Atualidade

Caro leitor, desde a última vez que lhe escrevi já se passaram umas longas semanas. As férias começaram para muitos de nós, o quebrar da rotina também e o início de um novo ciclo chegou igualmente. A chuva voltou a ocupar um lugar central nos nossos dias, com ela veio o outono, o que quer dizer que, em cada um de nós, as emoções transformam-se em algo diferente do já habitual. Por outro lado, também muitas situações ocorreram no nosso país e, inevitavelmente, em cada um de nós. Veja-se que de psicologia podemos falar a todo o momento, desde que estejamos a falar de pessoas e de comportamento humano.

Inicialmente, fomos invadidos no nosso país com a notícia de que cinco reclusos de origens diferentes, estando na mesma cadeia, conseguiram escapar. Bem, por aqui já algum medo foi instalado nas vidas dos portugueses, por sermos constantemente bombardeados com a informação de que se trata de indivíduos perigosos. A comunicação social tem este poder de chegar rapidamente a cada um de nós e de nos assombrar com notícias que, numa primeira vista, parece-nos algo nunca antes visto. Sim, nós já vimos esta situação acontecer antes; sim, nós sabemos que os estabelecimentos prisionais não estão devidamente preparados com um número de recursos materiais e humanos suficientemente capaz de dar resposta ao necessário. Sim, nós sabemos que há várias falhas no nosso país não só na área criminal, como em tantas outras. Se temos todo este conhecimento, o que muda com a chegada desta notícia? São indivíduos criminalmente preocupantes? São. No entanto, sabemos que mais de um quinto dos portugueses sofre de uma perturbação mental, sendo que 4% da população adulta apresenta uma perturbação mental grave. Estes números também não assustam, sabendo que uma perturbação mental grave pode traduzir-se numa situação também ela gravosa? Pondo as situações em perspetiva, como aliás deveria ser habitual no indivíduo, talvez nos sossegue por um lado e nos desassossegue por outro.

Outra grande realidade que atravessamos foi a ocorrência de incêndios que ceifaram a vida de algumas pessoas, levando noutras tantas situações casas por consequência. É possível que não só as pessoas que foram diretamente afetadas tenham sofrido com a situação, há outro grupo de população que indiretamente, e uma vez mais expostos a imagens e cenários catastróficos, possam estar a sofrer e/ou ter sofrido com a situação. Estamos perante situações de stress moderado a grave, pelo que situações de stress desta natureza tendem a desaparecer ou a permanecer. Sendo que, no caso de permanecer, podemos estar perante indivíduos que ficam com trauma psicológico e, nesse caso, existe um grande risco de saúde mental pública.

Por tudo isto, olhemos a saúde mental de forma séria e real, existe e de forma frequente. Não seremos menos capazes de a ultrapassar no nosso dia-a-dia, com estratégias muitas vezes dirigidas por um profissional de saúde mental.

Catarina Carvalho

Psicóloga

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