou infraestruturar a terra em lotes para a construção de novos edifícios; ou até instalar equipamentos coletivos na área envolvente. De um momento para o outro, o que antes era um terreno inacessível e de pouco valor, transforma-se numa propriedade de elevado valor. Assim, compreende-se que há terras que, de facto, valem ouro – mas nem todas, e não para todos.

Outro exemplo recorrente é o da “crise”, como justificação para a seleção “criteriosa” de investimentos. Adiam-se decisões porque a “crise” impede que se faça “tudo”. É bem verdade que não é possível fazer-se tudo, por condições materiais e por condições lógicas e factuais. Há sempre algo mais a fazer e a melhorar, mesmo sobre o que se faz ou foi feito. Contudo, como todos perceberão e que em breve se repetirá, em ciclos de quatro anos, há três que são de “crise” e um que é de “abundância”. Mais uma vez, parece que, de um momento para o outro, se descobre “ouro” e essa descoberta (oportuna) é, claramente, política.

Mas, atenção, o verdadeiro ouro que existe em Lousada não está na “lotaria” dos exemplos acima. Está, sim, na formação e educação das nossas crianças e jovens; no desporto e cultura que as nossas associações promovem; na capacidade produtiva e empreendedora dos nossos trabalhadores e empresários; na solidariedade das nossas instituições; e, acima de tudo, em cada um(a) de nós e naquilo que, juntos, construímos, como comunidade.

Não nos deixemos enganar pela abundância esporádica, sazonal e aparentemente fortuita. Cabe-nos, enquanto cidadãos, estar atentos, questionar e exigir equidade, para que o ouro que há em Lousada seja, de facto, de e para todos!

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