por | 13 Nov, 2024 | Dar voz aos livros, Opinião

Sobre a escola, os livros, a cultura

Aquando do absurdo vivido em 2020 com a pandemia Covid 19, escrevi que, para lidar com o absurdo, só há um caminho – o conhecimento, que é adquirido através do pensamento crítico. Nesta perspetiva, é fundamental percebermos que cabe a todos o papel de aprender a pensar, a escolher e a agir, para garantir a integridade da escola pública. E este caminho faz-se muito concretamente pelos livros que lemos.

Se, por um lado, o mote de todo o processo de ensino aprendizagem está na comunicação, não havendo propriamente uma dualidade entre o digital e o analógico, por outro, não será evidente que estamos a correr algum risco comunicacional sem a presencialidade física? A par desta ideia, tornou-se claro que o ADN digital não pode deixar para trás a importância do livro físico. A tudo isso se acrescenta que o trabalho desafiante converge para o modo como vamos tornar, de forma equilibrada e com sentido, a escola mais híbrida. Avaliar neste contexto de metamorfose da escola tornou-se, inevitavelmente, o grande obstáculo a ultrapassar. Urge, por conseguinte, pensar-se mais na cultura do processo e não exclusivamente do produto final.

Assim sendo, no horizonte das nossas reflexões terá ficado plasmado o que sintetiza Carlos Fiolhais, ou seja, «como transformar informação em conhecimento?». A resposta passa, de forma incontestável, pelo já evocado e imprescindível pensamento crítico. A ideia de que a escola se corporiza nessa energia que faz estremecer o íntimo de cada aluno – sendo a aprendizagem essa vibração única que desperta o jovem para o querer saber mais. A capacidade de reinvenção da escola surge ancorada na disponibilidade dos professores. Não será de todo injustificado a luz incidir sobre estes e o seu papel crucial na sociedade, já que a pandemia não só trouxe à luz o fosso social existente entre os alunos, mas ainda, e de modo bem contundente, o árduo trabalho do professor.

Parece-me, por fim, imprescindível recuperar o ponto de partida desta reflexão – não há educação sem cultura. A capacidade de ler o mundo está-lhe, como tal, associada e subentende a transformação de informação em conhecimento. O tempo é de viragem, de desconforto para as costas, mas não será aí nessa indeterminação, nesse lugar obscuro do novo que estarão também as mil possibilidades de libertação? É fundamental dar nota do susto e, de forma mais vincada, do entusiasmo e da esperança no meio da crise que vivemos e lembrar as palavras iluminadas de Vergílio Ferreira: «que a essa realidade a reconheçamos e a esgotemos (…). Porque saber, ver, é já conquistar».

Conceição Brandão
Professora

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