por | 24 Out, 2024 | Editorial, Editorial

Editorial 131 | Um tomateiro sem tomates?!

Caro(a) leitor(a), imagine um tomateiro viçoso, de folhas largas e verdes, todo exuberante entre outros tomateiros no campo. À primeira vista, é uma planta cheia de promessas: ramos fortes e flores amarelas que indicam a vinda de frutos suculentos – tomates! No entanto, ao aproximar-se, o agricultor percebe algo de estranho: este tomateiro, embora exuberante, não dá tomates!.. Todo o seu esforço parece concentrado em crescer e exibir-se, mas sem cumprir a função principal para a qual foi plantado. E assim, o agricultor, frustrado, percebe finalmente de que foi iludido pelas aparências. A planta, que parecia promissora, é na verdade estéril. Todo o seu vigor e presença no campo não servem para nada além de ocupar espaço e consumir recursos. O agricultor, que esperava uma boa colheita, vê-se agora diante de uma planta inútil, que não cumpre o propósito do seu cultivo.

Vivemos tempos estranhos! Alterações genéticas em seres vivos, avanços tecnológicos que outrora eram coisa de ficção científica, enfim, um sem número de acontecimentos que hoje fazem parte do nosso dia-a-dia. Modificamos plantas para crescerem mais rápido, animais para produzirem mais, e até discutimos a possibilidade de manipular o próprio ser humano, como se a natureza fosse apenas mais uma ferramenta nas nossas mãos.

A ciência progride a passos largos, a tecnologia avança e os desafios globais são encarados com novas soluções. Tudo isto acontece, mas parece que ainda há tomateiros sem tomates. De facto, há “boas” aparências, mas sem substância alguma.

Será que este cenário da agricultura tem correspondência com outras áreas de atividade? Será que olhamos mais para as aparências e não tanto para a substância? Para a promessa, ao invés da ação? Para a análise, ao invés da solução? Para o debate interminável, ao invés da decisão?

Vivemos num mundo onde a procrastinação e a indecisão muitas vezes substituem a coragem de agir. Nos negócios, na política, e até em questões do dia-a-dia, parece que preferimos ficar na fase do planeamento eterno e da ponderação interminável, onde tudo é discutido, reavaliado, analisado e revisto, empurrando a decisão e a sua execução com barriga para a frente.

Felizmente, no extenso campo, há tomateiros que não desiludem, ocupam espaço, consomem recursos, mas cumprem o papel do seu cultivo: produzem tomates!

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